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VIVA A AMÉRICA LATINA

Tempero a gente tem! Veja onde degustar pratos latino-americanos em BH

Apresentação do porto-riquenho Bad Bunny no Super Bowl, no último domingo (8/2), levou a região a um espaço de protagonismo, sobretudo na cena cultural

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São muitos os eventos que levaram a esse destaque que a região latino-americana vem ganhando nos últimos dias. Um dos fatores que resultou nesse burburinho em torno da América Latina nos últimos dias, é, justamente, a reversão dessa ordem com o sucesso estrondoso do cantor Bad Bunny.

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Nascido em Porto Rico, Benito Antonio Martínez Ocasio é filho de um caminhoneiro com uma professora de inglês. Hoje, aos 31 anos, é um dos grandes nomes da música mundial – prova disso é o fato de, no último domingo (8/2), ter se apresentado no intervalo do Super Bowl, a final da liga de futebol americano, nos Estados Unidos.

Com a performance que, por sinal, atraiu mais de 128 milhões de espectadores e rendeu críticas do presidente estadunidense Donald Trump, Bunny exaltou a América Latina – e colocou os Estados Unidos ao lado dos demais países do continente.

Aproveitamos esse momento para trazer, a seguir, uma seleção de estabelecimentos e personagens latinos que estão em Belo Horizonte e nos alimentam com suas histórias. Eles provam que comida é muito mais que subsistência; é também resistência, cultura e política. Confira:

Cafeteria

As almojábanas são receita do pai de Juan Hoyos
As almojábanas são receita do pai de Juan Hoyos Juan Hoyos/Divulgação

O colombiano Juan Hoyos chegou a Belo Horizonte em 2020, depois de conhecer sua mulher belo-horizontina, Marília Hoyos, em Cartagena, cidade caribenha na Colômbia. Para viver ao lado da amada, mudou-se para cá.

Desde o início dessa aventura, a ideia era investir em uma padaria colombiana. “Minha mulher falou que não conhecia muitas pessoas que trabalhavam com pães colombianos em BH”, conta o chef.

Assim, enxergando essa brecha no setor de alimentos, os dois resolveram investir nisso – aproveitando também os conhecimentos que Juan já havia adquirido no país natal, onde seu pai teve uma padaria. Com o serviço de entrega e encomendas, a Pan Bono, que hoje leva o nome de Juan Hoyos, conquistou os belo-horizontinos.

O resultado do sucesso dos cinco anos de trabalho com delivery será coroado com a inauguração da cafeteria Juan Hoyos, no Bairro Santo Antônio, Região Centro-Sul de BH, que deve ocorrer no fim da próxima semana.

O espaço vai servir, além de pães, arepas e outras comidas tradicionais da Colômbia – que já apareceram no menu do delivery – e bebidas que remetem ao país. Um exemplo disso é a Aguapanela (R$ 9), que é uma bebida tradicional de lá, feita com rapadura dissolvida em água.

A própria limonada de coco (R$ 18), que mistura limões, leite de coco e coco seco, também está entre as heranças que Juan apresenta de sua terra. Outro destaque colombiano é a avena (R$ 14), bebida gelada feita com leite, aveia, açúcar e especiarias.

Clássicos

As arepas, muito tradicionais em países como Venezuela e Colômbia, são pãezinhos de milho que, na versão de Juan Hoyos, podem ser recheados com queijo (R$ 18), ovo (R$ 18) ou carne (R$ 25).

Um dos itens que faz sucesso por lá, e que é uma receita do pai de Juan, são as almojábanas. Elas são uma espécie de pão de queijo colombiano, feitas com farinha de milho e queijo fresco. Na loja física, elas vão aparecer em combos como a Cestinha Bogotá (R$ 27), que vai conter 2 buñuelos (bolinhos fritos), 1 almojábana, 1 pandebono (pão com farinha de mandioca e queijo), 1 café ou suco e 1 chocolate.

Hojaldres, uma massa folhada que reveste diversos preparos da casa, também atrai o paladar dos brasileiros. Ela é resultado de pesquisa e dedicação de Juan, que chegou ao ponto ideal, sem muita gordura. O palito de queijo, que será vendido a R$ 14 na loja, por exemplo, é composto por ela.

Casa Latina

Fundada por brasileiros, a Casa Gabo, localizada na Região da Savassi, mescla diferentes culturas em um único menu. A proposta da casa é enaltecer a cozinha, cultura e coquetelaria latino-americanas – além de contar com serviço de cervejarias belo-horizontinas. Quem assina esse menu é a chef Ornela Mattos, que coleciona passagens por casas como Cozinha Tupis e Florestal.

