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Estado de Minas

Vida � dist�ncia roubada pela tecnologia

O que parece uma gripe pode se transformar no vel�rio da solidariedade, liberdade e da intelig�ncia humana. Cada um por si, comprando mais do que precisa, egoisticamente se salvando


postado em 15/03/2020 04:00 / atualizado em 14/03/2020 22:12

Instalações da gigante saudita do petróleo Aramco: Queda dos preços provocará concentração de empresas nos Estados Unidos(foto: Fayez Nuraldine/AFP %u2013 20/9/19)
Instala��es da gigante saudita do petr�leo Aramco: Queda dos pre�os provocar� concentra��o de empresas nos Estados Unidos (foto: Fayez Nuraldine/AFP %u2013 20/9/19)

N�o afronte a realidade. A vida � um processo de demoli��o onde � melhor ficar atento � onda que vai te tragar do que se deixar castigar por ela.
 
Em 1911, a Suprema Corte Americana decidiu que a Standard Oil teria que ser dividida em 34 diferentes companhias por causa do seu gigantismo. Decis�es como essa sumiram do mapa. O que existe hoje s�o empresas cada vez maiores mandando em governos e crises que funcionam para o duplo efeito de pulverizar e concentrar. Pulverizam as que n�o fazem mais sentido produtivo at� o limite da insignific�ncia e concentram as que fazem at� o limite do monop�lio.
 
Como n�o h� mudan�a da matriz energ�tica e a economia da velocidade deslumbrou o indiv�duo, manipular o pre�o do petr�leo e enfrentar doen�as por cont�gio provoca crise e p�nico mundial de uma hora para a outra.  O petr�leo produz a queda da viabilidade de produ��o de muitas empresas da ind�stria de g�s e petr�leo de xisto nos EUA que ser�o for�adas a se vender para grupos maiores. O coranav�rus, viajando de avi�o, exige um m�todo de conten��o que vai dar mais for�a ainda � economia da velocidade criada pelo mundo digital.
 
Ou seja, estando ou n�o doente o ser humano ser� entrincheirado.
 
H� claros sinais de que esta crise est� sendo usada para uma experimenta��o mais radical de reorganiza��o socioecon�mica. Como � ano eleitoral nos EUA, o governo vai colocar na rua toda sorte de medidas para evitar uma recess�o. Vai assumir d�vidas privadas e comprar ou ajudar na compra de empresas. Isso vai normalizar um caminho de maior presen�a estatal na economia em parceria com grandes empresas. O pr�prio FMI anda aproveitando a onda para mandar gastar. O discurso est� mudando para: o Estado pode at� ser pequeno, mas n�o pode ser omisso. Mais foco, menos despesa, menor dispers�o serve para todos.
 
Essa tend�ncia de concentra��o econ�mica e de poder pol�tico � explicada e causada pela aposta exagerada nas tecnologias de informa��o e comunica��o (TIC), uma amea�a � felicidade humana. Na maioria dos pa�ses do mundo, o acesso � tecnologia veio antes da educa��o formal para viver, provocando uma abrupta adapta��o a elas e produzindo uma transi��o muito mais que disruptiva. Que pode ser agravada agora pela decis�o crescente de colocar todo mundo em casa trabalhando pela internet.
 
Assim como a China sacrificou sua produ��o para conter o coronav�rus, parece estar aproveitando para acelerar uma transi��o mais completa para o chamado “capitalismo de vigil�ncia”. Os EUA tamb�m se preparam para experimentar a acentua��o dessa vida � dist�ncia orientando as pessoas para fazer tudo de casa. At� aqui, em Bras�lia, a moda chegou. Ou seja, melhor enclausurar, do que informar e educar para viver em qualquer tempo.
 
Isso transferir� ainda mais poder e dinheiro para organiza��es que controlam as TICs que intermediar�o rela��es de trabalho, estudo, compras, entretenimento, relacionamento, seguran�a e defesa, etc.  O que parece uma gripe pode se transformar no vel�rio da solidariedade, liberdade e da intelig�ncia humana. Cada um por si, comprando mais  do que precisa, egoisticamente se salvando.
 
� por conta do andar dessa carruagem da reorganiza��o socioecon�mica que na reuni�o entre os respons�veis pelas economias do G-20 na Ar�bia Saudita no fim de fevereiro – para a qual a China n�o mandou ministros, nem o Brasil – mais que petr�leo, cadeias globais de suprimento e coronav�rus, a tens�o principal ocorreu pelas quest�es sobre taxa��o das organiza��es que controlam as TICs extraterritorialmente, nesse aprofundamento da digitaliza��o da economia.  O xis da quest�o � que a commodity mais valiosa do planeta hoje s�o dados.
 
Mas a transforma��o de dados em commodities, que ser� impulsionada por raz�es sanit�rias, representa a maior commodifica��o de coisas que n�o s�o naturalmente commodities. � resultado da superioridade e velocidade dessa for�a estranha sobre todos n�s que invade casas, bisbilhota vidas e prospera sem jurisdi��o frente � aus�ncia de lei. Agravado pelo abandono das atribui��es do Estado, da pr�pria iniciativa privada e da permiss�o para a manuten��o de um mercado e de uma vida competitiva e nada saud�vel.
 
N�o � a primeira vez que o mundo mergulha em crise existencial. N�o se trata apenas de quest�o financeira ou epidemiol�gica. O que vem ocorrendo � um ac�mulo de situa��es mal resolvidas que vinculam a desocupa��o em diversas atividades com a transfer�ncia de poder entre diferentes grupos e pa�ses no mundo. O que ocorre agora � um rearranjo afoito do mundo por causa da submiss�o de todos � digitaliza��o da economia e da vida humana. (Com Henrique Delgado)

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