A babá brasileira Juliana Peres Magalhães, acusada de participar da morte da mulher do amante em 2023 na Virgínia (EUA), voltou-se contra o ex-patrão e amante, Brendan Banfield, em um acordo com a Promotoria. Ela se declarou culpada por homicídio culposo e passou a colaborar no julgamento do homem, acusado de matar a esposa e um segundo homem em uma encenação de invasão domiciliar. O julgamento do caso começou na semana passada e deve durar entre três e quatro semanas.
Juliana, de 25 anos, participava do programa Au Pair e trabalhava como babá na casa da família Banfield. Segundo a acusação, Brendan Banfield planejou a morte da esposa, Christine Banfield, com a ajuda da brasileira, com quem mantinha um relacionamento extraconjugal.
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Inicialmente, ela havia sido acusada de homicídio em segundo grau e também poderia responder por uso de arma de fogo durante a prática de um crime. Com o acordo judicial, os promotores retiraram a acusação mais grave e a brasileira evitou uma pena que poderia chegar a 40 anos de prisão.
O julgamento apura a morte de Christine Banfield, esposa de Brendan, de 37 anos, e de Joseph Ryan, de 38, apontado pela acusação como um “bode expiatório” dentro de um plano para simular uma invasão domiciliar violenta.
Como foi o caso
No tribunal, Juliana relatou aos jurados como ela e Brendan teriam arquitetado um plano para se livrar de Christine e ficarem juntos. Segundo a acusação, Banfield criou uma conta falsa em um site de fetiches sexuais, fingindo ser a própria esposa, e alegando o desejo de viver uma fantasia sexual violenta.
Com o perfil, ele atraiu Joseph Ryan, fazendo-o acreditar que participaria de uma encenação que envolvia invadir a casa e estuprar Christine sob ameaça de faca. Quando Ryan entrou no quarto, Brendan atirou nele com uma pistola e, em seguida, esfaqueou a esposa com a mesma faca levada pelo homem.
A cena teria sido montada para parecer que o marido havia tentado salvá-la durante um ataque. Juliana confessou que também atirou em Ryan, depois de vê-lo se mexer no chão.
Brendan Banfield se declarou inocente. Nos primeiros dias do julgamento, a defesa tentou desqualificar o depoimento de Juliana, alegando inconsistências e falhas de memória. O advogado John Carroll questionou quem teria criado a conta no site fetichista e onde o casal estava no momento do cadastro. Juliana afirmou não se lembrar desses detalhes.
A estratégia da defesa é sustentar que Juliana pode ter sido a mentora do crime e que teria mudado sua versão para obter benefícios judiciais. Carroll também contestou a acusação de que Brendan lavou as mãos para eliminar vestígios de sangue, alegando que ele o fez a pedido de um funcionário do hospital e sem orientação contrária da polícia.
Fotos íntimas e provas exibidas ao júri
Durante o julgamento, a Promotoria apresentou aos jurados selfies sensuais feitas por Juliana e Brendan semanas antes do crime. Em uma das imagens, na qual ambos aparentam estar nus, o rosto dele foi ocultado com um emoji. “Aí gente, tô muito apaixonadinha desde julho do ano passado”, escreveu a mulher na imagem.
Outra imagem mostra o homem com a mão na coxa de Juliana, sob uma mesa na véspera do Ano Novo de 2022, com a legenda “Meu Ano Novo”, acompanhada de emojis de corações. Também foi exibida uma foto de Juliana em um estande de tiro, supostamente feita por Brendan. “O gostoso tira foto bem tirada”, escreveu ela.
Fotos publicadas por Juliana com o amante
Após ser presa, em outubro de 2023, Juliana escreveu diversas cartas nas quais demonstrava forte apego emocional ao ex-patrão. Em uma delas, datada de 14 de novembro de 2023, afirmou estar disposta a assumir a culpa pelos dois.
“Eu não quero viver assim. Eu simplesmente não quero mais me sentir assim. É uma tortura. Eu te amo mais do que tudo”, escreveu.
Juliana publicou imagens com o amante, Brendan Banfield
Em mensagem enviada à mãe de Brendan, a babá confessou que faria tudo pelo amante. “Daria a minha vida pela dele. Jamais faria nada para machucá-lo ou contra ele”, disse. “Não importa o que digam, não me importo com o que queiram acreditar. Eu assumirei a culpa por nós dois”, apontou em outro trecho.
A sentença de Juliana está provisoriamente marcada para 21 de março, mas só será definida após o fim do julgamento de Brendan Banfield. Existe a possibilidade de que ela seja condenada ao tempo já cumprido. A deportação para o Brasil não está descartada.
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Se condenado, Brendan Banfield pode enfrentar prisão perpétua. Ainda não há data para a sentença de Banfield.
