Ruídos nos bastidores sobre uma possível disputa interna no grupo do vice-governador Mateus Simões (PSD) levaram aliados a reforçar, nos últimos dias, a coesão do projeto eleitoral em Minas Gerais. Pessoas próximas ao vice rebatem a leitura de que o secretário de Casa Civil, Marcelo Aro (PP), estaria se movimentando para ocupar espaço além da pré-candidatura ao Senado ou para se credenciar como alternativa ao governo do estado.

Segundo interlocutores, não há qualquer articulação nesse sentido. O entorno sustenta que Aro segue como o nome de confiança do grupo para a disputa ao Senado e permanece plenamente integrado à estratégia eleitoral liderada por Simões, com respaldo do núcleo político que coordena a pré-campanha.

Superado esse ponto, o movimento que de fato destravou o cenário eleitoral mineiro veio de outro front. O marco foi a declaração do presidente estadual do PSD, Cássio Soares, ao Estado de Minas. Ele afirmou que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, não será candidato ao Senado pela legenda.

A sinalização, que até então parecia óbvia, oficializou o início da corrida e chegou ao Planalto, entrando na pauta de uma reunião do presidente Lula (PT). Nos bastidores, Soares foi direto ao justificar a posição. Segundo ele, não faria sentido o PSD lançar um candidato ao Senado com apoio do presidente da República, já que o projeto em Minas está estruturado em um palanque de direita. Com Mateus Simões na disputa pelo governo e Marcelo Aro como aposta ao Senado, não haveria espaço político para uma candidatura alinhada ao Planalto.

A declaração reduziu o espaço de Silveira dentro do partido. Dirigentes admitem, de forma reservada, que o ministro avalia deixar o PSD e considera alternativas como o PSB ou o União Brasil. Pessoas próximas a Silveira, no entanto, afirmam que nenhuma decisão foi tomada até o momento.

Aliados avaliam que o impasse é essencialmente político. Para viabilizar uma candidatura ao Senado, Alexandre Silveira depende do apoio de Lula, que, até agora, não sinalizou preferência por nenhum nome para a Casa Alta em Minas.

Desde então, o ministro intensificou agendas no interior, ampliou articulações regionais e passou a dialogar com diferentes siglas, em um movimento para manter seu projeto eleitoral fora do PSD. A ofensiva elevou a temperatura política e alimentou leituras, nos bastidores, sobre possíveis reações ao grupo do vice-governador, interpretação tratada com cautela por aliados de Simões.

No campo alinhado ao governo federal, Silveira disputa espaço com a prefeita de Contagem, Marília Campos, que recebeu apoio formal do PT estadual para uma das duas vagas ao Senado. O aval, porém, não inclui o endosso direto de Lula. Nesta semana, também em entrevista ao EM, Marília afirmou que trabalha para conquistar o apoio do presidente.

Na prática, Silveira e Marília disputam o mesmo ativo político: o eventual apoio de Lula, que segue em aberto.

Situação semelhante enfrenta o senador Rodrigo Pacheco. Também egresso do PSD, ele avalia uma troca de legenda diante da incompatibilidade entre um projeto estadual de direita e uma eventual candidatura alinhada ao governo federal. Pacheco mantém conversas com diferentes partidos.
Nesse contexto, ganham peso as articulações fora do PSD. A visita do presidente nacional do PTB, João Campos, prevista para esta segunda-feira (2/2) a Belo Horizonte, é vista por interlocutores como mais um movimento capaz de reaquecer negociações e reposicionar atores no tabuleiro eleitoral mineiro.


Nova casa?

No entorno do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, circula nos bastidores a especulação de que a vinda do prefeito do Recife, João Campos, a Belo Horizonte nesta segunda (2) teria relação direta com ele. Há quem levante a hipótese, inclusive, de que a agenda serviria para tratar de uma eventual filiação de Silveira ao PSB. Segundo apurou a coluna, porém, não há qualquer definição ou confirmação nesse sentido até o momento.


Assembleia

A reunião de líderes marcada para terça-feira (3/2) deve balizar os primeiros movimentos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais para 2026. Segundo apurou a coluna, a avaliação interna é de que o este ano tende a ser mais “morno”, em razão do calendário eleitoral. No campo ideológico da Casa, a prioridade seguirá concentrada em projetos ligados à pauta de costumes. Já do lado do governo, ao menos por enquanto, está fora do radar a intenção de avançar com a privatização da Cemig. Na oposição, nenhuma estratégia foi formalizada até o momento. A decisão é aguardar o desfecho da reunião para, a partir daí, desenhar um plano mais claro de atuação.


Novo

A candidatura de Marco Antônio “Superman” pelo Novo já é tratada como definida nos bastidores do partido. O radialista vinha sendo cotado anteriormente pelo PL, mas não conseguiu reunir apoio interno para viabilizar a filiação ou a candidatura. No Novo, o cenário foi outro. Ele passou a receber apoio formal de lideranças da legenda, que atuam na consolidação do seu nome para 2026. Entre os apoiadores, está o deputado federal Marcel van Hattem, um dos principais quadros do partido no Congresso.

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Comunista

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) lançou, nessa sexta-feira (30/1), a pré-candidatura do professor Túlio Lopes ao governo de Minas Gerais. A atividade foi realizada às 19h, na sede do Sind-UTE (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação) de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

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