
As a��es de educa��o ambiental nas escolas est�o previstas em lei h� pelo menos 15 anos, mas, por enquanto, n�o passam de iniciativas pontuais, conforme disserta��o de mestrado defendida em BH. Isso porque a maioria dos professores desconhece a obrigatoriedade de incluir o tema em sala de aula. Segundo a analista de educa��o e pedagoga Cleudes Dias Martins Andrade, autora do estudo, as a��es de educa��o ambiental s�o sazonais e, muitas vezes, limitadas aos conte�dos de ci�ncias e geografia. Por isso, impera o descumprimento da legisla��o que estabelece as diretrizes do Plano Nacional de Educa��o Ambiental (Pnea).
A disserta��o Educa��o ambiental como fun��o social da escola na perspectiva da Lei 9.795/1999 afirma que a maioria dos professores n�o domina o tema, o que inviabiliza o desenvolvimento de a��es efetivas e constantes. “A educa��o ambiental � ligada, principalmente, a datas. A maioria dos educadores n�o conhece as diretrizes, porque a pol�tica de educa��o � voltada para avalia��es de desempenho e as pol�ticas de avalia��o interna s�o de n�vel intelectual, n�o abrangem o social”, destaca Cleudes.
Para refor�ar a Lei 9.795, os minist�rios da Educa��o e do Meio Ambiente publicaram, em junho de 2012, resolu��o conjunta contendo as orienta��es curriculares e pedag�gicas para a educa��o ambiental. Garantir a forma��o no tema �, ali�s, uma das determina��es do Pnea. Cleudes relata que os projetos de inclus�o social existentes n�o s�o articulados �s disciplinas. Assim, desobedecem crit�rio da pol�tica nacional de educa��o ambiental, segundo o qual cada mat�ria deve transcender seu conte�do e promover a intera��o social. “A falta de efetividade est� ligada � aus�ncia de forma��o. As poucas iniciativas s�o m�rito da pr�pria escola ou t�m car�ter intuitivo, porque n�o houve capacita��o nesse sentido”, acrescenta a pedagoga.
Exemplo dessa forma��o � a oferecida pela Universidade Fumec, que trabalha a ecologia e o meio ambiente como ferramentas transversais do curr�culo. A coordenadora do curso de pedagogia e educa��o f�sica da institui��o, Alessandra Latalisa, diz que os temas s�o abordados em v�rias disciplinas. “O objetivo � formar um pedagogo com o cuidado que deve ter consigo e com o planeta, comprometido com a forma��o dos alunos. Assim, educadores compreendem o quanto � fundamental essa quest�o com as crian�as.”
A coordenadora chama a aten��o para o fato de que a educa��o come�a em casa. A��es como guardar os pr�prios objetos, lavar as m�os e n�o desperdi�ar �gua, e at� a rela��o respeitosa com o outro, ajudam a compreender o assunto. “Tem que pensar global e agir local, porque para a crian�a faz sentido o aqui e o agora.”
A especialista acredita que escolas n�o alinhadas a essas diretrizes t�m o projeto pedag�gico comprometido: “Se houver seriedade e compromisso com as crian�as, com o trabalho refor�ado por h�bitos em casa, as chances desse comportamento ficar para o resto da vida s�o maiores”.
AUTONOMIA
A Secretaria de Estado de Educa��o (SEE) nega que o tema n�o seja parte das diretrizes da rede. Resolu��o 2.197, de fevereiro de 2012, que disp�e sobre a organiza��o e o funcionamento do ensino na educa��o b�sica, determina a articula��o interdisciplinar e inclus�o de temas transversais no curr�culo, entre eles a educa��o ambiental. Segundo a superintendente de Desenvolvimento da Educa��o Infantil e Fundamental da SEE, Vera Alice Temponi, os educadores passam por constante capacita��o nos projetos de interven��o pedag�gica.
Ela acrescenta que as escolas t�m autonomia para escolher quando far�o o trabalho, conforme necessidades espec�ficas das institui��es. Esta semana, a secretaria lan�a o projeto Educa��o para as �guas, da Unesco, que vai preparar professores para trabalhar em sala com cartilhas e v�deos sobre o tema. Vera afirma que o reflexo dessas iniciativas � a mudan�a de comportamento dentro e fora da escola. “Percebemos o di�logo e como trabalham esses valores com a fam�lia e a comunidade. Acreditamos que todas essas a��es contribuem para a sustentabilidade do planeta.”
Na Secretaria Municipal de Educa��o (Smed), a gerente de funcionamento escolar, Estelita Gonzaga, confirma que poucas escolas optam por trabalhar o tema numa disciplina espec�fica. “Mesmo que a abordagem seja reconhecida como necess�ria, o f�lego dela n�o vai no cont�nuo, fica na transversalidade ou nas a��es do contraturno”, relata.
