Sono: Como dormir bem (ou mal) afeta o seu comportamento?
O simples fato de dormir tem uma forte influência na forma como reagimos emocionalmente e na nossa capacidade de tomar decisões, alerta psicanalista
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Dormir bem não é apenas acordar disposto no dia seguinte, a qualidade do sono tem uma influência direta sobre o comportamento humano, afetando desde a forma como reagimos emocionalmente até a nossa capacidade de tomar decisões, manter relações saudáveis e lidar com situações de estresse.
Em um mundo cheio de rotinas aceleradas, excesso de estímulos digitais e alta cobrança por produtividade, o sono é cada vez mais negligenciado, mesmo sendo um dos pilares mais importantes da saúde mental e comportamental.
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A importância do sono para nosso comportamento
Durante o sono, o cérebro passa por processos fundamentais de organização e regulação. É nesse período que memórias são consolidadas, emoções são processadas e circuitos neurais responsáveis pelo autocontrole e pela empatia são ajustados.
Quando esse descanso é insuficiente ou fragmentado, o cérebro passa a operar em um estado de alerta constante, o que altera significativamente a forma como o indivíduo se comporta ao longo do dia.
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“O simples fato de dormir tem uma forte influência no seu comportamento, porque o sono regula áreas do cérebro ligadas ao controle emocional, à impulsividade e à percepção de risco”, explica o psicanalista Adriel Silva.
“A privação de sono reduz a atividade do córtex pré-frontal, região responsável por funções como planejamento, tomada de decisão e regulação das emoções, enquanto aumenta a reatividade de áreas mais primitivas do cérebro, ligadas ao medo e à irritação”, destaca.
Os efeitos comportamentais de noites em claro
Na prática, isso significa que noites mal dormidas estão associadas a maior irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória e menor tolerância a frustrações. Pequenos contratempos do cotidiano passam a ser percebidos como grandes ameaças, favorecendo conflitos interpessoais, decisões impulsivas e até comportamentos de risco.
Estudos em neurociência comportamental também apontam que a falta de sono prejudica a capacidade de leitura emocional, tornando mais difícil interpretar expressões faciais e intenções alheias.
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Outro aspecto muito importante é a relação entre sono e saúde mental. Algumas alterações no padrão de sono não apenas acompanham quadros de ansiedade e depressão, como também podem antecedê-los.
“A desregulação do sono interfere na liberação de neurotransmissores como serotonina e dopamina, diretamente ligados ao humor, à motivação e à sensação de bem-estar. Com o tempo, esse desequilíbrio pode favorecer estados de apatia, ansiedade persistente e queda no rendimento profissional e acadêmico”, destaca Adriel.
Menos sono, menos socialização
Além disso, dormir mal afeta o comportamento social. Pessoas privadas de sono tendem a se isolar muito mais, demonstrar menor empatia e apresentar maior dificuldade em manter vínculos afetivos estáveis.
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“A comunicação se torna muito mais reativa e menos racional, o que afeta tanto relações pessoais quanto ambientes de trabalho e dificulta a socialização como um todo, que é um pilar importante da saúde integral”, alerta Adriel.