Warning: mkdir(): No space left on device in /www/wwwroot/lugardafinancas.com/zhizhutongji.php on line 51 N�o tem crise no mundo das lives - Cultura - Estado de Minas-lugardafinancas.com(none) || (none)
Durante o isolamento social, transmiss�es ao vivo trouxeram lucro inesperado para produtoras mineiras. Parte significativa da clientela � formada por cantores e empresas do setor cultural
postado em 25/05/2020 04:00 / atualizado em 24/05/2020 20:47
Frederico Gandra*
Douglas Lopes ensina ao cantor Dinho Ouro Preto os segredos da transmiss�o ao vivo (foto: Diego Marques/divulga��o)
Febre da quarentena, as lives – apresenta��es ao vivo transmitidas pela internet – se tornaram tanto uma op��o de lazer para o p�blico, confinado em casa, quanto uma forma de o m�sico, impedido de fazer shows, manter a conex�o com os f�s. O coronav�rus vem dando impulso expressivo a esse setor da �rea audiovisual. Artistas, teatros e a ind�stria de cinema, assim como institui��es de ensino e outros setores, recorrem a produtoras em busca de transmiss�es de qualidade.
Gabriel Netto, diretor da produtora mineira Castelo Multim�dia, que trabalha com transmiss�es ao vivo h� sete anos, diz que o mercado se fortaleceu nos �ltimos 24 meses. “Com a chegada da pandemia, tivemos um crescimento assustador”, informa. Sua empresa produzia uma live por m�s. Agora, s�o uma ou duas por semana. “Teve um dia em que fizemos duas transmiss�es simult�neas”, conta Gabriel. Enquanto uma equipe trabalhava na live de um cantor, a outra transmitia uma aula.
O m�sico gospel Giesley Mota contratou a empresa. De acordo com ele, a live bem produzida faz toda a diferen�a neste momento de intensa concorr�ncia pela aten��o dos internautas. “N�s, artistas, precisamos continuar em contato com o p�blico, mas de maneira profissional”, diz o cantor paulista.
"Com a chegada da pandemia, tivemos um crescimento assustador"
Gabriel Netto, diretor da Castelo Multim�dia
Para garantir a qualidade do som, a live de Giesley, transmitida de um est�dio em Belo Horizonte, obteve feedback positivo dos f�s, segundo ele. “O custo/benef�cio � muito interessante. O investimento varia de acordo com a demanda do artista, mas � poss�vel fazer uma transmiss�o profissional gastando, em m�dia, R$ 7 mil”, diz Giesley. “Minha transmiss�o foi perfeita. Teve tudo de que um ao vivo necessita”, aprova.
O cantor gospel Giesley Mota fez sua live em um est�dio em Belo Horizonte
(foto: Acervo pessoal)
SONO
No in�cio de mar�o, a decreta��o do isolamento social fez Gabriel Netto, diretor da Castelo, perder noites de sono. “Tivemos muitos cancelamentos, hav�amos levado funcion�rios para gravar no Rio de Janeiro, S�o Paulo, Par� e Pernambuco. Fiquei muito preocupado.”
Diante disso, ele procurou tra�ar novas estrat�gias. Depois de oito horas e meia de reuni�o com um contratante, conseguiu reverter o cancelamento da cobertura de um evento presencial em semin�rio on-line. “O cliente ficou t�o satisfeito com o resultado que o congresso do pr�ximo ano vai repetir o formato. A partir dali, come�aram a chover telefonemas”, conta Gabriel.
Inicialmente, os ganhos da Castelo Multim�dia sofreram um baque por conta dos cancelamentos. “Com a virada do jogo, a receita come�ou a se recuperar e passou a crescer”, diz. A empresa oferece pacote completo de live – cinegrafistas, ilumina��o e transmiss�o seguindo pr�-requisitos t�cnicos. “Consegui atrair para as lives clientes que n�o atuavam com transmiss�o ao vivo”, comemora Gabriel Netto.
MAIS EQUIPES
Douglas Lopes, diretor da DHL Produ��es, ficou surpreso com o crescimento do mercado de transmiss�es ao vivo. “Mesmo com o surgimento de outras empresas oferecendo o servi�o, nossa demanda aumentou 60% depois do isolamento social. Em alguns dias, temos de reservar hor�rio s� para responder a todos os pedidos de or�amento”, informa. Atuando no ramo audiovisual h� 20 anos, ele produz transmiss�es ao vivo desde 2008. “A gente tinha duas equipes e criamos outra. Hoje, s�o tr�s grupos com equipamento de ponta.”
A DHL participou de um projeto que contava com o cantor Dinho Ouro Preto, da banda Capital Inicial. “Quando a live acabou, ele veio perguntar como faz�amos a transmiss�o. Fiquei 30 minutos dando consultoria para ele”, lembra Douglas, entusiasmado.
