Santa Catarina é um paraíso turístico de praias cristalinas e montanhas verdejantes. Mas a face de um dos estados mais atraentes do Brasil tem sido marcada por episódios de racismo estrutural (líder nacional em registros de injúria racial), homofobia crescente, higienismo violento contra moradores em situação de rua, crueldade extrema – exemplificada pelo brutal espancamento e morte do cachorro comunitário Orelha na Praia Brava no início do ano, com adolescentes envolvidos, tentativa de afogamento de outro cão e coação de testemunhas.
De racismo estrutural a atos de crueldade chocantes, passando por homofobia institucionalizada e hostilidade aberta contra os mais vulneráveis, Santa Catarina revela-se um lugar onde o brilho das atrações esconde pecados profundos. Por trás dessa fachada turística reluzente, esconde-se uma realidade sombria de intolerância, violência e exclusão social que rouba qualquer vestígio de ‘alma’ humana.
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Racismo estrutural
Santa Catarina é o recordista brasileiro em registros de injúria racial, com um aumento alarmante de casos que reflete não apenas preconceito individual, mas uma estrutura social que o perpetua. Em 2021, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina destacou essa "sensação de impunidade" que desencoraja vítimas de denunciar, perpetuando o ciclo de opressão.
Recentemente, uma lei estadual que proíbe cotas raciais em universidades e instituições públicas foi sancionada, ignorando o racismo estrutural e a necessidade de políticas afirmativas – uma medida questionada no STF por partidos como o PT, que a veem como um retrocesso na luta por igualdade. Essa lei foi suspensa pela Justiça local em 2026, mas sua aprovação inicial revela a mentalidade dominante: cotas não são vistas como justiça social, mas como "privilégios".
Incidentes como a prisão de tenistas por racismo em torneios locais ilustram como o preconceito se infiltra em todos os níveis da sociedade. E o pior: o racismo não só exclui, mas mata, como no caso de jovens negros assassinados em circunstâncias que expõem a violência racial.
Morte cruel do cão Orelha
No início do ano, o estado ganhou notoriedade nacional por um ato de barbaridade que choca pela gratuidade: a tortura e morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis. O animal, que vivia há mais de 10 anos nas ruas da praia, cuidado por moradores locais, foi espancado por adolescentes com paus e pedras, levando a uma eutanásia agonizante. A polícia identificou quatro jovens envolvidos, dois dos quais fugiram para os EUA, enquanto pais e tio foram indiciados por coagir testemunhas – um escândalo que revela não só crueldade juvenil, mas cumplicidade familiar.
Esse caso não é isolado: maus-tratos a animais cresceram 206% em Santa Catarina nos últimos 10 anos, refletindo uma cultura de violência contra os indefesos. Orelha, um ser vulnerável das ruas, simboliza como a sociedade catarinense trata o que considera "indesejável". Turistas que buscam praias paradisíacas acabam pisando em cenários de tal insensibilidade – por que contribuir para isso?
Homofobia: preconceito institucionalizado
Apesar de leis como a que institui o Dia Estadual de Combate à Homofobia, Santa Catarina registra um aumento de 21% em casos de LGBTfobia, com pelo menos cinco mortes em 2023. O estado tem poucos registros oficiais, mas isso se deve a políticas hostis que desencorajam denúncias, não à ausência de preconceito. Em 2025, um desembargador denunciou homofobia em um grupo de advogados, com mensagens como "Peguei um gay", expondo o viés no próprio sistema judiciário.
Casos como o de um professor indenizado em R$ 40 mil por bilhetes homofóbicos em uma escola particular de Florianópolis destacam como o preconceito permeia a educação e o cotidiano. Essa homofobia estrutural, combinada com projetos anti-LGBTQIA+ na Assembleia Legislativa, torna Santa Catarina um ambiente tóxico para minorias sexuais. Turistas LGBTQ+ ou aliados deveriam evitar um lugar onde o ódio é tão normalizado – há destinos mais acolhedores no Brasil.
Tratamento hostil aos pobres
Em Florianópolis, capital turística, a segregação é escancarada: campanhas apócrifas, endossadas pela prefeitura, pedem o fim das esmolas, associando moradores de rua a tuberculose e violência – uma forma clara de higienismo social. Arquitetura hostil, como grades e espetos em bancos públicos, é projetada para expulsar os pobres dos espaços "nobres", perpetuando a invisibilidade e o sofrimento.
Estudos revelam que a população em situação de rua em cidades como Joinville enfrenta exclusão extrema, com dificuldades de sobrevivência física e relacional. Apesar de políticas federais contra isso, o estado prioriza o "luxo" turístico sobre a humanidade, tratando os vulneráveis como estorvo. .
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Surto de diarreia
O estado registrou um aumento expressivo de DDA (Doenças Diarreicas Agudas), com mais de 21 mil casos registrados nas três primeiras semanas de 2026 (dados do SIVEP-DDA/Ministério da Saúde atualizados em 21 de janeiro), concentrados no litoral turístico (como Itajaí, Florianópolis, Balneário Camboriú e Bombinhas, que teve 409 casos em uma semana com alta de até 370% em relação ao ano anterior), revelando falhas em saneamento, balneabilidade e higiene em plena alta temporada de verão.