O Carnitas da Casa Gabo combina cupim desfiado com picles de cebola roxa, salsa macha (condimento de pimentas com óleo vegetal), guacamole e tortilhas
O Carnitas da Casa Gabo combina cupim desfiado com picles de cebola roxa, salsa macha (condimento de pimentas com óleo vegetal), guacamole e tortilhas Magê Monteiro/Divulgação

Entre as opções do cardápio, destacam-se os patacones. Esse petisco feito com banana-da-terra verde prensada e frita é comum em diversos países latinos, a exemplo de Venezuela, Colômbia e Equador. Na Casa Gabo, eles são acompanhados de pico de gallo, molho mexicano com tomates, cebola, e outros vegetais; creme de avocado; e salsa macha, um condimento mexicano picante. O petisco ideal para compartilhar custa R$ 52.

A carne de porco e de galinha, que nos são muito familiares, aparecem com recorrência no cardápio da casa que, diga-se de passagem, carrega o apelido de Gabriel García Márquez, Gabo, em seu nome. O espeto de sobrecoxa com mole negro (molho mexicano com cor preta intensa que leva, inclusive, chocolate em sua composição) e picles de maxixe (R$ 55) comprova isso.

Já o Carnitas (R$ 92) é uma opção com carne de boi. Combina cupim desfiado com picles de cebola roxa, salsa macha (condimento de pimentas com óleo vegetal), guacamole e tortilhas.

Viva as empanadas

A culinária argentina já está um pouco mais enraizada em nós, brasileiros. É fato que não nos damos muito bem com os hermanos no futebol, mas, ao menos na gastronomia, não há como diminuir ou ignorá-los.

Gastón Almada mostra isso desde que chegou ao Brasil, em 2015. Inicialmente em Brasília e, a partir de 2016 na capital mineira, ele trabalha com preparos argentinos que, por vezes, fogem do senso comum. As carnes, por exemplo, não compõem o menu de seu restaurante, o Massa Madre, no Prado, bairro na Região Oeste de BH. “Quando cheguei aqui lidei com um público mais exigente que o de lá, mas os mineiros me acolheram de um jeito maravilhoso”, destaca.

As empanadas são o forte do restaurante. Ao todo, são 20 sabores divididos entre doces e salgados.

Há duas versões que são receitas da mãe de Gastón: a Portenha (R$ 14), com carne moída, ovo cozido, azeitonas verdes, cebola e cominho; e a recheada com creme de espinafre ovo cozido, pimentão vermelho, cebola, queijo muçarela, pimenta-do-reino e noz moscada (R$ 14).

Para os mineiros orgulhosos, a casa também serve versões da iguaria argentina inspiradas no estado. A Mineira (R$ 15) é aberta e recheada com linguiça na cachaça, muçarela e ovo de codorna. Fechada, a empanada de copa lombo com jiló curado, queijo e especiarias é quase uma ode à Minas Gerais.

Além delas...

A parmegiana tradicional argentina do Massa Madre é assada, não frita
A parmegiana tradicional argentina do Massa Madre é assada, e não frita Massa Madre/Divulgação

As estrelas do menu abrem espaço para outros pratos preparados por Gastón. Um dos destaques é a Milanesa Napolitana (R$ 35, no almoço executivo), um bife bovino empanado e assado, servido com molho de tomates e muçarela (como nossa parmegiana). O acompanhamento são as Papas Francisco, batatas assadas com maionese de alho, cebolinha e páprica.

Por mais que não associemos tanto as massas à Argentina, Gastón explica que elas são populares por lá. “As receitas de ravióli e capeleti são da minha mãe”. Lá, o ravióli é recheado com queijo brie e damasco e servido com molho de tomate, pesto e azeitonas pretas (R$ 48). O capeleti, por sua vez, é recheado com queijo e banhado por um molho cremoso de funghi (R$ 45).

Origem venezuelana

Venezuelano, Reinaldo Nieves chegou a Belo Horizonte em 2016, três anos antes de sua esposa, Yenither Olivar, e o filho do casal, Dorian, aterrissarem aqui. Logo ao chegar à capital mineira, Reinaldo percebeu que faltavam restaurantes venezuelanos e que, portanto, abrir um poderia ser uma boa ideia, já que ele já se dava bem na cozinha.

