A HBO Max exibe “Mel Brooks: O homem de 99 anos”, documentário em duas partes sobre a vida e carreira do comediante Mel Brooks. Dirigido pelo humorista e diretor Judd Apatow (“O virgem de 40 anos”) e Michael Bonfiglio, o filme traz depoimentos de fãs e dos colegas Jerry Seinfeld, Rob Reiner, David Lynch, Adam Sandler, Sarah Silverman e Dave Chappelle, além de entrevista com Brooks, que, aos 99 anos, repassa sua longa e fascinante vida, iniciada na décadq de 1920 no Brooklyn, em Nova York.

A palavra “ícone” é usada sem muita parcimônia hoje em dia, mas a verdade é que se Mel Brooks não é uma figura icônica do humor mundial, então nenhum ser humano vivo é. Nascido Melvin Kaminsky em 28 de junho dee 1926, ele tem carreira de 75 anos, iniciada em 1950 quando ganhou o emprego de roteirista no programa de TV “Your show of shows”, apresentado pelo amigo e ídolo Sid Caesar.


Egot

Mel Brooks está no seletíssimo “grupo Egot” de 27 artistas que ganharam os principais prêmios do cinema, teatro, TV e música: Emmy, Grammy, Oscar e Tony. Ele foi criador, junto de Buck Henry (roteirista de “A primeira noite de um homem”), da série de TV “Agente 86” (1965-1970). Com Carl Reiner, criou o esquete cômico “O homem de dois mil anos”, cujos discos fizeram imenso sucesso comercial.

Mas foi no cinema que Mel Brooks realmente se tornou ídolo mundial. Seu primeiro filme, “Primavera para Hitler” (1967), acompanha um produtor teatral (Zero Mostel) e um contador (Gene Wilder) que resolvem montar a pior peça de teatro do mundo: um musical sobre a vida de Adolf Hitler.

O plano é aplicar um golpe ao contratar seguro contra o fracasso do espetáculo. O filme foi inicialmente um fiasco de bilheteria, até que o humorista Peter Sellers, astro de
“A Pantera Cor-de-Rosa”, se encantou tanto pela obra que decidiu pagar do próprio bolso anúncio afirmando que “Primavera para Hitler” era “uma das melhores comédias de todos os tempos”. A adesão de Sellers mudou a opinião pública, e Mel Brooks acabou vencedor do Oscar de Melhor Roteiro.

Mas foi em 1974 que Brooks realmente explodiu no cinema ao dirigir, no mesmo ano, as duas comédias mais populares do período: “Banzé no Oeste” e “O jovem Frankenstein”. O primeiro era um visionário e criativo faroeste sobre racismo, escrito com o genial comediante Richard Pryor, sobre o xerife negro (Cleavon Little) que chega a uma cidade branca e racista no Velho Oeste. Já o segundo era uma paródia dos filmes de terror da Universal dos anos 1930, lindamente filmado em preto e branco.

O documentário da HBO Max analisa os dois filmes detalhadamente. A conclusão é de que são duas obras-primas que mudaram o cinema de comédia para sempre: “Banzé no Oeste” com sua metalinguagem inovadora e o uso de um gênero clássico do cinema hollywoodiano para falar de racismo, e “O jovem Frankenstein” como tributo carinhoso ao cinema fantástico, que inspirou o cinema paródico dos anos 1980 de filmes como “Apertem os cintos, o piloto sumiu” e “Corra que a polícia vem aí”.


Independente e visionário

Criador visionário, Mel Brooks sempre foi antagonista de Hollywood e artista independente, que produziu os próprios trabalhos e não aceitava imposições criativas. Ele se recusou a fazer os cortes exigidos pela distribuidora Warner Bros. em “Banzé no Oeste”. E bancou “O Homem-Elefante”, de David Lynch, simplesmente porque acreditava no talento do diretor e na qualidade da história.

É bonito ver Mel Brooks, aos 99 anos, refletindo sobre sua vida e legado. Ele fala com carinho da esposa, a grande atriz Anne Bancroft, com quem foi casado de 1964 até a morte dela, em 2005, e relembra amigos e parceiros que também já se foram, como Sid Caesar, Carl Reiner e Gene Wilder. Prestes a completar um século de vida, Mel Brooks é o último remanescente da época de ouro da comédia e merece todas as homenagens.A

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

“MEL BROOKS: O HOMEM DE 99 ANOS”
EUA, 2026. Documentário de Judd Apatow e Michael Bonfiglio. Disponível na HBO Max

compartilhe