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OSCAR-2026

Filme 'Sonhos de trem' aborda o sentido da vida (ou a falta dele)

Tristeza, melancolia e beleza se cruzam no filme de Clint Bentley, que disputa cinco Oscars, entre eles o de fotografia, a cargo do brasileiro Adolpho Veloso

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“Sonhos de trem”, de Clint Bentley, indicado ao Oscar 2026 em cinco categorias – incluindo Melhor Fotografia, assinada pelo brasileiro Adolpho Veloso –, é capaz de acessar camadas de tristeza a uma profundidade abissal. Haja estoicismo para não se deixar afundar na espiral descendente que o longa estabelece, de forma mais vertiginosa, a partir de um certo momento.

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Disponível na Netflix, ele também disputa as estatuetas de Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Som e Melhor Canção Original.

Trata-se de uma obra triste, sim, mas também de rara beleza, construída com esmero. A história, cheia de elipses, acompanha a vida de Robert Grainier. O personagem, interpretado de forma intensa por Joel Edgerton (atuação que justificaria tranquilamente sua indicação como Melhor Ator), é apresentado, de início, como uma criança que não conheceu os pais biológicos e que cresce e vive, na aurora do século 20, no Oeste dos Estados Unidos, entre montanhas e florestas imponentes.


Toada contemplativa


Grainier tem existência opaca, moldada pelo que o cerca – a natureza, o trabalho como madeireiro que constrói ferrovias, os deslocamentos em função desse ofício e a companhia silenciosa e quase invisível de seus pares na lida.

A primeira parte do filme segue numa toada contemplativa, como que a acompanhar o vazio do personagem, amplificado pelas vastidões a seu redor. Um encontro fortuito, contudo, irá, como ele mesmo diz, dar sentido à sua vida.

Entretanto, uma série de episódios violentos e traumáticos, que culminam em tragédia pessoal, vão lhe tirar esse sentido da vida e mudar a chave para a segunda parte do longa. O vazio agora se torna agonia, e aí, então, é preciso chegar aos minutos finais do filme para que tristeza e desalento profundos regridam para a melancolia resignada.

Tudo é conduzido com contenção. Não foram poucas as críticas que evocaram o cinema de Terrence Malick para falar de “Sonhos de trem”.

 

O longa de Bentley brilha, literalmente, na maior parte do tempo, ao contrapor a exuberância das paisagens e da natureza à sombra que habita o interior de Grainier.

Inversamente, os momentos luminosos da trama, em que a felicidade brota, se passam na penumbra do barraco que ele construiu à beira de um lago para viver com a mulher e a filha. Essa sacada, um trunfo subjacente do filme, é, decerto, o que sustenta sua indicação ao Oscar de Melhor Fotografia.

Em entrevistas recentes, o diretor de fotografia Adolpho Veloso disse que optou pelo uso exclusivo da luz natural para aproximar o espectador dos personagens. A ideia foi construir a fotografia a partir da luz que as pessoas estão acostumadas a ver no cotidiano, evitando a sensação de artificialidade.

 Brasileiro Adolpho Veloso exibe o troféu do prêmio Critics Choice de fotografia
Indicado ao Oscar, Adolpho Veloso ganhou o Critics Choice Awards Michael Tran/AFP
 

Paulista de família mineira, Veloso conquistou, em janeiro, o Critics Choice Awards de Melhor Fotografia, concedido por críticos de cinema e TV dos EUA.

Com efeito, a verdade e a humanidade, ainda que carregada de introspecção, pulsam nos personagens com a força necessária para provocar empatia.

"Sonhos de trem" se eleva, ainda, por conseguir, de modo tangencial ao drama do protagonista, abordar diversas questões que, inseridas no contexto de mais de um século atrás, seguem reverberando na atualidade. Uma delas é o progresso acelerado: todo o esforço para a construção da ferrovia que atravessa um desfiladeiro se mostrará vão quando, pouco tempo depois, a rodovia surge logo ali ao lado, condenando os trilhos à obsolescência – uma analogia com o avanço tecnológico que atropela?

Desmatamento e xenofobia

Outro pano de fundo diz respeito à questão ambiental. Nos poucos diálogos e reflexões dos madeireiros entre uma empreitada e outra, surge certo sentimento de culpa pela derrubada incessante de grandes árvores centenárias, além da preocupação sobre como a natureza reagirá a isso. E ela efetivamente reage, no que são pontos-chaves do filme, mas também no que parece ser uma provocação do diretor sobre o desmatamento desenfreado.

Outro comentário subjacente de “Sonhos de trem” trata, em dois momentos, da intolerância xenofóbica e racista entranhada na formação da sociedade estadunidense.

Grainier vê, impotente, um imigrante chinês ser assassinado por outros trabalhadores da ferrovia sem qualquer motivo aparente. Um homem negro, em um acerto de contas, atira no madeireiro branco, que prega a Bíblia o tempo inteiro, e justifica que ele matou seu irmão apenas pela cor da pele.

Trajetória

“Sonhos de trem” estreou no festival norte-americano de Sundance em 26 de janeiro de 2025. Foi lançado em algumas salas dos EUA em novembro, poucos dias antes de chegar à Netflix.

O filme recebeu aclamação da crítica, com elogios à direção de Clint Bentley e à atuação de Joel Edgerton, além de ter sido nomeado um dos 10 melhores de 2025 pelo National Board of Review e pelo American Film Institute. Por sua atuação, Edgerton foi indicado ao Globo de Ouro.

O elenco conta também com Felicity Jones, Nathaniel Arcand, Clifton Collins Jr., John Diehl, Paul Schneider, Kerry Condon e William H. Macy.

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“SONHOS DE TREM”


EUA, 2025, 104min. De Clint Bentley. Com Joel Edgerton, Felicity Jones e William H. Macy. Disponível na plataforma Netflix.

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