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Estado de Minas POL�TICA

Pastor Everaldo organizou 'caixinha' de propinas, diz Procuradoria


28/08/2020 16:57

Preso nesta sexta, 28, o pastor Everaldo Dias Pereira organizou uma "caixinha" abastecida por propinas que era dividida com o governador do Rio, Wilson Witzel. Al�m disso, ele tamb�m tentou "alinhar discurso" com o delator e ex-secret�rio de Sa�de do Rio Edmar Pereira para obstruir as investiga��es.

As acusa��es constam na decis�o do ministro Benedito Gon�alves, do Superior Tribunal de Justi�a, que autorizou a pris�o de Everaldo nesta sexta, 28, e na representa��o enviada pela subprocuradora-geral Lind�ra Ara�jo � Corte. Segundo as investiga��es, Everaldo lidera "um dos grupos criminosos influentes nos Poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro".

"� luz dos elementos colhidos at� o momento, observa-se que Pastor Everaldo instituiu uma esp�cie de 'caixinha �nica' para pagamentos de vantagens indevidas a agentes p�blicos da complexa organiza��o criminosa sob investiga��o, a partir do direcionamento de contrata��es de organiza��es sociais e na cobran�a de um 'ped�gio' sobre a destina��o dos 'restos a pagar' aos fornecedores, criando uma t�pica estrutura sofisticada e perene e com detalhada divis�o de tarefas", apontam os investigadores.

Para "administrar" a caixinha, Everaldo teria criado uma "t�pica estrutura ramificada de organiza��o criminosa, com divis�o de tarefas entre os demais integrantes do grupo". A divis�o dos repasses foi institu�da da seguinte forma: 30% dos valores seriam para Edmar Santos, 20% para Witzel, 20% para o pr�prio Pastor Everaldo, 15% para Edson da Silva Torres e 15% para Victor Hugo Barroso, apontados respectivamente como operadores administrativo e financeiro do pastor.

O Pastor Everaldo, segundo a Procuradoria, tamb�m tentou "alinhar o discurso" com Edmar Santos ap�s sua sa�da do governo, em maio deste ano, em meio �s den�ncias de fraudes na licita��o para a compra de respiradores no valor de R$ 3,9 milh�es. O objetivo do di�logo, segundo o MPF, seria criar uma vers�o que justificasse os atos il�citos praticados pela organiza��o criminosa.

"Por volta do dia 19 e 20 de maio, o colaborador foi chamado � sede do PSC por Pastor Everaldo e, l� chegando, tamb�m estava presente Victor Hugo. Eles estavam preocupados com uma poss�vel dela��o de Gabriell Neves, que j� estava preso naquele momento", afirma a Procuradoria, citando dela��o de Edmar Santos. "Pastor Everaldo informou a necessidade de um alinhamento dos discursos, indicando por exemplo a cria��o de um �libi para o colaborador historiar a sua rela��o com Edson Torres, entre outras narrativas".

Edson Torres era o operador administrativo de Everaldo, segundo o MPF, e operava empresa chefiada por um "laranja" para obter ganhos il�citos para o pastor. Um dos contratos teria sido firmado com o DER/RJ.

Edmar Santos tamb�m delatou que, no dia em que foi exonerado, um dos filhos do Pastor Everaldo, Filipe Pereira, o procurou por telefone. "O colaborador n�o chegou a falar com Filipe Pereira. Ap�s cessarem as liga��es de n�meros conhecidos, passaram a ocorrer enxurradas de liga��es de n�meros desconhecidos, de origens diversas", aponta trecho da dela��o de Edmar mencionada na decis�o judicial.

"O colaborador Edmar Santos ainda asseverou dois aspectos que chamam a aten��o: as afirma��es de Pastor Everaldo de que todas as quest�es do grupo que comanda terem o aval do governador Wilson Witzel e o fato ocorrido previamente � deflagra��o da assim chamada "Opera��o Placebo", referente a R$ 15.000.00 em esp�cie de posse de Pastor Everaldo, que teriam sido entregues pelo governador a ele ante o temor de buscas e apreens�es no Pal�cio Laranjeiras", apontam os investigadores.

O delator j� havia dito � PGR ter sido amea�ado per�odo em que esteve preso no Batalh�o Especial Prisional de Niter�i, antes de acertar o acordo de dela��o e deixar a cadeia. Segundo Edmar Santos, um homem que se apresentou como "tenente Cabana", que seria ligado ao Pastor Everaldo, o abordou para recomendar uma troca de advogado, a fim de que ele n�o fosse abandonado pelo "grupo". Santos interpretou o aviso como amea�a para que ficasse calado.

Nome forte e influente no Rio, o MPF aponta que Pastor Everaldo "comanda v�rias contrata��es e or�amentos na CEDAE, no DETRAN e na pasta da Sa�de" fluminense "como se propriet�rio fosse". A suposta organiza��o criminosa conta "sofisticada teia de rela��es" que envolve pessoas f�sicas e jur�dicas.

O operador do esquema do pastor seria Victor Hugo Barroso, respons�vel pela contabilidade paralela, coopta��o de agentes p�blicos e privados e indica��o de organiza��es sociais que deveriam ser contratadas pelo governo.

A Procuradoria tamb�m aponta que Victor Hugo Barroso teria contado com um "informante" preso na mesma cela de Gabriell Neves, subsecret�rio-executivo da Sa�de no Rio, para monitor�-lo caso "entrasse em desespero e resolvesse falar sobre os esquemas". Teria sido o grupo do pastor o respons�vel pela sua indica��o ao cargo no governo.

Os pagamentos de propinas coordenados por Victor Hugo Barroso a Edmar Santos, segundo as investiga��es, foram realizados por meio de quantias em dinheiro, entrega de cart�o de cr�dito pago por terceiros e custeio de uma viagem particular. O operador tamb�m � acusado de manter offshores no exterior e declarar seu endere�o de resid�ncia em Montevid�u, no Uruguai.

Dois filhos de Everaldo, Filipe e La�rcio Pereira, tamb�m presos nesta sexta foram acusados de integrar o esquema por meio de "v�rias pessoas jur�dicas e sociedades com outros membros da organiza��o". Filipe era assessor de Witzel.

"A empresa EDP Corretora de Seguros, que tem como s�cios Pastor Everaldo e os filhos, La�rcio Pereira e Filipe Pereira, realizou dezenas de dep�sitos em esp�cie, em valor fracionado, de modo a dissimular o total da movimenta��o, em atividade t�pica de lavagem de capitais", aponta o Minist�rio P�blico Federal.

Outra transa��o suspeita envolvendo a fam�lia de Everaldo � referente � compra de um im�vel por R$ 400 mil quando avalia��o fiscal apontava que o valor real seria tr�s vezes superior. Parte do pagamento, cerca de R$ 35 mil, teria sido feito em esp�cie.

COM A PALAVRA, O PASTOR EVERALDO
O Pastor Everaldo sempre esteve � disposi��o de todas as autoridades e reitera sua confian�a na Justi�a.


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