Entre as dicas passadas a Dinho estavam detalhes de quest�es t�cnicas da transmiss�o, envolvendo da c�mera � ilumina��o correta. “No final, ele me agradeceu muito. Falou que a conversa abriu a mente dele”, conta Douglas Lopes
Cine Theatro Brasil, Google, Sou BH, Sympla e Grupo Kroton s�o alguns dos clientes que solicitaram lives � DHL. A empresa faz transmiss�es ao vivo remotas ou presenciais, oferecendo planos cujo pre�o varia de R$ 2,5 mil a R$ 17 mil.
CRESCIMENTO
H� cerca de 10 anos no mercado, a belo-horizontina Samba Tech oferece infraestrutura para produ��o, venda, distribui��o, gerenciamento e armazenamento de conte�dos em v�deo. A demanda por transmiss�es ao vivo, desde o in�cio do isolamento social devido � pandemia, dobrou a receita da empresa, informa o diretor comercial, Mateus Magno.
“Tivemos recorde consecutivo de vendas nos �ltimos tr�s meses, muitas pautadas por solu��es com plataformas de lives customizadas para grandes clientes”, afirma. “Como j� t�nhamos muita coisa pronta, conseguimos ajudar clientes e marcas a terem seus pr�prios canais de forma mais efetiva. Isso, naturalmente, ampliou a nossa receita.”
Antes da pandemia, a principal fonte de renda da Samba Tech vinha da venda de plataformas digitais para armazenamento de v�deo. Com o isolamento social, a demanda passou a ser por canais de transmiss�o ao vivo. A clientela mudou. “Antes, receb�amos muitas solicita��es de empresas corporativas querendo fazer lives para o p�blico interno. Neste momento, � muito grande a procura por lives voltadas para o entretenimento do p�blico externo”, explica Mateus.
Artistas e organiza��es ligados ao setor cultural querem ter as pr�prias plataformas de transmiss�o ao vivo. “Semanalmente, a gente tem falado com cinco a sete clientes interessados em lives voltadas para entretenimento”, conta Mateus. A demanda vem de cinemas, teatros, cantores e duplas sertanejas, al�m de patrocinadores que buscam lan�ar artistas.
“Fomos requisitados por empresas da ind�stria do cinema, em baixa devido ao confinamento. Elas querem fazer a live do filme para distribuir para as pessoas em casa”, conta o diretor da Samba Tech.
*Estagi�rio sob supervis�o da editora-assistente �ngela Faria
Receita em tempos dif�ceis
A demanda por lives customizadas est� ligada � busca de estabilidade e seguran�a nas transmiss�es. Artistas e empresas apostam nesse neg�cio para maximizar a receita durante o isolamento social. Normas das grandes plataformas – como a pol�tica do YouTube de permitir transmiss�es somente a canais com mais de 1 mil inscritos – contribuem para o aumento da procura.
“A liberdade de tempo e de acordos comerciais atrai clientes. O YouTube tem suas pr�prias regras de monetiza��o. Quando oferecemos uma plataforma pr�pria, � poss�vel ter liberdade para acordos comerciais”, afirma Mateus Magno, diretor da Samba Tech.
O investimento varia de acordo com o n�mero de views e o tempo da transmiss�o, preestabelecidos no contrato. Os planos oscilam de R$ 3 mil a R$ 100 mil mensais. Al�m de disponibilizar canal personalizado, a Samba Tech oferece equipes de produ��o de conte�do, equipamentos de grava��o e armazenamento das lives na plataforma depois da transmiss�o.
“Empresas ou artistas que querem aproveitar o conte�do bruto da live para fazer recortes para distribuir ou comercializar depois da transmiss�o costumam contratar nossa equipe de produ��o de conte�do”, explica Mateus. Por outro lado, quem busca apenas a plataforma de transmiss�o se volta para a capta��o e distribui��o do conte�do.
�lcool, m�scaras e a��o
Produtoras informam que, durante seu trabalho, adotam as recomenda��es das autoridades de sa�de. No caso de lives com cantores em est�dio fechado, Gabriel Netto, da Castelo Multim�dia, fornece m�scaras e �lcool em gel � equipe. “Sempre levo o m�nimo de profissionais poss�vel para evitar aglomera��es”, diz.
Douglas Lopes, diretor da DHL Produ��es, acrescenta �s regras o costume de desinfetar equipamentos ap�s grava��es externas. “Temos �lcool em gel cir�rgico para passar neles”, diz.
Equipes para a produ��o presencial de v�deos institucionais foram reduzidas de cinco para dois profissionais. “Por causa disso, o prazo de entrega aumentou. Antes, entregava em dois dias; hoje, s�o tr�s ou quatro”, informa o diretor da DHL.