BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), nome preferido de Lula (PT) para concorrer ao Governo de Minas Gerais, vai se encontrar com o presidente, possivelmente na próxima semana, para discutir a viabilidade de sua candidatura e comunicar sua filiação ao União Brasil.

Pacheco já acertou a mudança de partido, que deve acontecer nos próximos dias. A filiação foi intermediada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de quem ele é próximo, e afasta ainda mais o União Brasil do apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) – principal adversário do petista.

A mudança já foi comunicada a integrantes do União Brasil em Minas Gerais. O atual presidente estadual do partido, o deputado federal Marcelo Freitas, deve se desligar da legenda e migrar para outra sigla à direita --a tendência é que vá para o PL.

Já o deputado federal Rodrigo de Castro, aliado de Pacheco, assumirá a presidência do diretório estadual do partido. O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), por sua vez, está cotado para presidir a federação da sigla com o PP no estado.

Com as mudanças, o União Brasil e a federação desembarcam da candidatura do vice-governador Mateus Simões (PSD), que assumirá o governo em abril após a renúncia de Romeu Zema (Novo) e concorrerá à reeleição. Simões é adversário de Pacheco e sua filiação ao PSD forçou a saída do senador do partido. Zema, por sua vez, deve concorrer ao Palácio do Planalto com o apoio do seu vice-governador.

Aliados de Pacheco e integrantes do partido dizem que o ex-presidente do Senado ainda não decidiu se será candidato à reeleição, ao Governo de Minas ou se ficará de fora das urnas neste ano. Foi dado o primeiro passo, a escolha do partido, o que precisaria ocorrer antes de abril para manter aberta a possibilidade de candidatura.

De acordo com interlocutores de Pacheco, a ideia do encontro com Lula é discutir como a candidatura do senador poderia ser viabilizada e analisar estratégias para ampliar a votação no estado. A análise do cenário poderia ajudar no convencimento para que ele represente o palanque do petista em Minas, estado que detém o segundo maior colégio eleitoral do país.

A data do encontro, porém, não está definida – pode ficar para depois do carnaval.

Em 2025, o União Brasil chegou a romper com o governo Lula e determinar o desembarque de ministros, mas houve uma reaproximação no fim do ano a partir da indicação de Gustavo Feliciano para o Ministério do Turismo. Ele é filho do deputado federal Damião Feliciano (União Brasil-PB).

Aliados de Pacheco dizem ser possível que ele estabeleça uma aliança com Lula em Minas apesar das alas do partido que fazem oposição ao presidente. Além disso, a intermediação de Alcolumbre indica proximidade entre o presidente do Senado e o petista, após terem acumulado atritos em 2025.

O governador do Amapá, Clécio Luís, aliado de Alcolumbre, também se filiou ao União Brasil no fim de janeiro. A ideia é que ele faça campanha para Lula no estado. Como mostrou a Folha, Lula vem insistindo em convencer Pacheco a concorrer em Minas, enquanto o PT cogita um plano B diante da indefinição do senador.

Kalil e Marília Campos 

Pacheco vem afirmando a aliados que pretende encerrar sua trajetória política ao fim de seu atual mandato como senador, que acaba em fevereiro do ano que vem. Ele esteve entre os cotados para ser indicado à vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), no ano passado, mas o presidente acabou escolhendo Jorge Messias.

Lula, por sua vez, está convencido de que Pacheco é o nome ideal para a disputa no estado e tem enaltecido o senador em conversas com interlocutores. Aliados do petista avaliam que o senador do PSD poderia disputar o governo com uma chapa forte, tendo o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e Marília Campos como candidatos ao Senado.

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Minas Gerais tem o segundo maior eleitorado do Brasil, superado em tamanho apenas pelo de São Paulo. Tradicionalmente, o candidato a presidente que vence em solo mineiro é eleito. Desde 1945, só quem ganhou a Presidência apesar da derrota em Minas foi Getúlio Vargas, em 1950.

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