Mais criativo, mais divertido e, sobretudo, mais econômico. Em 2026, o folião belo-horizontino deve pisar nas ruas do carnaval com menos peso no bolso quando o assunto é fantasia. A mudança no comportamento de consumo, apontada por pesquisa da CDL/BH, reflete a tentativa de equilibrar gastos, com mais pessoas apostando em produções próprias, reaproveitamento de peças e escolhas mais básicas uma tendência que, segundo o presidente da entidade, não significa menos interesse pela festa, mas uma nova forma de curtir sem estourar o orçamento.
De acordo com um levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), realizado entre 14 e 16 de janeiro com 200 consumidores, os foliões pretendem investir entre R$ 100 e R$ 150 em fantasias e adereços em 2026. As lojas físicas seguem como principal local de compra desses itens, e a preferência é por opções mais acessíveis.
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O dado representa uma queda em relação a 2025, quando uma outra pesquisa da própria CDL/BH apontou que os belo-horizontinos pretendiam gastar, em média, R$ 170 com fantasias e adereços. Considerando o valor médio do intervalo estimado para 2026 (R$ 125), a redução é de R$ 45 por pessoa, o que equivale a uma queda aproximada de 26,5% na intenção de gasto.
Para o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, o número indica uma mudança no perfil de consumo, mas não necessariamente uma retração do interesse pelo carnaval. Segundo ele, muitos foliões estão optando por comprar insumos para montar a própria fantasia ou por produções mais simples.
“A expectativa é de que as pessoas diminuam esse gasto. A fantasia pronta pode ter essa queda, mas a gente percebe muita gente comprando material para fazer a própria fantasia ou escolhendo algo mais simples, menos complexo. É uma forma de equalizar os custos”, explicou.
Souza e Silva pondera ainda que a pesquisa mostra uma intenção, mas que o movimento real do comércio só poderá ser confirmado durante os dias de folia. “Às vezes o consumidor pensa: ‘vou economizar na fantasia, mas gasto mais com alimentação, bebida ou numa festa que eu quero ir’. É uma adequação do orçamento. A movimentação está muito boa e vamos acompanhar até o carnaval para ver como isso se confirma na prática”, afirmou.
Preferências do folião
A pesquisa da CDL/BH mostra que os blocos de rua seguem como a principal escolha do público: 58,1% dos entrevistados dizem que vão optar por eles. Em seguida aparecem os pré-carnavais gratuitos ou ensaios de blocos(48,8%). Eventos privados ou festas fechadas e programação infantil aparecem com 14% cada. Já os pré-carnavais pagos somam 11,6%, a programação pós-carnaval 7% e os desfiles de escolas de samba 4,7%.
Além das fantasias, os consumidores afirmam que devem gastar cerca de R$ 70 por dia com bebidas. Entre os itens mais citados para compra estão protetor solar (51,2%), garrafa ou copo reutilizável (41,9%), maquiagem (39,5%) e acessórios como tiaras, brincos e óculos (23,3%), além de capas de chuva, itens de higiene e pochetes ou bolsas.
Na forma de pagamento, o PIX lidera (27,9%), seguido por cartão de débito (25,6%), crédito à vista (18,6%), dinheiro(18,6%) e crédito parcelado (7%).
Quanto à localização dos blocos, a Região Central é a preferida de 32,6% dos foliões, seguida pelos blocos de bairro (27,9%). Outros 34,9% dizem não ter preferência de local. O principal meio de transporte será o carro por aplicativo(41,9%), seguido por ônibus ou metrô (27,9%).
Carnaval deve reunir milhões
O carnaval de Belo Horizonte segue como um dos maiores do país. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) espera receber cerca de seis milhões de foliões e movimentar R$ 1 bilhão durante a festa, que se estende até 22 de fevereiro. Neste ano, 612 blocos vão desfilar em 660 cortejos por todas as regiões da capital.
A secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Botega, destacou que o carnaval deve movimentar R$ 1,2 bilhão em Belo Horizonte e quase R$ 6 bilhões em Minas Gerais, reforçando o peso econômico e cultural do evento e a importância dos investimentos em estrutura, segurança e promoção para consolidar a capital como destino turístico.
Já a presidente da Abrasel, Karla Rocha, afirmou que o setor de bares e restaurantes está otimista, com 72% dos associados esperando faturar mais que no ano passado, apesar de desafios como a mobilidade. Mesmo com a queda na intenção de gasto com fantasias, a CDL/BH avalia que o comércio pode compensar com o aumento do fluxo de pessoas e a venda de bebidas, alimentos e itens de conveniência, apostando em ações de apoio a lojistas e ambulantes e em uma estratégia focada em preços acessíveis e produtos básicos para atrair o folião.
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* Estagiária sob supervisão da editora Ellen Cristie.
