Grande BH: foragido da Justiça do Rio é preso com ave ameaçada de extinção
Investigações apontam esquema que envolve pelo menos quatro regiões do país e proteção armada do Comando Vermelho
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Um jovem de 23 anos, foragido da Justiça do Rio de Janeiro, foi preso na casa onde morava em Vespasiano (MG), na Região Metropolitana de Belo Horizonte, nessa quarta-feira (21/1). Ele estava com uma ave de silvestre ameaçada de extinção, que tem o valor de comercialização estimado em cerca de R$ 30 mil. A suspeita é de que o homem integre um grupo criminoso especializado em tráfico de animais silvestres.
A prisão foi feita em uma ação conjunta da Polícia Militar Rodoviária e o Pelotão da Polícia Militar de Meio Ambiente de Lagoa Santa. O homem, natural de Turmalina (MG), no Vale do Jequitinhonha, tinha um mandado de prisão preventiva em aberto, decretado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, conforme levantamentos da Agência Central de Inteligência da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (SEJUSP- MG).
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Em entrevista ao Estado de Minas, o Subsecretário de Integração da Sejusp-MG, Christian Vianna, contou que o pássaro, uma Arara Canindé, estava em um cativeiro clandestino. Ainda não há informação se a casa era própria ou de familiares, mas as autoridades identificaram que era um local em que o suspeito estava confortável em se esconder da Justiça. “Era uma casa normal, usada para ficar longe das fiscalizações”, afirmou. No momento da apreensão, apenas ela estava no cativeiro.
Segundo ele, normalmente, pessoas envolvidas nesses esquemas trocam os animais de lugar, de modo a dificultar a localização, levando-os para locais próximos dos compradores. Neste caso, o investigado tinha bastante cautela, mas esse cuidado não garantiu que ele não fosse encontrado.
Caso seja identificada que alguma pessoa que estava voluntariamente auxiliando no esconderijo, sabendo que o investigado estava foragido da Justiça, essa pessoa também poderá ser penalizada. Neste caso, as circunstâncias ainda estão em investigação.
Longa trilha no crime
De acordo com o subsecretário, apesar de jovem, o investigado tinha uma longa trilha no tráfico de animais silvestres. Segundo Christian Vianna, a maioria dos crimes aconteceu no estado fluminense e, por isso as investigações se estenderam pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e Polícia Federal, que tem um inquérito assinado por ele. O suspeito já havia sido preso no período entre agosto e setembro de 2023 e tinha um mandado de prisão em aberto pelo crime de tráfico de animais silvestres.
As investigações apontam que o jovem participava de um grupo especializado no tráfico de animais, que esta sob investigação. Segundo Vianna, o esquema é feito a partir da captura de animais nas regiões Norte e Nordeste do país e da utilização de pontos na região Sudeste, em especial o estado de Minas Gerais, para trânsito e distribuição para demais locais do país.
De acordo com Christian, o grupo conta com proteção armada da facção criminosa Comando Vermelho (CV). “A facção atua em âmbito nacional. O tráfico de animais é só mais um no portfólio”, afirmou. Segundo ele, o grupo é conhecido pelo lucro no tráfico de drogas, mas também tem atuação extensa na mineração, descaminho, extorsão e contrabando, além do tráfico de animais silvestres.
Outras pessoas envolvidas nesse esquema também já são investigadas, mas demais informações não serão divulgadas para não interferir nas investigações.
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Conforme a legislação atual, manter ave da fauna silvestre brasileira em cativeiro, sem o devido registro junto ao órgão competente, constitui infração administrativa e configura crime ambiental.