O grupo Estado Isl�mico (EI) divulgou, nesta quarta-feira � noite (27), o v�deo de uma declara��o de lealdade dos dois assassinos de um padre em uma igreja na Fran�a, enquanto autoridades religiosas e pol�ticas do pa�s defendiam a unidade diante do risco de fraturas.
Divulgado pela ag�ncia Amaq, o �rg�o de propaganda do EI, o v�deo mostra dois jovens ao lado de uma bandeira do EI, um deles recitando em �rabe, com um forte sotaque, o tradicional serm�o de fidelidade ao "emir dos crentes" Abu Bakr al-Baghdadi.
Ontem, dois extremistas degolaram o padre Jacques Hamel, de 86, e feriram gravemente uma pessoa na igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray, na Normandia. No mesmo dia, o EI reivindicou a responsabilidade pelo ataque, afirmando que foi realizado por dois de seus "soldados", segundo a ag�ncia Amaq.
Nesta quarta-feira, o presidente franc�s, Fran�ois Hollande, pol�ticos da maioria e da oposi��o, entre eles o ex-presidente Nicolas Sarkozy, assim como representantes de todas as religi�es, assistiram a uma missa em mem�ria ao padre Jacques Hamel, na Catedral Notre-Dame-de-Paris.
Longe das pol�micas pol�ticas deflagradas ap�s o atentado de 14 de Julho sobre as condi��es de seguran�a em Nice e das vaias que recepcionaram o primeiro-ministro Manuel Valls quando ele compareceu para participar de uma homenagem aos 84 mortos, a cerim�nia em Notre-Dame teve um tom de gravidade e de recolhimento.
Antes de deixaram o templo, o presidente Hollande e o arcebispo de Paris, Andr� Vingt-Trois, foram aplaudidos.
"� preciso que a gente afirme nossa f�. N�s podemos ir � missa. H� muitos crist�os no mundo que n�o t�m essa chance", comentou Mathilde, de 36, que compareceu para "mostrar que n�o temos medo" e para "ficarmos juntos".
O assassinato do padre foi o primeiro cometido em um lugar de culto cat�lico na Europa. V�rias homenagens e cerim�nias est�o previstas at� o fim da semana em Saint-Etienne-du-Rouvray, no sub�rbio de Rouen.
Na cidade, rosas brancas, bichos de pel�cia e velas se acumulavam nesta quarta na entrada da prefeitura, assim como in�meras mensagens.
Hoje, lideran�as religiosas foram recebidas juntas por Fran�ois Hollande.
Para o arcebispo Vingt-Trois, os fi�is da Fran�a "n�o devem se deixar levar pelo jogo pol�tico" do EI, que "quer colocar uns contra os outros os filhos de uma mesma fam�lia".
A caminho das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), em Crac�via, o papa Francisco fez um apelo pela paz. "Se o mundo est� em guerra, trata-se uma guerra de interesses, de dinheiro, de recursos, n�o de religi�es".
Problemas de comportamento
A investiga��o sobre o ataque contra a igreja j� levou � identifica��o de um dos assassinos, Adel Kermiche, um franc�s de 19 anos.
Oriundo de uma fam�lia de origem argelina e com problemas de comportamento, ele usava uma pulseira eletr�nica desde mar�o, depois de passar meses preso por ter tentado ir � S�ria, duas vezes, em 2015.
A identifica��o de seu c�mplice, abatido pela Pol�cia, ainda n�o foi formalmente estabelecida. Os investigadores suspeitam se tratar de Abdel Malik P., de 19 anos.
Diante das demandas da direita pelo endurecimento da legisla��o antiterrorista, o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, rejeitou a ideia de deten��o de pessoas fichadas por radicaliza��o: "� inconstitucional" e "totalmente ineficaz".
Acusado pela direita de ter mentido sobre o dispositivo de seguran�a mobilizado para a noite de 14 de Julho, quando um tunisiano atropelou a multid�o, o ministro conseguiu se apoiar em um relat�rio da "Pol�cia das Pol�cias", segundo o qual esse dispositivo n�o estava subdimensionado.
Os apelos por "coes�o" da sociedade lan�ados pelo Executivo s�o dificultados pela forte impopularidade de Hollande, enquanto as posi��es de ambos os lados se endurecem com a proximidade da elei��o de 2017.
"O verdadeiro risco � a radicaliza��o de uma parte da opini�o cat�lica, da qual uma parte n�o negligenci�vel j� vota na Frente Nacional", o partido de extrema-direita, avalia o historiador franc�s Odon Vallet, especialista em Religi�o.
Atingida tr�s vezes em 18 meses por atentados extremistas sem precedentes - 17 mortos, em janeiro de 2015; 130, em 13 de novembro; 84, em 14 de julho) -, a Fran�a permanece sob uma "amea�a muito elevada", repetiu Hollande na ter�a-feira.
