A frase incomoda porque desmonta uma fantasia confortável: a ideia de que fazer terapia, por si só, já é transformação. Não é. A terapia psicológica não funciona como milagre, atalho emocional ou manutenção preventiva para continuar tudo igual. Ela só começa a funcionar quando existe disposição real para mudança, mesmo que essa disposição seja confusa, insegura ou cheia de medo.

Por que fazer terapia não é o mesmo que fazer movimento interno?

Muita gente faz terapia por anos sem sair do lugar. Isso não acontece porque a abordagem não funciona ou porque o profissional é ruim, mas porque a pessoa não quer abrir mão dos próprios padrões.

Nesses casos, a terapia vira um espaço de estagnação emocional, onde histórias se repetem, o sofrimento é validado sem elaboração real e a responsabilidade pelas escolhas é sempre terceirizada. É possível falar de traumas a vida inteira sem nunca enfrentá-los.
A terapia de nada serve se houver resistência a ela

Por que querer alívio não significa querer mudança?

A maioria das pessoas busca terapia para parar de sofrer. Poucas estão dispostas a mudar o que sustenta esse sofrimento. Existe uma diferença profunda entre desejar alívio e aceitar transformação.

Mudar implica mudança de comportamento, assumir escolhas que doem, abrir mão de vantagens invisíveis do papel de vítima e tolerar desconforto emocional sem fugir. Mudar custa, e nem todo mundo está pronto para pagar esse preço.

Quando a dor deixa de ser um estado e vira identidade?

Para algumas pessoas, o sofrimento não é apenas algo que aconteceu. Ele vira identidade. A pessoa passa a se definir pela dor, pela história que carrega, pelo que perdeu ou suportou.

Nesse cenário, melhorar provoca uma pergunta assustadora: quem eu sou sem essa dor? Quando a dor vira identidade, a resistência à mudança não é teimosia, é medo de perder a própria referência interna.

Por que terapia exige responsabilidade emocional?

A terapia começa de verdade quando a pessoa percebe que entender não basta. Consciência sem ação vira estagnação. Insight sem mudança vira apenas narrativa bonita.

Alguns comportamentos comuns quando a responsabilidade ainda não foi assumida incluem:

  • Usar a sessão apenas para desabafar sem agir fora dela.
  • Reconhecer padrões, mas repetir as mesmas escolhas.
  • Esperar que o terapeuta "resolva" o problema.
  • Confundir compreensão com transformação real.

É nesse ponto que a responsabilidade emocional começa a ser exigida de forma concreta.

A psiquiatra Letícia Moraes explica, em seu TikTok, como a resistência a psicanálise pode acabar com todo o processo:

@psiqleticiamoraes A resistencia é um mecanismo insonsciente muito perspicaz #psiquiatriatiktok #saudemental #psiquiatria #freud #resistencia #psiquiatria  som original – Leticia Moraes | Médica

Quando a terapia começa a funcionar de verdade?

A terapia passa a funcionar quando a pessoa aceita que mudança envolve perda. Perda de versões antigas de si, de defesas que um dia protegeram e de narrativas que já não sustentam a vida atual.

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Ela deixa de ser um espaço de confirmação e vira um espaço de confronto honesto. Não para punir, mas para permitir crescimento. A terapia funciona quando o paciente aceita permanecer no desconforto tempo suficiente para que algo novo possa nascer.

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