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Estado de Minas

Col�gio Estadual Central ser� revitalizado

Conjunto arquitet�nico da Escola Professor Milton Campos, obra de Oscar Niemeyer, vai passar por restaura��o. Pr�dios tombados pelo Iphan receber�o recursos de R$ 12 milh�es


postado em 13/06/2013 07:00 / atualizado em 13/06/2013 07:11

(foto: Marcos Michelin/EM/D.A)
(foto: Marcos Michelin/EM/D.A)

Tra�os que remetem ao ambiente escolar: o pr�dio das salas de aula � uma r�gua, o giz virou caixa-d’�gua, a cantina tem forma de borracha e o audit�rio, um mata-borr�o (instrumento que servia para secar o excesso de tinta no papel). O conjunto da Escola Estadual Professor Milton Campos – o Col�gio Estadual Central –, cria��o do arquiteto Oscar Niemeyer, vai passar por reformas. Localizados na Rua Fernandes Tourinho, no Bairro de Lourdes, Regi�o Centro-Sul de Belo Horizonte, os pr�dios da institui��o de ensino s�o tombados pelo Instituto do Patrim�nio Hist�rico e Art�stico Nacional (Iphan). Para resgatar as caracter�sticas do projeto original, de 1956, ser�o investidos R$ 12 milh�es. A previs�o � que tudo fique pronto em um ano e meio.

O vice-diretor, Jo�o Martins Braga, trabalha na Milton Campos desde 1990 e n�o se lembra de quando foi a �ltima reforma. “Tivemos alguns arranjos h� oito anos no audit�rio em parceria com um banco e fizemos adequa��es para o atendimento do ensino fundamental, em 1990”, disse. Segundo Braga, o telhado est� cheio de vazamentos e a �gua da chuva passa pela laje. A rede el�trica � ultrapassada e n�o suporta a carga dos novos equipamentos. A cantina, onde s�o preparadas refei��es para mais de 3,2 mil alunos, tamb�m sofre com a a��o do tempo. Vidros quebrados em portas e janelas p�em em risco a seguran�a dos estudantes. “Essa reforma veio numa boa hora. Vai melhorar as condi��es ambientais da escola. S� pintar as paredes n�o resolve. Tem que ser uma reforma profunda”, afirmou o vice-diretor.

T�o importante quanto a arquitetura � a hist�ria da escola. Ela foi aberta em 5 de fevereiro de 1854, com a instala��o do Liceu Mineiro em Ouro Preto, na Rua do Ros�rio, primeiro estabelecimento de ensino p�blico de Minas Gerais. S�o 148 anos. Com a mudan�a da capital para Belo Horizonte, a escola tamb�m foi transferida para atender os filhos dos funcion�rios p�blicos. “Primeiro, ficou provisoriamente na Pra�a Afonso Arinos, depois na Rua da Bahia e na Avenida Augusto de Lima”, contou Braga. A institui��o tamb�m mudou de nome. Primeiro foi o Liceu Mineiro, depois Col�gio Mineiro at� Milton Campos.

Nos bancos das salas de aula j� sentaram grandes personalidades. A presidente da Rep�blica, Dilma Rousseff, � uma delas, aluna na d�cada de 1960. Tamb�m tem o cartunista Henfil e seu irm�o, o soci�logo Betinho, Elke Maravilha, os atores Jos� Mayer e Marieta Severo, o ex-jogador Tost�o, o escritor Fernando Sabino e o ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral Sep�lveda Pertence. Para a cerim�nia que marca o in�cio da reforma retornam hoje ao col�gio o ex-aluno Alberto Pinto Coelho, vice-governador de Minas, e a secret�rio de Estado de Educa��o, Ana L�cia Gazzola.

