O Transtorno de D�ficit de Aten��o e Hiperatividade (TDAH) � amplamente considerado uma condi��o que afeta crian�as, mas algumas pessoas podem desenvolv�-lo durante a vida adulta - apontam dois estudos diferentes, do Brasil e do Reino Unido, publicados no peri�dico cient�fico JAMA Psychiatry nesta quarta-feira.
Os estudos sugerem que o in�cio tardio do TDAH pode ser uma desordem pr�pria e distinta, j� que muitos adultos jovens diagnosticados n�o tiveram o transtorno durante a inf�ncia.
Al�m disso, no caso dos adultos diagnosticados com TDAH, os sintomas de falta de aten��o, hiperatividade e impulsividade eram, em geral, mais severos do que os observados em crian�as e tendiam a vir acompanhados de acidentes de carros, pris�es e comportamentos criminosos, disseram os pesquisadores.
"Nossa pesquisa traz novos esclarecimentos sobre o desenvolvimento e o in�cio do TDAH, mas tamb�m levanta muitas quest�es sobre o TDAH que surge ap�s a inf�ncia", disse a coautora de um dos estudos, Louise Arseneault, professora na King's College, de Londres.
"Qu�o similar, ou diferente, � o TDAH de in�cio tardio em compara��o com o TDAH que come�a na inf�ncia? Como e por que o in�cio tardio aparece? Quais tratamentos s�o mais eficazes para o TDAH de in�cio tardio? Essas s�o as quest�es que dever�amos estar procurando responder", disse Arseneault.
Estima-se que cerca de 4% dos adultos apresentam TDAH.
Segundo o crit�rio para o diagn�stico cl�nico, o TDAH se manifesta quando uma crian�a menor de 12 anos mostra pelo menos seis tipo de comportamentos desatentos, ou impulsivos, que interferem no seu desenvolvimento por seis meses consecutivos.
- Duas s�ndromes -
No estudo brit�nico, com mais de 2.000 g�meos, 166 indiv�duos foram considerados como portadores de TDAH adulto, e 68% deles "n�o preencheram os crit�rios para TDAH em nenhuma avalia��o na inf�ncia".
A pesquisa determinou o TDAH em crian�as com base em depoimentos de m�es e de professores, coletados nas idades de 5, 7, 10 e 12 anos.
Para adultos, que tinham entre 18 e 19 anos quando estudados, o diagn�stico era feito partindo-se de uma entrevista, na qual os sujeitos relatavam seus pr�prios sintomas e comportamentos.
Entre os adultos, pesquisadores da King's College London encontraram "um grupo menor com TDAH persistente" desde a inf�ncia.
Talvez o TDAH adulto com in�cio na inf�ncia e o TDAH adulto com in�cio tardio tenham causas diferentes, as quais "t�m implica��es para estudos gen�ticos e para o tratamento do TDAH", diz o estudo.
Analisando os dados dos g�meos, os pesquisadores tamb�m descobriram que o TDAH adulto era menos prov�vel de ocorrer na mesma fam�lia do que o TDAH na inf�ncia, e que aparecia quase com a mesma frequ�ncia em homens e mulheres - ao contr�rio do TDAH na inf�ncia, muito mais comum em meninos.
"N�s descobrimos que aqueles com TDAH de in�cio tardio apresentam elevados �ndices de ansiedade, depress�o e depend�ncia de maconha e �lcool", acrescenta o estudo.
O estudo do Brasil, que acompanhou mais de 5.000 pessoas a partir de 1993, observou que poucos adultos (12%) com TDAH haviam sido diagnosticados quando crian�a, e que poucas crian�as diagnosticadas com TDAH (17%) continuaram a ter a s�ndrome na vida adulta.
Isso sugere "a exist�ncia de duas s�ndromes que t�m trajet�rias de desenvolvimento distintas", afirma o estudo.
Aqueles que foram diagnosticados com TDAH de in�cio tardio mostraram "altos n�veis de sintomas, comprometimentos e outros dist�rbios de sa�de mental", relata a investiga��o.
Mais pesquisas s�o necess�rias para revelar outros fatores que podem contribuir para o aparecimento do TDAH em adultos, e se ele deve ser considerado um dist�rbio distinto do TDAH na inf�ncia.
- Conclus�es prematuras -
Um editorial que acompanha a publica��o, assinado por Stephen Faraone, da SUNY Upstate Medical University, em Nova York, e Joseph Biederman, da Harvard Medical School, em Massachusetts, classificou as conclus�es como interessantes, mas "prematuras".
Os diagn�sticos de TDAH em adultos jovens derivaram de sintomas autorrelatados, que s�o "menos confi�veis" do que os relatos de pais e professores, comentaram Faraone e Biederman.
"Os adultos nos estudos do Brasil e do Reino Unido tinham entre 18 e 19 anos. Essa � uma fatia muito pequena da vida adulta para tirar conclus�es definitivas", avalia o texto.
Em vez disso, os pesquisadores devem considerar os dados como um "chamado" para realizar estudos mais rigorosos sobre o TDAH, e os m�dicos que tratam pacientes devem estar cientes de que o TDAH de in�cio tardio existe e deve ser tratado - mesmo que a literatura m�dica diga que o transtorno deva ser diagnosticado at� os 12 anos de idade -, de acordo com o editorial.
"O atual crit�rio de in�cio baseado na idade para o TDAH, apesar de estar baseado nos melhores dados dispon�veis, pode n�o estar correto", alertaram os pesquisadores.
"Esperamos que pesquisas futuras determinem se e como esse crit�rio deve ser modificado", completam.
