S�o Paulo, 15 - A proposta de dela��o premiada negociada pela defesa do ex-ministro Antonio Palocci com a for�a-tarefa da Opera��o Lava Jato tem cerca de 50 anexos tem�ticos. Al�m de incriminar o ex-presidente Luiz In�cio Lula da Silva, as revela��es aumentam o n�mero de empresas investigadas por corrup��o nos governos do PT e avan�a sobre o setor financeiro, al�m de ajudar a decifrar velhos esc�ndalos do governo, como o mensal�o.
R�u confesso da Lava Jato desde quarta-feira, 6, Palocci passou de homem forte dos governos Lula e Dilma Rousseff a inimigo n�mero 1 do PT, desde que revelou ao juiz federal S�rgio Moro que "Em�lio Odebrecht fez uma esp�cie de pacto de sangue com o presidente Lula".
Palocci deu detalhes de um encontro no final do governo de Lula, em 2010, que envolveu o acerto de R$ 300 milh�es colocados � disposi��o do PT e Lula pela Odebrecht e a garantia de uma "rela��o flu�da" da empresa com o governo Dilma. "N�o quero esconder nada."
Interrogado nesta quarta-feira, 13, Lula atacou duramente Palocci, a quem chamou de "simulador", na tentativa de desqualificar suas revela��es. Elas narram "um pacote de propinas" para o ex-presidente, que inclu�a a doa��o de um terreno para o Instituto Lula, de R$ 12 milh�es, um apartamento no pr�dio em que ele mora em S�o Bernardo do Campo, reformas no s�tio de Atibaia (SP), palestras a R$ 200 mil e os R$ 300 milh�es "� disposi��o para o presidente fazer sua atividade pol�tica".
Os anexos tem�ticos de Palocci - que servem de proposta das revela��es de crimes que o delator poder� fazer em troca de uma redu��o de pena - trazem mais dados sobre o envolvimento de Lula com a corrup��o na Petrobras e em outros neg�cios nos governos petistas de 2003 a 2016, como negocia��es por medidas provis�rias em troca de propinas, empresas ainda n�o citadas na Lava Jato e o envolvimento de bancos em irregularidades.
Primeiro petista do n�cleo duro de Lula a abrir o bico na Lava Jato, as revela��es feitas a Moro na a��o penal em que os dois s�o r�us pelo acerto com a Odebrecht de repasse do terreno para o Instituto Lula e do apartamento s�o apenas uma amostra do que Palocci pretende contar aos investigadores, se conseguir fechar a dela��o.
Reportagem da revista "Veja" cita anexo em que Palocci diz ter entregue valores de R$ 40 mil a R$ 50 mil a Lula.
As tratativas de dela��o come�aram h� tr�s meses, mas encontram resist�ncia entre membros da for�a-tarefa. Investigadores consultados admitem esperar mais provas de corrobora��o de Palocci, para que o acordo tenha validade.
As negocia��es ser�o fechadas, se a defesa conseguir o acordo, j� na gest�o da nova procurador-geral da Rep�blica (PGR), Raquel Dodge. Rodrigo Janot deixa o cargo no dia 17.
Questionado pela defesa de Lula sobre um acordo de dela��o, na audi�ncia com Moro, Palocci confirmou estar em tratativas com a Lava Jato.
A Moro, em sua primeira confiss�o na semana passada, Palocci avisou que tem muito mais a falar: "Os fatos desta den�ncia dizem respeito a um cap�tulo de um livro um pouco maior do relacionamento da Odebrecht com o governo do ex-presidente Lula e da ex-presidente Dilma, que foi uma rela��o bastante intensa, bastante movida a vantagens, a propinas pagas pela Odebrecht para agentes p�blicos, em forma de doa��o de campanha, de benef�cios pessoais, em forma de caixa 1 e caixa 2".
Benef�cios
Ex-ministro da Fazenda de Lula, coordenador da campanha de Dilma, em 2010, e chefe da Casa Civil em 2011, Palocci confessou seus crimes e indicou o envolvimento dos dois ex-presidente com os crimes de corrup��o na Petrobras, para trilhar - em paralelo �s negocia��es por dela��o - um caminho alternativo para reduzir sua pena.
