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Estado de Minas

H� meio s�culo, padre deixou a fam�lia rica na It�lia e abra�ou favelas em BH

Padre Pigi enfrentou pris�es e amea�as de morte, sem jamais perder a f�


postado em 25/04/2012 06:00 / atualizado em 25/04/2012 10:43

Padre Pigi, de 73 anos (em frente à Igreja de Santo Antônio), é coordenador diocesano da Pastoral Metropolitana dos Sem-Casa e atende 10 comunidades da Região Norte(foto: BETO MAGALHÃES/EM/D.A PRESS)
Padre Pigi, de 73 anos (em frente � Igreja de Santo Ant�nio), � coordenador diocesano da Pastoral Metropolitana dos Sem-Casa e atende 10 comunidades da Regi�o Norte (foto: BETO MAGALH�ES/EM/D.A PRESS)

Na Igreja de Santo Ant�nio, no elevado da Rua Madre dos Anjos, tudo � muito simples e bem mais perto do c�u. Da modesta casa de Deus muito bem cuidada, arejada, em pintura esverdeada, tamb�m abrigo paroquial aos fundos, � poss�vel avistar boa parte da Regi�o Norte de Belo Horizonte, nos limites dos bairros Provid�ncia e Primeiro de Maio. � onde o padre italiano, coordenador diocesano da Pastoral Metropolitana dos Sem-Casa, Pier Luigi Bernareggi, o padre Pigi, de 73 anos, prepara a missa de domingo: “Da coragem de viver. N�o por causa das nossas fracas possibilidades, mas por causa da for�a da ressurrei��o de Cristo”, ensina. No Brasil desde 1964, padre Pigi abra�ou a causa dos moradores de favelas e dos sem-casa, participando ativamente do assentamento e da conquista de t�tulos de propriedade para milhares de fam�lias da capital e regi�o metropolitana. Empenho que lhe rendeu pris�es, amea�as de morte e muitos desafetos.

Padre Pigi � a personifica��o da ren�ncia. Deixou o conforto da fam�lia de posses, do ramo de a�o, em Mil�o para viver pelos desfavorecidos mineiros. Seminarista, bastou uma oportunidade – depois de ouvir dom Jo�o Resende Costa e dom Serafim Fernandes de Ara�jo, em miss�o na It�lia – para que ele e  tr�s colegas se mudassem para o Brasil.

Dos quatro conterr�neos, apenas Pigi e Alberto Antoniazzi, falecido h� dois anos, se firmaram em Belo Horizonte. Pigi conta que a grande alegria do seu grupo de estudantes, nas horas vagas, era vencer as cercas dos fundos para visitar os aglomerados. “O mundo favelado sempre foi uma preciosidade. As favelas s�o um rio de humanidade que preenche a cidade todas as manh�s com o sol de seus oper�rios”, considera. Para o padre, aglomerados s�o �reas de fam�lias. “Em Belo Horizonte, o tr�fico est� mais presente na Savassi do que nas favelas”, considera.

Na salinha m�nima, feita escrit�rio, nos fundos da Igreja de Santo Ant�nio, n�o h� computador. De tecnologia, uma m�quina de xerox apenas. Em evid�ncia, uma surrada Olivetti num apoio de canto, abastecida com folha de trabalho em curso. Sobre a mesa, n�meros. “N�o s�o meus. S�o do IBGE: em Belo Horizonte, uma pessoa em cada sete � favelada. Uma outra, tamb�m em cada sete, � sem-casa. Esses s�o os mais sofridos porque s�o invis�veis. Est�o jogados nas moradias muitas vezes indignas dos pais ou sofrendo para dar conta de pagar aluguel”, diz com sotaque milan�s. Pigi tem em m�os, listados, 11 grandes terrenos, que, segundo ele, dariam para abrigar 86 mil fam�lias. “Nosso d�ficit � de 70 mil. Mas o poder p�blico n�o vai atender os sem-casa, com desculpas ambientalistas”, avalia.

Com a autoridade de quem conhece a fundo as batalhas sociais desde os anos 1960 – atualmente, ajudando na assist�ncia a 35 mil moradores de 10 comunidades –, padre Pigi critica pol�ticas p�blicas “assistencialistas” e chama de “agiota mundial” o poder econ�mico internacional, recorrendo ao pensamento deixado pelo Papa Pio XII: “N�o haver� paz no mundo enquanto n�o houver um governo �nico”. Ele lamenta ainda o vazio cada vez maior no cora��o dos homens. Para Pigi, todo aquele que abandona Deus se torna carrasco dos pobres.

Chinelas, enxadas e fac�es

N�o se abra�a causa t�o complexa, com tamanha intensidade, sem fazer inimigos. No fim dos anos 1990, para proteger 3 mil fam�lias que sonhavam erguer suas casas em terreno pago em presta��es na regi�o metropolitana, padre Pigi conta que, “amea�ados de morte por jagun�os armados at� os dentes”, ele e as fam�lias enfrentaram autoridades e gente mancomunada. “Os jagun�os chegaram e tomaram conta do terreno que j� estava sendo pago. Foi numa segunda-feira de manh�, n�o esque�o. Se o dinheiro pago pelo grupo de pobres, revoltados, n�o tivesse sido devolvido at� o fim de semana, certamente teria sido a maior trag�dia da terra da hist�ria de Minas Gerais”. Acolhidos pela lideran�a de padre Pigi, os sem-casa recuaram com suas chinelas, enxadas e fac�es.

Preso v�rias vezes, sempre � frente de desfavorecidos, o homem de f� n�o se abate. Avesso � tecnologia, Pigi d� valor � liberdade e re�ne for�as para manter seus contatos sempre ao alcance dos olhos, custe o que custar. “Fiz quest�o de n�o aprender a usar o computador para n�o ser escravizado pela inform�tica”, conta. Diz n�o fazer uso de telefone celular pelo mesmo motivo. Com a sa�de prejudicada, � espera de novo tratamento contra o c�ncer, o defensor dos pobres e oprimidos n�o se d� por vencido. No entanto, revela vontade frustrada no cora��o. “Viemos para Belo Horizonte com o sonho de criar comunidades crist�s nas escolas secundaristas e nas universidades. Pelo futuro. N�o conseguimos. As pessoas acham que n�o � poss�vel criar comunidades crist�s no ambiente de estudo. Isso � um equ�voco e contribui para o esvaziamento do esp�rito, da concep��o crist� da vida”.

Pigi, sem esconder o cansa�o dos males que tem enfrentado, fala com alegria sobre maio, quando vai ser iniciada uma s�rie de encontros preparat�rios para a IV Assembleia do Povo de Deus. At� o fim do ano, leigos e religiosos concentram esfor�os em busca de novas diretrizes para os novos tempos. Para o padre, pelo futuro, o momento � de a��es ainda mais localizadas. “Nossa par�quia atende 10 comunidades de bairros e estamos batalhando para criar comunidades de rua”, explica. Hoje, no entorno do Bairro Primeiro de Maio, Pigi conta com o apoio do padre C�ssio Ferreira Borges, de 45, respons�vel pela Par�quia de Todos os Santos. Passado de vit�rias e derrotas revolvido, de sand�lias de borracha e camisa de malha furada, padre Pigi ajeita os �culos para suspirar, sorrir e encerrar a entrevista. Ao fundo, na parede da cor da esperan�a, reluz o retrato de belas ovelhas em pastos verdejantes.


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