Eles sabiam h� meses que eram alvos de hackers e acreditavam ter tomado todas as precau��es. No entanto, os especialistas digitais do candidato centrista � presid�ncia francesa Emmanuel Macron n�o puderam evitar a pirataria em massa de algumas de suas contas.
Na sexta-feira � noite, uma hora antes do final oficial da campanha presidencial, milhares de documentos internos do movimento Em Marcha! (e-mails, documentos cont�beis, cita��es, faturas) apareceram nas redes sociais e se espalharam na velocidade da luz.
"Foi simplesmente incr�vel o que vimos", comentou o pesquisador belga Nicolas Vanderbiest, especialista em boatos na internet, que transmite em suas contas no Twitter cartografias detalhadas do "Macronleaks", enquanto o ex-ministro da Economia � apontado como grande favorito nas pesquisas contra a candidata da extrema-direita Marine Le Pen.
Esta "opera��o de desestabiliza��o, de hacking maci�o e coordenado" - nas palavras do movimento Em Marcha! - era contra o que Mounir Mahjoubi, respons�vel pelo setor digital da campanha de Emmanuel Macron, e sua equipe tentavam se proteger desde o an�ncio da candidatura do ex-banqueiro para presidente.
"Ningu�m leva isso na brincadeira", assegurou em fevereiro � AFP Mahjoubi, de 32 anos, ex-presidente do Conselho Nacional Digital, um comit� consultivo independente: para a sua terceira campanha, depois daquela da socialista S�gol�ne Royal em 2007 e de Fran�ois Hollande em 2012, "esta foi a primeira vez que, em todos os n�veis, todos tomaram consci�ncia de que dever�amos nos proteger e aplicar melhor as regras".
A equipe de campanha de Emmanuel Macron, que disp�e de meios equivalentes aos de um pequeno neg�cio e n�o aos de uma grande empresa, estabeleceu servidores protegidos por softwares de filtragem sofisticada, defendeu o uso de aplicativos de mensagens e redes criptografadas, autentica��o dupla ou tripla para acesso a servi�os de e-mail, v�rios silos de bases de dados isolados como fortalezas e uso de senhas complexas trocadas regularmente.
Mas os hackers experientes, cuja ofensiva pode levar semanas ou meses, muitas vezes acabam por encontrar uma brecha de entrada.
- 'en-nnarche.com' -
"Neste tipo de organiza��o, a verdadeira potencial falha, � humana", assegurou recentemente � AFP o chefe dos servi�os de inform�tica do Em Marcha!, que pediu para permanecer an�nimo. Porque os procedimentos de seguran�a podem ser longos e tediosos, e alguns podem ser tentados a ignor�-los usando servi�os de e-mail pessoais mal protegidos.
Em 25 de abril, um relat�rio da empresa japonesa de ciberseguran�a Trend Micro atribuiu ao grupo russo Pawn Storm, tamb�m conhecido pelos nomes de Fancy Bears, Tsar Team e APT28, uma tentativa de phishing em grande escala contra a campanha de Macron. Este relat�rio confirmou a "intui��o" de equipe de Mounir Mahjoubi.
O grupo russo, suspeito de la�os estreitos com os servi�os de seguran�a russos, tamb�m � acusado de ter visado durante a recente campanha presidencial americana o Partido Democrata da candidata Hillary Clinton.
Neste tipo de ataque, que n�o necessita de meios sofisticados, os hackers podem explorar falhas de seguran�a nos softwares utilizados, que podem ser abertos, por exemplo, durante uma atualiza��o, ou criar "sites espelhos" do tipo "en-nnarche.com", esperando que algu�m em uma leitura r�pida confunda "nn" e "m" e caia na armadilha, revelando os c�digos de acesso.
O princ�pio de phishing, um cl�ssico no arsenal dos hackers, � enviar um grande n�mero de e-mails falsos, muitas vezes contendo anexos infectados, esperando na outra extremidade que um internauta distra�do clique sobre eles, criando uma brecha no sistema.
Apesar de ter reagido rapidamente � pirataria e assegurado que "tomaria todas as iniciativas necess�rias junto aos atores p�blicos e privados para esclarecer esta opera��o sem precedentes em uma campanha eleitoral francesa", o movimento de Emmanuel Macron n�o parecia particularmente preocupado com o conte�do dos documentos publicados e o dano que a sua divulga��o poderia causar.
"Fomos informados ontem � noite", confidenciou neste s�bado de manh� � AFP Bazira Khiari, delegada nacional do "Em Marcha!". "Pediram apenas que mud�ssemos os nossos c�digos de acesso".
