“Ser� que a prefeitura n�o poderia barrar o avan�o das constru��es? O andamento de grandes obras na regi�o n�o vai contribuir para apertar ainda mais o n� da mobilidade?” As perguntas partem do engenheiro de energia Filipe Barone, de 24 anos, morador do Buritis. Mas n�o s�o apenas dele. Est�o na cabe�a de grande parte da popula��o do bairro e tamb�m de outras regi�es da capital. Especialistas acreditam que em Belo Horizonte falta uni�o entre os �rg�os que tratam do uso do solo e os que definem as quest�es de mobilidade urbana. A prefeitura discorda, dizendo que hoje pensa a cidade de forma integrada e que as ruas ainda refletem o passado, diferente da legisla��o em vigor.
“Se o uso do solo n�o for uma coisa integrada com as quest�es mais amplas de mobilidade, o resultado ser� sempre as atua��es do poder p�blico de forma fragmentada, atacando problemas pontuais que n�o resolvem em nada de forma estrutural”, diz o mestre em planejamento territorial Cristiano Ottoni. Ele se refere ao fato da expans�o crescente no Buritis, que, segundo o especialista, n�o est� acontecendo da maneira correta, com o planejamento de novos modais de transporte p�blico na �rea que ainda n�o est� adensada. “N�o h� nada t�o ruim que n�o possa ser piorado”, ironiza o professor.
A gerente de Informa��o e Monitoramento da Secretaria Municipal Adjunta de Planejamento Urbano de BH, Gisella Cardoso Lobato, defende a atua��o da administra��o municipal. “Neste momento temos um olhar para a cidade muito mais detalhado. Hoje � bem mais f�cil identificar as fragilidades da cidade do que antes”, afirma. Sobre o Buritis 2, Gisella garante que n�o h� risco de se repetir a ocupa��o desenfreada das outras �reas do bairro. “Eu n�o acho que essa �rea vai chegar nem perto do que foi o Buritis, mesmo com essa situa��o de pr�dios que j� est�o em constru��o”, afirma. O principal motivo que confirma essa expectativa, segundo ela, � a mudan�a nas normas com rela��o � vig�ncia dos alvar�s de constru��o.
“Antes o projeto era aprovado e as renova��es de alvar� eram obtidas por meio do pagamento de uma taxa. Isso gerava um passivo construtivo. A prefeitura nunca sabia o que poderia acontecer na cidade, quais obras iam acontecer”, diz. Segundo ela, atualmente as regras mudaram e o alvar� de constru��o tem prazo, que deve ser renovado sempre respeitando a legisla��o em vigor e os padr�es definidos pelo zoneamento da regi�o, sob pena de embargo da obra. O prefeito Marcio Lacerda (PSB) compartilha da opini�o, mas reconhece que no passado a oferta de infraestrutura e a ocupa��o n�o andaram na mesma velocidade. “Assim como ocorreu em outras regi�es da cidade, o Buritis cresceu sob a prote��o de leis antigas de ocupa��o e uso do solo, o que levou a uma explos�o populacional sem a mesma velocidade na implanta��o de infraestrutura urbana”, diz o prefeito.
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Falta de planejamento prejudica mobilidade urbana em BH
Satura��o de regi�es como a do Buritis apimenta discuss�o sobre o descompasso entre a expans�o imobili�ria e o planejamento vi�rio. Prefeitura garante que a legisla��o evoluiu
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