Conseguir � frustrante. Ouvi essa afirma��o quando era jovem, mas, como eu ainda n�o havia logrado nada de significativo na vida, a n�o ser boas notas, n�o entendi, como se dizia antigamente, bulhufas. Como algu�m poderia se sentir frustrado depois de alcan�ar �xito? N�o parecia fazer sentido.
Mas hoje eu entendo perfeitamente essa ideia, que antes se configurava como algo sem l�gica para mim. Ora, quando alcan�amos o nosso objetivo, matamos o nosso desejo. Da� somos obrigados a criar novos desejos, para n�o despencar no t�dio da exist�ncia. Conclus�o: “O fim � o in�cio”. Oi?? Sim, leitor! E temos aqui algumas interpreta��es poss�veis. Se analisarmos o voc�bulo fim como um sin�nimo de objetivo, o paradoxo (figura de linguagem que consiste na cria��o de uma ideia sem nexo) acaba, j� que faz sentido pensar que os nossos objetivos podem ser o in�cio de muitas coisas – de relacionamentos profissionais, de alian�as poderosas... Contudo, se pensarmos a palavra fim como um sin�nimo de final, teremos a ideia de que “o final � o in�cio”.
Ali�s, haver� n�o somente um paradoxo – ideia sem sentido – como uma ant�tese, que se trata de uma figura de linguagem em que aproximamos palavras com significados opostos, como bem e mal, noite e dia, in�cio e fim. Mas, voltando � vaca fria: seria o fim (o final) o in�cio? Creio que sim. Quando chegamos ao fim das nossas possibilidades, ao teto da empreitada, temos de encarar o vazio. E, nesse contexto, podem nascer diversos in�cios, desde o in�cio de um quadro depressivo ao in�cio de um novo fim, de um novo objetivo.
E o que difere as consequ�ncias do alcance do fim? A predisposi��o para viver, para arriscar, para ser, muitas vezes, insano aos olhos do senso comum. Um amigo meu, professor de f�sica, sempre diz isso. Segundo ele, “o mundo � dos loucos”. Faz sentido. Todos os indiv�duos que fizeram diferen�a tinham algum parafuso a menos. Bem, a esta altura do meu texto – que est� meio biruta –, j� n�o sei mais se estou falando de figuras de linguagem, de objetivos, de frustra��es, de qu�. Mas de uma coisa eu sei: paradoxalmente, nada � mais frustrante do que conseguir. Haja (e n�o aja, sem h) loucura para continuar.