O objetivo � deixar a cadeia e conseguir que Moro estipule um limitador dos anos de pris�o a cumprir. Preso desde outubro de 2016, em Curitiba, Palocci foi condenado em junho a 12 anos e 2 meses de pris�o em outro processo e � alvo ainda de outras investiga��es.
No pr�ximo m�s, Palocci completa um ano de cadeia, em Curitiba. A decis�o de confessar os crimes em ju�zo e incriminar Lula, busca uma via alternativa para redu��o de pena, como fizeram outros r�us da Lava Jato, diante da dificuldade de obter o acordo de dela��o com o Minist�rio P�blico Federal.
Em agosto, o ex-diretor de Servi�os da Petrobras Renato Duque, que tenta tamb�m uma dela��o com o MPF, trilhou o mesmo caminho. Confessou seus crimes e incriminou Lula. Moro reconheceu a colabora��o e limitou sua pena de pris�o em regime fechado a 5 anos - Duque era condenado j� a 50 anos. O empres�rio Jos� Aldem�rio Pinheiro, o L�o Pinheiro, ex-presidente da OAS, trilhou o mesmo caminho.
BTG
O banco BTG Pactual, j� investigado pela Lava Jato, desde 2015, � um dos bancos delatados por Palocci. H� mais de um anexo tem�tico relacionados a fatos que podem incriminar ainda mais o banqueiro Andr� Esteves.
Ele foi preso em novembro de 2015, junto com o ex-senador Delc�dio Amaral (ex-PT-MS), acusado de participar dos planos de compra do sil�ncio do ex-diretor da Petrobr�s Nestor Cerver�. Um m�s depois, ele foi colocado em pris�o domiciliar e em abril de 2016, teve a medida revogada. Ele nega envolvimento no esquema. O Minist�rio P�blico Federal pediu a absolvi��o do banqueiro no caso no in�cio de setembro por considerar que n�o h� provas de sua participa��o no esquema.
Al�m de falar sobre o suposto financiamento de atividades il�citas pelo banqueiro, Palocci trata da forma��o da empresa Sete Brasil, criada para construir as sondas de perfura��o mar�tima para explora��o do petr�leo do pr�-sal, que envolveu corrup��o na Petrobras, e teve o BTG como parte do neg�cio.
O petista fala ainda da ascens�o do banco nos governos do PT, sobre a participa��o em obstru��o de Justi�a e sobre seu envolvimento no esc�ndalo do mensal�o.
Para que tenham validade, os anexos precisam ser aceitos para que passem a ser discutidos formalmente e sejam tomados depoimentos, antes de apresentados para homologa��o na Justi�a - o que ainda n�o tem prazo para acontecer.
Defesas
Em nota, o advogado Cristiano Zanin Martins, defensor do ex-presidente Lula, declarou: "Palocci muda depoimento em busca de dela��o. O depoimento de Palocci � contradit�rio com outros depoimentos de testemunhas, r�us, delatores da Odebrecht e com as provas apresentadas.
Preso e sob press�o, Palocci negocia com o MP acordo de dela��o que exige que se justifiquem acusa��es falsas e sem provas contra Lula.
Como L�o Pinheiro e Delc�dio, Palocci repete papel de validar, sem provas, as acusa��es do MP para obter redu��o de pena.
Palocci compareceu ato pronto para emitir frases e express�es de efeito, como 'pacto de sangue', esta �ltima anotada em pap�is por ele usados na audi�ncia.
Ap�s cumprirem este papel, dela��es informais de Delc�dio e L�o Pinheiro foram desacreditadas, inclusive pelo MP."
A assessoria do BTG afirmou que "o BTG Pactual n�o vai comentar".
(Ricardo Brandt, Julia Affonso, Luiz Vassalo e Fausto Macedo)
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Proposta de dela��o de Palocci tem 50 anexos tem�ticos
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