O presidente da C�mara dos Deputados, Eduardo Cunha, aceitou nesta quarta-feira o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, por adultera��o das contas p�blicas, em um processo que poder� levar ao fim do governo do Partido dos Trabalhadores.
"Trata-se de autorizar a abertura, n�o de julgar o m�rito; ser� a comiss�o especial que poder� acolher ou rejeitar" o pedido de impeachment, disse Eduardo Cunha em entrevista coletiva.
"N�o fa�o isto com qualquer felicidade, sei que � um gesto delicado em um momento em que o pa�s atravessa uma situa��o dif�cil", tanto do ponto de vista econ�mico como pol�tico, disse Cunha.
Dilma reagiu � medida com um breve discurso no qual denunciou "que nos �ltimos tempos, e em especial nos �ltimos dias, a imprensa noticiou que haveria interesse na barganha dos votos de membros da base governista no Conselho de �tica da C�mara dos Deputados".
"Em troca, haveria o arquivamento dos pedidos de impeachment. Eu jamais aceitaria ou concordaria com quaisquer tipo de barganha; muito menos aquelas que atentam contra o livre funcionamento das institui��es democr�ticas do meu pa�s...".
A presidente disse ter "convic��o e absoluta tranquilidade quanto � improced�ncia deste pedido, bem como quanto ao seu justo arquivamento". "N�o podemos deixar que as conveni�ncias e os interesses indefens�veis abalem a democracia do nosso pa�s. Temos que ter tranquilidade e confiar nas nossas institui��es e no estado democr�tico de direito".
Ap�s adiar sua decis�o sobre o pedido de impeachment durante meses, Cunha decidiu passar a a��o no mesmo dia em que os tr�s deputados do Partido dos Trabalhadores (PT) no Conselho de �tica revelaram seu voto a favor da abertura de uma investiga��o contra o presidente da C�mara por mentir sobre contas que mant�m na Su��a.
O processo no Conselho de �tica tem o potencial de cassar o mandato de deputado de Eduardo Cunha.
A decis�o do presidente da C�mara, que � investigado por corrup��o no esc�ndalo envolvendo a Petrobras, dever� ser agora analisada por uma comiss�o de deputados. Se for aprovado, o pedido de impeachment segue para o plen�rio da C�mara.
Com os votos de 342 do total de 513 deputados, Dilma poder� ser afastada da presid�ncia para dar andamento ao processo.
Na coletiva, Eduardo Cunha assinalou que j� havia rejeitado mais de trinta pedidos de impeachment contra a presidente Dilma este ano.
O primeiro passo para o eventual impeachment de Dilma, cuja administra��o � aprovada por apenas 10% da popula��o, aprofunda a crise na s�tima economia do planeta, ao final de um ano muito turbulento.
O pedido de impeachment ocorre em meio a uma profunda crise econ�mica, com o Brasil atravessando uma recess�o que durar� dois anos consecutivos, a mais longa desde os anos 1930-1931.
Eduardo Cunha acatou o pedido de impeachment realizado por um grupo de juristas independentes - incluindo o ex-fundador do PT Helio Bicudo - que acusam a presidente Dilma de maquiar as contas p�blicas com as chamadas "pedaladas fiscais", o que implica em "crime de responsabilidade" pass�vel de destitui��o do cargo.
O impeachment conta com o apoio de diversos partidos da oposi��o, entre eles o PSDB, do candidato derrotado � presid�ncia A�cio Neves, e de parte do PMDB, partido que integra a base de apoio do governo petista.
