
Tudo indica que o procurador-geral da Rep�blica, Augusto Aras, decidiu mesmo domar a Opera��o Lava-Jato, neutralizando completamente o que ainda resta de influ�ncia junto ao Minist�rio P�blico do ex-ministro da Justi�a S�rgio Moro – idealizador e l�der da opera��o quando juiz titular da 13ª Vara Federal de Curitiba.
Nos bastidores, Aras vem repetindo a interlocutores que sua principal miss�o � frente da Procuradoria-Geral da Rep�blica (PGR) � “despolitizar” o �rg�o. Na sua avalia��o, a PGR vinha sendo palco de disputas pol�ticas entre grupos internos. Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para o cargo, fora da lista tr�plice eleita pelos procuradores, parece ter sido esse o grande pacto firmado entre ambos.
Nos bastidores, Aras vem repetindo a interlocutores que sua principal miss�o � frente da Procuradoria-Geral da Rep�blica (PGR) � “despolitizar” o �rg�o. Na sua avalia��o, a PGR vinha sendo palco de disputas pol�ticas entre grupos internos. Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para o cargo, fora da lista tr�plice eleita pelos procuradores, parece ter sido esse o grande pacto firmado entre ambos.
O problema � que a Lava-Jato � uma linha de for�a do processo pol�tico brasileiro, uma esp�cie de fronteira entre a �tica e a pol�tica, que deveriam andar de m�os dadas, mas n�o � bem assim que acontece.
Mesmo que os procuradores da Lava-Jato percam o protagonismo nas investiga��es, permanecer�o tendo enorme influ�ncia no comportamento da opini�o p�blica e no processo eleitoral. Quando nada porque j� promoveram um not�vel expurgo na vida pol�tica brasileira, ao conseguir a aprova��o da Lei da Ficha Limpa e denunciar boa parte da atual elite pol�tica do pa�s.
� ilus�o imaginar que Moro e seus aliados ser�o carta fora do baralho nas elei��es de 2022. Eles j� t�m at� um partido pronto para oferecer uma alternativa: o Podemos, do senador �lvaro Dias (PR).
Mesmo que os procuradores da Lava-Jato percam o protagonismo nas investiga��es, permanecer�o tendo enorme influ�ncia no comportamento da opini�o p�blica e no processo eleitoral. Quando nada porque j� promoveram um not�vel expurgo na vida pol�tica brasileira, ao conseguir a aprova��o da Lei da Ficha Limpa e denunciar boa parte da atual elite pol�tica do pa�s.
� ilus�o imaginar que Moro e seus aliados ser�o carta fora do baralho nas elei��es de 2022. Eles j� t�m at� um partido pronto para oferecer uma alternativa: o Podemos, do senador �lvaro Dias (PR).
Por isso mesmo, � bom prestar aten��o na queda de bra�o entre a subprocuradora da Rep�blica Lindora Maria de Ara�jo, atual respons�vel pela condu��o da Lava-Jato na PGR, e a for�a-tarefa de Curitiba.
Na sexta-feira, os procuradores Hebert Reis Mesquita, Victor Riccely Lins Santos e Luana Macedo Vargas pediram exonera��o das fun��es, permanecendo no grupo que trabalha com Lindora apenas Alessandro Jos� Fernandes de Oliveira e Leonardo Sampaio de Almeida.
Na sexta-feira, os procuradores Hebert Reis Mesquita, Victor Riccely Lins Santos e Luana Macedo Vargas pediram exonera��o das fun��es, permanecendo no grupo que trabalha com Lindora apenas Alessandro Jos� Fernandes de Oliveira e Leonardo Sampaio de Almeida.
Antes, a procuradora Maria Clara Noleto, tamb�m por diverg�ncias, j� havia chutado o balde. A crise foi provocada por uma visita de Lindora Araujo � for�a-tarefa de Curitiba, na quarta e na quinta-feira, que gerou, inclusive, uma reclama��o desses procuradores junto � Corregedoria Nacional do Minist�rio P�blico Federal, "como medida de cautela" e "para prevenir responsabilidades".
