Carnaval é sinônimo de alegria, encontro com amigos e rua cheia. Mas, para muita gente, a folia também aumenta ansiedade, angústia e desconforto com aglomeração. Quando isso se mistura ao consumo maior de álcool e à quebra de rotina, cresce o risco de decisões no impulso, e esse cenário pode funcionar como gatilho para outros vícios, inclusive apostas online.
O psicólogo Leonardo Teixeira, que atua no tratamento de vícios, explica que o jogo não atrai apenas pela promessa de dinheiro, ele ativa o cérebro pelo prazer do risco, da adrenalina e da recompensa. “Quando a pessoa está mais impulsiva, ela tende a buscar recompensas rápidas, e a aposta entra como um atalho perigoso”, afirma.
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Por que o carnaval “puxa” esse comportamento
Segundo Leonardo, muitos vícios funcionam como válvula de escape emocional. A pessoa tenta fugir de um incômodo interno e busca alívio rápido, mesmo que o custo venha depois. “Não é sobre o dinheiro em si. É sobre tentar regular a emoção com algo que dá sensação imediata de alívio”, explica.
De acordo com o psicólogo, vale observar três sinais que costumam aparecer quando a aposta deixa de ser brincadeira e vira problema:
- Perder a noção do valor do dinheiro
- Mentir para sustentar o comportamento
- Entrar no “só mais uma que agora vai”
No caso das apostas, esse ciclo costuma ser silencioso, porque tudo acontece no celular, e só explode quando aparecem dívidas, estresse e ansiedade. O especialista reforça um ponto que muita gente ignora: tratar só a consequência, como dívida e vergonha, costuma falhar. O foco precisa ir na raiz emocional e nos gatilhos que empurram a pessoa para a aposta.
3 cuidados para proteger sua saúde mental na folia
Para curtir o carnaval sem se perder no impulso, o psicólogo recomenda três cuidados:
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Respeite o limite do corpo
Se você percebe sinais de exaustão, irritação, ansiedade ou vontade de “apagar” emoções, pare. Corpo no limite vira mente no impulso.
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Faça pausas curtas ao longo do dia
Carnaval não é prova de resistência. Uma pausa para respirar, comer e se hidratar reduz a chance de decisão por impulso.
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Tenha horários e um mini cronograma
Defina hora para sair, voltar, dormir e se reorganizar. Rotina mínima evita o “depois eu vejo” que vira gatilho.
Se apostar já é um gatilho, vale ter um cuidado extra
Leonardo lembra que, quando a vontade de apostar aparece, o cérebro procura uma recompensa rápida. Por isso, ajuda ter outras formas de aliviar tensão e sentir prazer que não envolvam o celular.
Na prática, ele sugere escolhas simples que ocupam o tempo e dão sensação de bem-estar, como uma caminhada leve, um banho demorado, um filme, leitura ou combinar algo com alguém. E tem um detalhe importante: ficar no tédio e com o celular na mão costuma aumentar o risco.
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Um caminho bem direto é deixar a aposta menos acessível:
- Tire apps de aposta da tela inicial e saia da conta. O Governo Federal permite que você faça a autoexclusão dos sites de apostas.
- Bloqueie notificações e links que te puxam para o jogo
- Combine com alguém de confiança um “me chama aqui” quando bater o impulso
