Greve dos garis causa crise na limpeza pública de BH
Ruas do Bairro Padre Eustáquio, na Região Noroeste, estão tomadas por lixos de todos os tipos, em decorrência da paralisação feita pelos garis
compartilhe
SIGA
A paralisação dos garis da empresa Sistemma Serviços Urbanos já é sentida pela população de Belo Horizonte. O lixo que se acumula nas ruas da capital nos últimos dois dias já soma 2,5 mil toneladas, segundo representantes da categoria, enquanto a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) estima que, só na última segunda-feira (19/1), 602,75 toneladas de resíduos deixaram de ser recolhidas.
Os trabalhadores interromperam a coleta de lixo nas regionais Nordeste, Noroeste e Leste da capital em busca de melhores condições de trabalho. Dentre as reivindicações estão a contratação de mais garis e motoristas, aumento da frota de caminhões, manutenção adequada dos caminhões existentes, pagamento do FGTS atrasado há cinco meses e o fornecimento do plano de saúde, que não é garantido aos funcionários há 12 anos.
Leia Mais
O dono da empresa Sistemma veio a Belo Horizonte para negociar. A categoria alega que o diretor se recusou a fornecer o convênio médico, afirmando que não é obrigado por lei a conceder o direito.
Em nota à imprensa, a empresa afirmou que foi surpreendida pela suspensão das atividades, alegando a irregularidade da greve que, segundo ela, não foi reconhecida pela entidade sindical. Ainda alegou que “atende rigorosamente as normativas, com regular organização da composição de equipes e rotas de coleta; com contínuo fornecimento dos equipamentos de proteção individual (EPIs) e demais equipamentos para realização dos serviços por parte de seus colaboradores, conforme é devida e rotineiramente fiscalizada pelo Poder Público”.
Na mesma nota, a empresa disse ter adotado medidas imediatas frente à situação, sendo elas a “comunicação aos colaboradores quanto à necessidade de manutenção da regularidade do serviço; reorganização emergencial de escalas e rotas, dentro dos limites operacionais disponíveis; e início da coleta e preservação de elementos informativos para apuração interna dos fatos”.
PLANO DE CONTINGÊNCIA
Já a SLU informou que foi iniciado, na manhã de ontem, um plano de contingência com o objetivo de minimizar os impactos da paralisação. Foram mobilizados 308 garis e 47 caminhões, sendo 38 caminhões basculantes e nove compactadores, para atuar no recolhimento dos resíduos nas regiões atendidas pela Sistemma.
A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) afirmou que os garis e os caminhões empregados nesta operação são provenientes de outros contratados para a prestação de serviços de limpeza urbana, além de recursos próprios da SLU. Alegou também que não há atraso nos repasses de recursos para as empresas que realizam a coleta do lixo.
O executivo municipal também garantiu que “continua acompanhando as negociações para a solução do impasse entre os garis e a empresa” e “tomando as providências para a garantia da prestação do serviço essencial à população”.
Já a Superintendência Regional do Trabalho de Minas Gerais informou, em nota, que 180 garis já aderiram à greve e que uma assembleia foi marcada para hoje, às 8h, na sede da Sistemma, com representantes da empresa, da PBH e do sindicato que representa a classe, o SINDEAC.
MORADORES
Nas ruas de Belo Horizonte, os impactos da paralisação são visíveis. Em uma esquina da Rua Padre Eustáquio, em bairro de mesmo nome, na Região Noroeste, o lixo se acumula em frente a uma lanchonete, formando pilhas desordenadas na calçada. A aposentada Rosa Magalhães, de 69 anos, que morou por uma década nos arredores, lamenta: “Se a greve continuar, a situação vai ficar terrível”.
Apesar do incômodo, ela acredita que a paralisação é legítima. “É direito deles. A prefeitura tem que manter a cidade limpa e, para isso, tem que pagar bem. Os garis devem ser reconhecidos”, afirma, atribuindo ao poder público a responsabilidade pelos transtornos.
Rosa também relata preocupação com o risco de doenças, lembrando que o bairro já enfrenta problemas com ratos e baratas. “Está incomodando muito. Todo mundo tá reclamando”, diz.
Moradora do Padre Eustáquio desde a infância, a dona de casa Nancy Evangelista, de 65, alerta também para a possibilidade de a chuva espalhar os resíduos, entupindo bueiros e causando ainda mais transtorno, com alagamentos invadindo residências e comércios.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Apesar disso, Nancy também apoia a mobilização dos garis. “Acho justo. Eles estão lutando por melhores condições de trabalho”, afirma.