
Rio – A mudan�a da embaixada brasileira em Israel de Telavive para Jerusal�m n�o � uma quest�o de “se”, mas sim de “quando”. A afirma��o foi feita pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, informou o israelense, em discurso durante encontro com a comunidade judaica, no Rio. Os dois se reuniram na capital fluminense na sexta-feira, primeiro dia da visita oficial de Netanyahu ao Brasil.
Nos pronunciamentos p�blicos de sexta-feira, ap�s um almo�o e uma reuni�o, e num evento numa sinagoga, Bolsonaro n�o tocou no tema da embaixada. A transfer�ncia da representa��o diplom�tica brasileira para Jerusal�m, um gesto de reconhecimento de que a cidade sagrada � a capital do Estado de Israel, foi promessa de campanha de Bolsonaro. A �ltima fez que o presidente eleito tocou publicamente no assunto foi num post no Twitter, em novembro.
Apesar do sil�ncio de Bolsonaro nos dois pronunciamentos, Netanyahu revelou a conversa de sexta-feira. “Ele (Bolsonaro) me disse que a transfer�ncia da embaixada n�o era uma quest�o de se, mas uma quest�o de quando”, afirmou o premier.
Segundo Netanyahu, a declara��o de Bolsonaro foi a mesma do presidente americano, Donald Trump, ap�s ser eleito, em 2016. Os Estados Unidos mudaram sua embaixada para Jerusal�m em maio deste ano. “Desde o tempo do rei Davi, Jerusal�m foi capital do nosso povo, manteve-se capital do nosso povo e permanecer� a capital unida e eterna do povo judeu”, disse o premier.
Em encontro com lideran�as crist�s brasileiras � tarde, Netanyahu disse que os evang�licos s�o os melhores amigos de Israel no mundo. Entre as lideran�as presentes no encontro estavam o cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta, Silas Malafaia (da Assembleia de Deus), o prefeito Marcelo Crivella (da Igreja Universal do Reino de Deus), e o governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, cat�lico, mas que diz se identificar com os evang�licos.
“N�o temos no mundo amigos melhores do que a comunidade evang�lica. E a comunidade evang�lica n�o tem amigo melhor do que o Estado de Israel. Voc�s s�o nossos irm�os e irm�s e n�s protegemos os direitos dos crist�os”, disse Netanyahu. O primeiro-ministro destacou que crist�os e judeus t�m tradi��es e heran�as comuns e que o cristianismo nasceu do juda�smo.
Em encontro com jornalistas brasileiros pela manh�, Netanyahu disse que o Brasil � um dos principais focos da pol�tica externa israelense e que, desde 2017, Israel tem buscado ampliar parcerias entre as grandes economias mundiais, como �ndia e China, e entre os pa�ses �rabes. “Pa�ses �rabes t�m buscado Israel porque eles t�m medo do Estado Isl�mico, do Ir�. Israel pode ser um aliado para eles”, disse.
TURISMO Antes dos encontros, no in�cio da manh�, Netanyahu visitou o P�o-de-A��car com Wilson Witzel. Depois, por volta das 18h, foi conhecer Cristo Redentor por volta das 18h. A visita causou tumulto entre turistas que se dirigiam ao Cristo, porque o acesso ao monumento foi interditado, por medida de seguran�a. Nem a imprensa foi autorizada a acompanhar o israelense. A previs�o inicial era de que Netanyahu faria esse passeio a partir das 19h, quando circula o �ltimo trem de acesso ao monumento. Mas ELE chegou antes, travando a circula��o dos demais visitantes. Netanyahu seria recebido pelo padre Omar Raposo, reitor do Santu�rio Cristo Redentor.
Netanyahu deve ficar no Rio durante a virada do ano e viajar para Bras�lia apenas amanh�, para acompanhar a posse de Bolsonaro.
Parlamentares criticam an�ncio
A inten��o do presidente eleito, Jair Bolsonaro, de mudar a embaixada do Brasil em Israel de Telavive para Jerusal�m gerou cr�ticas entre parlamentares de partidos ligados ao novo governo. Pelas redes sociais, pol�ticos disseram que a medida pode trazer efeitos econ�micos negativos para o pa�s e fazer com que o Brasil se torne alvo de terrorismo. A mudan�a, por outro lado, foi apoiada por defensores de Bolsonaro, como o senador Magno Malta (PR-ES).
O deputado Felipe Maia (DEM-RN) reagiu � pol�mica. “O Brasil est� mexendo com uma bomba armada, al�m do que, o Brasil � signat�rio de um acordo na ONU que estabelece que a capital de Israel � Telavive. Estamos chovendo no molhado”, escreveu o deputado em sua conta no Twitter, em resposta ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).
“Considero grave erro da diplomacia brasileira a op��o por lado na disputa �rabe-israelense. Temos hist�rico de boas rela��es multilaterais e dar prioridade a um pa�s em detrimento de outros pode trazer preju�zos econ�micos, al�m de risco de o Brasil virar foco do terrorismo”, declarou Nogueira na mesma rede social, no s�bado.
A proposta de Bolsonaro tamb�m foi criticada pela deputada estadual eleita Janaina Paschoal (PSL-SP), integrante do partido do presidente eleito e a mais votada em S�o Paulo. “J� tive oportunidade de dizer que transferir a embaixada brasileira para Jerusal�m � juridicamente justific�vel, na medida em que Israel � um Estado soberano. Por�m, por raz�es diversas, fico feliz que o presidente eleito esteja repensando a ideia. Respeitosamente”, disse Janaina, em refer�ncia a uma declara��o feita pelo presidente eleito no in�cio do m�s, quando afirmou que sua equipe estava conversando sobre como tomar a melhor decis�o.
APOIO Em contrapartida �s pondera��es, o senador Magno Malta divulgou uma s�rie de publica��es apoiando a inten��o de Bolsonaro. Evang�lico, Malta declarou que reconhecer Jerusal�m como capital de Israel faz “justi�a” ao pa�s e � o cumprimento de uma profecia. Em um dos v�deos publicados pelo parlamentar, Malta aparece ao lado de Bolsonaro em junho deste ano afirmando que a mudan�a seria efetivada se o capit�o fosse eleito.
Para o pastor Silas Malafaia, l�der da igreja Assembleia de Deus Vit�ria em Cristo, o apoio eleitoral da comunidade evang�lica a Bolsonaro s� ocorreu por causa do apoio do capit�o da reserva a Israel. Segundo o pastor, n�o haveria apoio da comunidade evang�lica a Bolsonaro sem a agenda pr�-Israel. “Nosso apoio a Bolsonaro � resultado de ele apoiar Israel”, afirmou Malafaia.
