A Polícia Civil de Minas Gerais informou nesta sexta-feira (13/2) que Ítalo Jefferson da Silva, de 43 anos, principal suspeito de matar Vanessa Lara de Oliveira, de 23, estava em regime semiaberto domiciliar e deveria ter retornado para instalar a tornozeleira eletrônica, o que não ocorreu. Ele foi preso nessa quinta-feira (12/2) e encaminhado ao Presídio de Floramar, em Divinópolis, na Região Centro-Oeste de Minas. Segundo os investigadores, o suspeito tem três condenações por estupro, duas delas combinadas com roubo. Em um dos casos, houve também tentativa de homicídio.
“Ele já tem três condenações por estupro. Duas dessas condenações são combinadas com roubo. Em um dos casos anteriores, inclusive, houve também tentativa de homicídio. Pelo perfil dele, em outros episódios, houve estupro seguido de roubo, mas neste caso específico a dinâmica é diferente, porque houve o homicídio consumado”, afirmou o delegado Marcelo Cali.
Em coletiva, os delegados detalharam a cronologia do crime e da fuga. De acordo com a polícia, o assassinato ocorreu na segunda-feira (9/2), em Juatuba, na Grande BH. No mesmo dia, Ítalo foi até a casa da mãe dizendo que havia apanhado de dois homens e que precisava fugir. “Na segunda-feira, ele cometeu o crime e já foi embora. Chegou à casa da mãe dizendo que tinha brigado com pessoas que queriam matá-lo e que ia fugir, que iria para Belo Horizonte. Depois disso, ele sumiu”, relatou o delegado André Luiz Cândido.
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Ainda segundo a polícia, Ítalo tomou banho, pediu dinheiro à mãe e disse que seguiria para a capital, “A família começou a desconfiar porque ele tinha chegado muito assustado, com marcas de sangue, contando essa história de agressão. Como o crime aconteceu ali perto, eles ligaram os pontos, pressionaram ele, e ele acabou confessando para a família”, explicou o delegado. Em seguida, os parentes repassaram as informações à polícia, o que permitiu o início das buscas.
Na terça-feira (10/2), por volta das 9h30, a família de Vanessa registrou o desaparecimento. Poucas horas depois, por volta das 13h, o corpo da jovem foi encontrado. “A perícia foi acionada, o local foi preservado e as investigações começaram”, disse André Luiz Cândido.
Os delegados destacaram que a família do suspeito não colaborou com a fuga. “A família é totalmente contrária às atitudes dele. Desde o início, ajudou muito a polícia e continua ajudando. Todos estavam revoltados com o que aconteceu na cidade”, afirmou Marcelo Cali.
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A fuga terminou nessa quinta-feira (12/2), quando o suspeito foi localizado em Carmo do Cajuru, no Centro-Oeste de Minas, viajando em um vagão de trem de carga, em ação com apoio da Polícia Militar de Minas Gerais. Segundo a PM, ele tentou fugir ao perceber a abordagem, mas foi detido. Com o suspeito, foram encontradas uma faca, roupas e comida.
À polícia, Ítalo confessou o homicídio, mas negou o abuso sexual. “Essa parte do abuso vai ter que ser comprovada por meio dos laudos periciais. Ele alegou que o crime aconteceu sem motivo”, afirmou o delegado André Luiz Cândido.
Sem emoção
Questionados sobre arrependimento, os delegados disseram que o suspeito não demonstrou emoção ao falar do crime, mas reagiu ao comentar as consequências para a família. “Arrependimento é algo subjetivo. Quando falamos sobre o fato em si, ele não chorou e não se mostrou emocionado. Mas ele se emocionou quando falamos das consequências para a família, porque a família passou a ser ameaçada, inclusive a mãe, que não tem nada a ver com o crime”, disse o delegado.
Segundo o policial, o investigado alegou ter agido em legítima defesa após usar drogas com a vítima, versão considerada incompatível com os indícios já reunidos. “Nós ouvimos a versão dele, mas isso não significa que seja real. Agora vamos trabalhar para confirmar ou negar. Os fatos já demonstram que essa versão não condiz com a realidade apresentada até o momento”, afirmou. Segundo Ribeiro, o suspeito disse que ofereceu maconha e crack à jovem e que ela teria “enlouquecido” após o consumo, passando a agredi-lo.
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O delegado informou ainda que exames preliminares apontaram marcas de lesão no rosto e na região genital da vítima, o que pode indicar violência sexual. “O perito confirmou que havia marcas de lesão no rosto e na região genital. Agora precisamos do laudo pericial para termos certeza oficial”, disse.
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que vítima e suspeito não se conheciam e que o encontro foi fortuito, em um ponto onde ele costumava permanecer para usar drogas. “Infelizmente, houve um encontro fortuito, e ele aproveitou a oportunidade e a fragilidade da vítima para cometer esse crime tão abjeto”, afirmou Ribeiro.
A polícia também aponta indícios de premeditação. “Ele conhecia bem o local. Apesar de ser uma região central, é um ponto mais afastado, próximo ao acesso para a BR-262. Ele já frequentava aquele local para usar drogas. Isso indica que ele conhecia a área e, sim, há indícios de premeditação”, afirmou a equipe. As investigações continuam para esclarecer definitivamente a suspeita de violência sexual.
Ítalo tem passagens pelo sistema prisional desde 2003 e já foi condenado por crimes patrimoniais e sexuais, incluindo estupro, tendo passado cerca de 23 anos preso. Segundo a corporação, ele havia obtido progressão de pena após reclassificação judicial de condenação por tráfico para uso de drogas, o que permitiu a saída do regime fechado. “Os crimes anteriores foram julgados e ele pagou por eles, mas a progressão de regime é permitida pela lei. Infelizmente, ele voltou a praticar um crime gravíssimo”, disse o delegado.
Relembre o caso
Vanessa Lara de Oliveira estava desaparecida desde segunda-feira. Ela foi vista pela última vez no Sistema Nacional de Emprego (Sine), em Juatuba, onde prestava serviço para uma empresa terceirizada. Familiares contaram que a jovem trabalhava para custear a faculdade de psicologia. Vanessa morava em Pará de Minas e se deslocava até Juatuba para trabalhar.
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Na terça-feira, o corpo da jovem foi encontrado com sinais de violência. Segundo a Polícia Militar, o suspeito afirmou que abordou a vítima, disse que não a conhecia e que a morte ocorreu por estrangulamento com um cabo de telefone.
