Raul Jungmann enfrentou câncer de pâncreas e estava em cuidados paliativos
Em 2024, o ex-ministro, incomodado por duas hérnias, passou por uma bateria de exames e descobriu tumores no pâncreas e no peritônio
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O ex-deputado federal e ex-ministro Raul Jungmann faleceu no último domingo (18/1), aos 73 anos, em decorrência de um câncer de pâncreas. A informação foi confirmada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), entidade da qual Jungmann era diretor-presidente desde 2022.
Com trajetória destacada na política nacional, Raul foi deputado federal por Pernambuco por três mandatos e exerceu quatro vezes o cargo de ministro nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer. No governo FHC, comandou as pastas de Política Fundiária e Desenvolvimento Agrário. Já no governo Temer, esteve à frente dos ministérios da Defesa e da Segurança Pública.
Em 2024, o ex-ministro, incomodado por duas hérnias, passou por uma bateria de exames e descobriu tumores no pâncreas e no peritônio (membrana que reveste os órgãos na cavidade abdominal). Após o diagnóstico, começou a quimioterapia e teve melhoras pontuais, porém, em 2025, Raul passou a receber tratamento paliativo.
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Entenda o câncer de pâncreas
O pâncreas é um órgão fundamental no processo digestivo e no controle da glicemia. A maioria dos tumores malignos nesta região é classificada como adenocarcinoma - originado no tecido epitelial glandular do órgão, responsável por cerca de 90% dos casos.
“O câncer de pâncreas costuma ser diagnosticado tardiamente porque seus sintomas iniciais são inespecíficos ou ausentes. Isso dificulta o tratamento e impacta negativamente as taxas de sobrevida”, explica Mauro Donadio, oncologista da Oncoclínicas.
Fatores de risco e sintomas
Entre os principais fatores de risco estão:
- Tabagismo
- Consumo excessivo de álcool
- Obesidade
- Pancreatite crônica
- Diabetes mellitus
- Histórico familiar da doença
Segundo o especialista, é possível agir preventivamente em alguns desses pontos. “A obesidade, por exemplo, é um fator modificável. Estudos mostram que a perda de apenas 10% do peso corporal já reduz consideravelmente o risco de desenvolver vários tipos de câncer, inclusive o de pâncreas”, ressalta.
Nos casos mais avançados, podem surgir sintomas como:
- Dor abdominal ou lombar
- Perda de peso
- Fraqueza
- Icterícia (olhos ou pele amarelados)
- Urina escura
- Náuseas
- Trombose venosa profunda
- Agravamento súbito de um diabetes pré-existente
Em pessoas com diabetes, Mauro Donadio comenta que cerca de 80% dos pacientes com câncer pancreático apresentam intolerância à glicose ou diabetes no momento do diagnóstico. "Hoje, sabemos que há uma via de mão dupla: o câncer pode induzir alterações metabólicas que levam ao desenvolvimento de diabetes, mas também há evidências de que a resistência à insulina e o próprio diabetes tipo 2, especialmente quando mal controlado, podem aumentar o risco de surgimento do tumor. Essa conexão reforça a necessidade de atenção especial nesse grupo, sobretudo quando há mudanças súbitas no controle glicêmico."
Diagnóstico e tratamento
A identificação precoce é um dos maiores desafios. É estimado que apenas 10% a 15% dos casos são descobertos em estágio inicial. O diagnóstico inclui exames laboratoriais, de imagem (como tomografia e ressonância) e, em alguns casos, biópsia. “Quando conseguimos detectar o tumor em fase inicial e restrita ao pâncreas, a chance de sucesso no tratamento aumenta significativamente”, afirma o especialista.
O tratamento geralmente envolve cirurgia e quimioterapia. Em casos selecionados, a ordem tradicional é invertida: primeiro o paciente realiza a quimioterapia e depois é submetido à cirurgia. “Essa abordagem tem demonstrado bons resultados. Ao reduzir o tumor com a quimioterapia, conseguimos facilitar a cirurgia e, muitas vezes, melhorar o prognóstico do paciente”, explica o oncologista.
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Apesar de ser uma doença desafiadora, os avanços em medicina personalizada e genética têm mudado o cenário. “A oncologia tem evoluído rapidamente. Com a identificação de subtipos moleculares do câncer de pâncreas, conseguimos desenvolver terapias mais específicas e direcionadas. O futuro da oncologia pancreática é promissor.”