Rodrigo Augusto Prando
S�o Paulo
“N�o faz muito tempo, o presidente Bolsonaro substituiu Onyx Lorenzoni pelo general Braga Netto na Casa Civil. Enfim, o que j� se noticiava, o enfraquecimento de Lorenzoni, confirmou-se. Agora, outro militar, o almirante Fl�vio Rocha, assume a Secretaria Especial de Assuntos Estrat�gicos. A nomea��o de Rocha pode ser entendida como busca de melhor gest�o e racionalidade, em detrimento da ala ideol�gica e olavista do governo. A quest�o � que no tabuleiro da pol�tica h� poucos pol�ticos e uma satura��o de militares estrategistas e tal situa��o pode dificultar o j� combalido di�logo com o Congresso. H� que se destacar que aliados civis, como Bebbiano ou Hasselmann, foram defenestrados e se tornaram ‘potes de m�goas’. Sabidamente, pela origem e discurso, o presidente se sente � vontade junto � ala militar, al�m, obviamente, do n�cleo familiar. A reforma da Previd�ncia foi aprovada sem muito empenho do Executivo; todavia, na agenda encontram-se outras importantes reformas que depender�o, quer queiram ou n�o, de di�logo, negocia��o, ou seja, de pol�tica para transitar no Legislativo. Com um discurso quase sempre belicoso, Bolsonaro desprezou parlamentares e outros atores pol�ticos e sociais, restando, assim, militares e familiares. Um rompimento, por exemplo, com os militares, sem aliados e interlocutores, poderia levar o governo a uma crise dram�tica, cujos desfechos s�o imprevis�veis. Maquiavel, em O pr�ncipe, aduziu que ‘para o pr�ncipe, n�o � de pouca import�ncia saber escolher os seus ministros, os quais bons ou n�o conforme a sabedoria de que ele usou na escolha’. Maquiavel? Presente!”