INTERIOR
Historicamente, muitos alunos saem do interior em busca de um ensino de qualidade no Milton Campos. Na d�cada de 1990, segundo o vice-diretor, era comum fam�lias mandarem seus filhos para estudar no Estadual Central. “Chegamos a ter mais de 5 mil alunos vindos do interior”, disse Braga. E at� hoje � assim. Sara Carvalho, de 16 anos, � de Salto da Divisa, no Vale do Jequitinhonha. “Eu me sinto orgulhosa de estar na escola onde estudou a nossa presidente Dilma. O col�gio sempre teve uma boa reputa��o e meu irm�o j� tinha estudado aqui. Minha m�e insistiu muito para que eu viesse tamb�m”, conta a aluna.

Para a colega Karen Cristina Rodrigues, de 16, a escola d� oportunidade para a pessoa crescer. “Os professores s�o atenciosos, a arquitetura bonita, o ambiente � tranquilo e sem viol�ncia”, destaca. Quando foi para a escola, Francielle Alves, de 16, foi advertida por amigos de que o ensino era muito puxado. “Mas aprendi que todos t�m capacidade e o incentivo dos professores ajuda muito. Eles j� preparam a gente para o vestibular e muitos j� saem daqui direto para a faculdade”, disse. Francielle acha importante a restaura��o da escola para conservar o patrim�nio e garantir que outras pessoas possam desfrutar dela no futuro. Os pr�dios s�o cercados por uma imensa �rea verde. Grupos de aluno aproveitam a harmonia do lugar para tocar viol�o e cantar na hora do intervalo. “Acho o Estadual Central refer�ncia para todas as escolas p�blicas de Minas, pela sua beleza arquitet�nica e qualidade do ensino. Os professores passam por v�rias provas de qualifica��o e fiquei surpreso com a quantidade de laborat�rios, o que n�o tem nas outras escolas”, disse Henrique Gon�alves, de 19, dando pausa no viol�o.

(foto: Marcos Michelin/EM/D.A)
(foto: Marcos Michelin/EM/D.A)


Quarteir�es em �rea nobre de BH

A Escola Estadual Professor Milton Campos hoje ocupa dois quarteir�es, cerca de 11 mil metros quadrados, em uma das regi�es mais nobres de Belo Horizonte. O anexo I, com as obras de Oscar Niemeyer, abriga 30 salas de aula com 35 alunos cada uma, a administra��o, audit�rio para 400 lugares, laborat�rios, jardins e a cantina. O anexo II, que tamb�m ser� reformado, � separado pela Rua Ant�nio de Albuquerque e tem instala��es mais recentes, da d�cada de 1970. Nele h� oito quadras esportivas, algumas da �poca da constru��o da escola, piscina ol�mpica e mais 20 salas de aula com 25 alunos cada. “O anexo I, por ser tombado pelo patrim�nio, precisa passar por outros tr�mites legais para ser reformado. N�o depende s� do nosso desejo de querer”, disse o vice-diretor, Jo�o Martins Braga.

Os pr�dios de Niemeyer n�o t�m tijolos e as paredes s�o em concreto armado. O teto da unidade das salas de aula � cheio de pequenos furos que servem de ventila��o. As salas de aula t�m mais de 5 metros de altura. O acesso ao andar superior, que � sustentado por colunas, � feito por uma rampa de mais de 3 metros de largura. Do outro lado, pr�ximo ao setor administrativo, os degraus da escada saem da parede e ficam suspensos. O teto do audit�rio recebeu uma l� de vidro h� alguns anos, mas o problema da infiltra��o voltou e parte do revestimento caiu.

Com a reforma, o bloco das salas de aula vai ganhar uma plataforma de deslocamento vertical para melhorar as condi��es de acessibilidade, al�m de telhas termoac�sticas que diminuem os ru�dos externos, e quebra-s�is, que v�o impedir a incid�ncia direta da luz externa nas salas de aula. O audit�rio vai ganhar um novo sistema de ar-condicionado e som, al�m de novas esquadrias. Outra interven��o ser� a impermeabiliza��o da laje de cobertura. Os jardins tamb�m ser�o reformados. J� na unidade II ser� constru�do um anexo, que receber�, entre outros espa�os, os vesti�rios e os laborat�rios de qu�mica e de ci�ncias.


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