Yenither, enquanto isso, ainda na Venezuela, fez cursos, como o de empreendedorismo e de confeitaria, já se preparando para abrir um negócio com o companheiro. Em seu país de origem, ela, inclusive, já vendia brownies para arrecadar dinheiro.

Em 2019, quando ela chegou ao Brasil, continuou com a venda do doce e, no ano seguinte, o casal começou a trabalhar com itens salgados como arepas e empanadas por delivery. A farinha de milho usada nesses preparos foi também um produto importante para a trajetória dos venezuelanos, que passaram a vendê-la para conterrâneos que moravam em BH e, assim, aumentar a clientela.

O Dorian Cacao, restaurante venezuelano de Reinaldo e Yenither, abriu as portas em 2023 no Bairro Floresta, Região Leste de Belo Horizonte. No menu, os clientes encontram bebidas e comidas venezuelanas além do brownie de chocolate (R$ 10) que, apesar de não ser uma receita do país, representa bem a história e as batalhas enfrentadas pelo casal. “Ele tem tudo a ver com a nossa história. Por muito tempo, foi o que nos deu sustento”, conta a proprietária.

Por dentro do menu

As arepas são preparadas com diversos recheios no Dorian Cacao Venezuela
As arepas são preparadas com diversos recheios no Dorian Cacao Venezuela Dorian Cacao Venezuela/Divulgação

Ela também conta que o prato mais emblemático da casa são as arepas (a partir de R$ 20) - disponíveis com recheio de carne desfiada e queijo prato; frango desfiado, abacate, maionese e coentro; frango desfiado e queijo prato; pernil e muçarela); feijão preto com queijo; mix de vegetais com ou sem queijo; e queijo prato e muçarela.

As empanadas também fazem sucesso. Diferentemente das argentinas, as venezuelanas são feitas com farinha de milho e fritas – há muitos mineiros, inclusive, que enxergam semelhanças com o sabor do pastel de angu. No Dorian Cacao, elas são recheadas com carne desfiada, frango, carne moída, queijo, feijão preto e queijo ou guisado de carne de frango, boi e porco (apenas no período do Natal). Cada empanada é vendida a R$ 11.

O bolo tres leches (R$ 20) é outro item que se destaca no menu. Com massa estilo pão de ló, ele é banhado em leite condensado, creme de leite e leite evaporado (com parte da água removida). Esse último, aliás, é feito no restaurante para que fique o mais próximo do que se come na Venezuela. Por cima, merengue e canela dão o toque final no doce.

Viagem à Cuba

Com paredes cobertas de quadros, fotografias e frases escritas pelos próprios clientes, o Paladar do Cubano, restaurante no Bairro Cidade Jardim, Região Centro-Sul de BH, propõe uma viagem à Cuba. O chef Julio Diaz Escalona é quem assina o menu que conta com itens como o Delícia Cuba, sucesso de vendas.

O prato combina lombo, peito de frango ou sobrecoxa grelhada com abacaxi grelhado, cebolas fritas, pico de gallo, manga, moros y cristianos (mistura tradicional de arroz, feijão preto e temperos e especiarias) e mandioca com mojo cubano (molho cítrico). No iFood, é vendido a R$ 66,90.

Serviço

Juan Hoyos (@juanhoyos.col)

  • Rua Leopoldina, 85, Santo Antônio
  • (31) 99135-3662
  • De quarta a sábado, das 10h às 17h
  • Domingo, das 9h às 16h

Casa Gabo (casa.gabo.bh)

  • Avenida Cristóvão Colombo, 336, Funcionários
  • (31) 98327-8890
  • Terça e quarta, das 18h às 23h30
  • Quinta e sexta, das 18h à 00h
  • Sábado, das 12h á 00h

Massa Madre (@massamadrebh)

  • Rua Rio Negro, 640, Prado
  • (31) 98379-5002
  • De terça a sexta, das 12h às 15h e das 17h às 22h30
  • Sábado, das 12h às 17h

Dorian Cacao Venezuela (@doriancacaovenezuela)

  • Rua Silva Jardim, 158, Floresta
  • (31) 98266-5427
  • Quinta, das 12h às 21h
  • Sexta e sábado, das 12h às 22h30
  • Domingo, das 12h às 18h

Paladar do Cubano (@paladardocubano)

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  • Rua Conde de Linhares, 926-A, Cidade Jardim
  • (31) 99266-0354
  • De quarta a sexta, das 11h15 às 15h
  • Sábado e domingo, das 11h30 às 16h

*Estagiária sob supervisão da subeditora Celina Aquino

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