Tr�s dias ap�s o assassinato de um padre em uma igreja da Fran�a por dois jovens ligados ao grupo Estado Isl�mico, a promotoria francesa realizou, nesta sexta-feira, a primeira den�ncia ligada ao caso.
Um jovem de 19 anos, em cuja casa foi encontrado dias antes do ataque � igreja de Saint-�tienne-du-Rouvray um v�deo com os autores do assassinato, foi acusado de forma��o de quadrilha com objetivos terroristas, informou a pol�cia.
O v�deo encontrado em um telefone celular na casa do denunciado mostra Abdel Malik Petitjean, um dos assassinos do padre, jurando lealdade ao grupo Estado Isl�mico (EI) e se referindo a uma "a��o violenta".
O grupo jihadista reivindicou o ataque contra a Igreja no qual morreu o padre Jacques Hamel, 85 anos.
Petitjean, 19, estava fichado por radicaliza��o desde 29 de junho, depois de ter tentado viajar � S�ria.
O jovem apareceu proferindo amea�as contra a Fran�a em um v�deo divulgado por um �rg�o de propaganda do EI, a ag�ncia Amaq, segundo o centro americano de vigil�ncia de sites jihadistas (SITE).
Adel Kermiche, o outro terrorista que atacou a igreja na ter�a-feira, esteve na pris�o por 10 meses � espera de julgamento por ter tentado em duas ocasi�es viajar � S�ria.
Este jovem de 19 anos foi libertado em mar�o deste ano e colocado sob pris�o domiciliar com uma pulseira eletr�nica. A promotoria havia apelado, em v�o, da decis�o dos ju�zes de coloc�-lo em liberdade condicional.
Isso provocou uma onda de cr�ticas da direita e da extrema direita e v�rios l�deres pol�ticos exigem a ren�ncia do primeiro-ministro e do titular do Interior, Bernard Cazeneuve.
Outras tr�s pessoas est�o em pris�o preventiva sob suspeita de envolvimento no ataque: um refugiado s�rio, um franc�s de 30 anos do c�rculo de Petitjean e um menor de 16 anos cujo irm�o - amigo do outro assassino, Adel Kermiche - viajou para a S�ria ou Iraque em mar�o de 2015.
Nesta sexta-feira, Valls reconheceu o fracasso do sistema judicial ap�s o assassinato do padre, e anunciou que cogita proibir temporariamente o financiamento estrangeiro de mesquitas.
Embora a cr�tica de Manuel Valls n�o tenha sido dirigida diretamente ao governo, sua declara��o contrasta com a rea��o que o gabinete teve ap�s o massacre em Nice (sul) de 14 de julho, que deixou 84 mortos.
Naquele momento, o governo se negou a reconhecer a menor falha que fosse no dispositivo de seguran�a, apesar das cr�ticas iradas da direita.
O primeiro-ministro advertiu em uma entrevista ao jornal franc�s Le Monde que a decis�o da justi�a antiterrorista de libertar em mar�o um dos dois criminosos da igreja de Saint Etienne de Rouvray foi um fracasso. "� preciso reconhecer isso".
"Isso deve levar os ju�zes a um enfoque diferente, caso a caso, levando-se em conta as pr�ticas de dissimula��o dos terroristas", ressaltou.
Valls afirmou que n�o ser� ele "que, menosprezando todo equil�brio de poderes, cair� na facilidade de apontar os ju�zes como os respons�veis pelo ato terrorista".
Depois dos atentados terroristas de julho, em um pa�s que j� foi v�tima de dois ataques em 2015, que deixaram 147 mortos em janeiro e novembro, o primeiro-ministro se mostrou favor�vel a proibir o financiamento estrangeiro das mesquitas.
Al�m disso, afirmou desejar "inventar uma nova rela��o" com o Isl� na Fran�a e que os im�s sejam formados na Fran�a, "e n�o em outro lugar".
Ap�s uma reuni�o nesta semana entre o presidente, Fran�ois Hollande, e os representantes de diferentes cultos, o reitor da Grande Mesquita de Paris, Dalil Boubakeur, tamb�m sugeriu "uma certa reforma nas institui��es" do Isl�.
Com o objetivo de deter a propaga��o de ideias terroristas, as autoridades fecharam nos �ltimos meses v�rias mesquitas consideradas salafistas.
A alguns meses das prim�rias que ser�o realizadas antes das elei��es presidenciais de abril de 2017, as acusa��es cruzadas entre os diferentes partidos devido aos atentados cresceram.
Florian Philippot, um dos respons�veis do partido ultradireitista Frente Nacional, respondeu �s declara��es de Valls no Le Monde e considerou que "normalmente, quando uma pessoa � l�der pol�tica, assume as consequ�ncias apresentando sua ren�ncia".
Por sua vez, pedindo � oposi��o que seja "digna e respeitosa", o primeiro-ministro acusou o chefe do partido conservador Os Republicanos (LR), o ex-presidente Nicolas Sarkozy, de "perder os nervos" depois de ter dito nesta semana que a esquerda estava "paralisada" pela "viol�ncia e barb�rie".
