O projeto Sonora - Festival Internacional de Compositoras promove, nesta segunda-feira (2/2), no Palácio das Artes, roda de samba formada só por mulheres. A apresentação reúne as cantoras Adriana Araújo, Dona Eliza, Elisa de Sena, Fran Januário e Manu Dias, e as instrumentistas Analu Braga, Bia Nascimento, Cissa do Cavaco, Mônica Santos, Nanda Bento e Thamiris Cunha.

Intitulada “Sonora Samba”, a roda aquece o público para o Carnaval, reforça o protagonismo feminino na cena local e marca os 10 anos de criação do Sonora - Festival Internacional de Compositoras, iniciativa da artista Deh Mussulini que hoje se constitui numa rede global presente em 16 países.

O repertório que será apresentado destaca as composições de Dona Eliza, integrante da Velha Guarda do Samba de Belo Horizonte, com 59 anos de carreira e mais de 700 músicas registradas, mas também traz canções feitas ou tornadas célebres por cantoras da MPB.

O roteiro inclui, entre outras, “Zé do Caroço”, de Leci Brandão, “Cabide”, gravada por Mart'nália, “Não deixe o samba morrer”, eternizada por Alcione, e outras músicas famosas nas vozes de Clara Nunes e Luedji Luna, por exemplo.

Deh Mussulini destaca que foi a própria Dona Eliza quem expressou o desejo de cantar seu repertório autoral. “Isso é muito legal, porque vai justamente ao encontro dos propósitos do Sonora, de promover e legitimar a presença da mulher compositora”, diz.


Edições temáticas

Ela comenta que, desde o ano passado, já vinha acalentando a ideia de fazer uma roda de samba só com mulheres. “É um gênero que está muito forte em Belo Horizonte e no Brasil, de modo geral. Surgiu essa data no Palácio das Artes, justamente nesse período de pré-Carnaval, então tudo conspirou a favor. Juntou tudo, o momento, o espaço, a questão da visibilidade das compositoras.”

Deh observa que, apesar de o roteiro reservar espaço generoso para a obra de Dona Eliza, algumas das outras cantoras, como Adriana Araújo, Manu Dias e Elisa de Sena também compõem. Ele destaca que as mulheres representantes do samba em Belo Horizonte estão na ativa há muitos anos.

“O que mudou, ao longo da última década, é que elas passaram a ter mais visibilidade; desfrutam, atualmente, de mais espaço. Surgiram novas compositoras, e as que já estavam atuando foram legitimadas, passaram a se mostrar mais”, diz.

Isso se deve, na opinião da organizadora do festival, em parte, a iniciativas como o Sonora, que, ao longo desse percurso de 10 anos obteve muitas conquistas. “Vou começar um mestrado justamente sobre isso, o impacto do Sonora a partir de dados concretos. Temos um apanhado da arrecadação por mulheres compositoras e ela vem aumentando. Ainda é muito abaixo do que os homens compositores arrecadam, mas já evidencia uma mudança de cenário”, diz.

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“SONORA SAMBA”
Nesta segunda-feira (2/2), às 19h30, no Grande Teatro Cemig do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro - fone: 3236-7400). Ingressos a R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), à venda pelo link.

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