Caixa-preta
Segundo o coordenador da opera��o no Paran�, procurador Deltan Dallagnol, a chefe da Lava-Jato na PGR buscou acesso a procedimentos e bases de dados da for�a-tarefa “sem prestar informa��es” sobre a exist�ncia de um processo formal no qual o pedido se baseava ou o objetivo pretendido.
“Diante do car�ter inusitado das solicita��es, sem formaliza��o dos pedidos e dilig�ncias”, os procuradores do Paran� realizaram uma reuni�o virtual para discutir o caso. Para Dallagnol, era preciso adotar cautelas formais para a transfer�ncia, a fim de evitar questionamentos e argui��o de nulidades sobre informa��es e provas.
Segundo ele, a corregedora Elizabeta Ramos os informara de que n�o h� qualquer procedimento ou ato no �mbito da Corregedoria que embase o pedido de acesso da subprocuradora-geral aos procedimentos ou dados da for�a-tarefa.
“Diante do car�ter inusitado das solicita��es, sem formaliza��o dos pedidos e dilig�ncias”, os procuradores do Paran� realizaram uma reuni�o virtual para discutir o caso. Para Dallagnol, era preciso adotar cautelas formais para a transfer�ncia, a fim de evitar questionamentos e argui��o de nulidades sobre informa��es e provas.
Segundo ele, a corregedora Elizabeta Ramos os informara de que n�o h� qualquer procedimento ou ato no �mbito da Corregedoria que embase o pedido de acesso da subprocuradora-geral aos procedimentos ou dados da for�a-tarefa.
A base de dados da for�a-tarefa de Curitiba guarda grande quantidade de informa��es e provas obtidas por meio de escutas telef�nicas, apreens�o de documentos, celulares e computadores, al�m de depoimentos de testemunhas e investigados pela Lava-Jato. Lindora pretendia ter acesso tamb�m ao sistema de escutas telef�nicas utilizado pela for�a-tarefa.
Os procuradores de Curitiba se recusaram a ceder as informa��es. Em nota, a PGR negou a busca de “compartilhamento informal de dados", mas assumiu, sim, a inten��o de obter “informa��es globais sobre o atual est�gio das investiga��es e o acervo da for�a-tarefa, para solucionar eventuais passivos”. De acordo com a PGR, a visita foi agendada previamente e a corregedora Elizabeta Ramos somente n�o participou da comitiva porque estava doente.
Os procuradores de Curitiba se recusaram a ceder as informa��es. Em nota, a PGR negou a busca de “compartilhamento informal de dados", mas assumiu, sim, a inten��o de obter “informa��es globais sobre o atual est�gio das investiga��es e o acervo da for�a-tarefa, para solucionar eventuais passivos”. De acordo com a PGR, a visita foi agendada previamente e a corregedora Elizabeta Ramos somente n�o participou da comitiva porque estava doente.
Autor de Corpo e alma da magistratura brasileira, o professor Luiz Werneck Vianna certa vez classificou os integrantes da Lava-Jato como uma esp�cie de “tenentes de toga”, comparando-os aos jovens oficiais que integraram o Tenentismo, movimento de insubordina��o militar que resultou na Revolu��o de 1930 e, depois, na ditadura do Estado Novo (1937).
“S� que os tenentes tinham um programa econ�mico e social para o pa�s. E esses tenentes de toga n�o t�m. S�o portadores apenas de uma reforma moral”, comparou em 2016. Quatro anos depois, os militares est�o de volta ao poder, sem um programa, e os “tenentes de toga” ensaiam um projeto pr�prio de poder, com Moro.
“S� que os tenentes tinham um programa econ�mico e social para o pa�s. E esses tenentes de toga n�o t�m. S�o portadores apenas de uma reforma moral”, comparou em 2016. Quatro anos depois, os militares est�o de volta ao poder, sem um programa, e os “tenentes de toga” ensaiam um projeto pr�prio de poder, com Moro.
