
S�o tantas as previs�es, de todos os tipos e filosofias, de que, ao final, o mundo vai melhorar! O ser humano vai de fato se tornar humano. Afinal, depois de ficar tanto tempo confinado como animal, h� de ter aprendido alguma coisa. At� mesmo os rebeldes, que acham uma bobagem ficar em casa, assim como os que s� tiveram como op��o o sair para manter a vida pr�pria ou a alheia pulsando, acham que agora sim, depois desse tranco, o mundo vai tomar jeito.
Como fazem as crian�as para sair do castigo, prometemos mundos e fundos para ser cumpridos logo que qualquer fase infernal acabe. Barganhamos sempre, com n�s mesmos (afinal, precisamos nos convencer de que somos capazes), com os nossos (a quem nos interessa negociar) e com Deus (pois se esse escolher intervir facilitar� bastante).
Precisamos mudar sim. E mudaremos. Mas n�o aos moldes que desejamos. Digo isso porque concordo com os dois pontos de vista que dividem grosseiramente nossas cren�as: nos que se prendem � esperan�a de que seremos um mundo melhor ap�s a inflex�o da Codiv-19, assim como nos que acreditam que em pouco tempo vamos voltar ao mesmo caos de divis�o e ego�smo no qual est�vamos atolados.
Com ou sem crises, o mundo evolui. O que as crises fazem � agilizar os processos em parte. At� porque, n�o s�o as crises que nos mudam, mas o que decidimos fazer com o legado que elas deixam em n�s. O maior problema em quem n�o acredita em mudan�as e em evolu��es � a dificuldade que tem em perceber que elas n�o acontecem rapidamente. � preciso esperar pacientemente por elas e muitas vezes � dif�cil perceber quando exatamente ocorrem.
Ningu�m muda radicalmente de um dia para o outro. Se voc� conhece algu�m que o tenha feito, pode ter a certeza de que foi voc� quem n�o percebeu que as mudan�as nele vinham acontecendo de forma lenta e gradual.
Por exemplo, aquele tipo que brigava em 10 fechadas que levava no tr�nsito e agora consegue deixar passar uma ou outra est� mudando. Continua nervosinho, mas j� aceita o fato de que isso acontece, independentemente de ele se estressar ou n�o. Quem nunca se desculpava, por mais que intimamente reconhecesse o erro, e hoje, mesmo �s custas de muito rodeio, o faz de vez em quando, est� mudando mesmo que nunca pe�a desculpas a voc� especificamente.
Esse ser� o tipo de transforma��o que veremos com mais frequ�ncia. Em n�s e nos outros. Afinal, estamos em guerra e por mais desumanos que tenhamos sido at� agora, n�o h� quem n�o tenha parado para refletir sobre quem queremos ser daqui pra frente.
