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Estado de Minas

A circuncis�o tradicional, um perigoso rito de passagem


postado em 25/07/2017 15:10

Nu, com o corpo coberto de argila e o p�nis envolto em folhas, Abongile Maqegu se recupera lentamente de uma circuncis�o realizada com faca e sem anestesia, um rito de passagem na �frica do Sul que pode se transformar num verdadeiro drama.

Para Abongile, um jovem sul-africano de 20 anos, a dor � inerente � experi�ncia que, na cultura xhosa, marca a entrada na idade adulta.

"� necess�rio sofrer para provar que se � um homem", explica � AFP em uma cabana nos arredores de Coffee Bay, uma aldeia da prov�ncia do Cabo Oriental, no sudeste da �frica do Sul.

"Fazer uma circuncis�o em um ambiente hospitalar � a solu��o f�cil", diz. "Zombamos de quem vai ao hospital".

Abongile � um dos milhares de jovens da etnia xhosa que, a cada ano durante o inverno, se submetem � circuncis�o segundo o ritual ancestral, que se assemelha, devido � dor, a um desafio de resist�ncia f�sica.

Uma vez realizada a interven��o por um "anci�o", o jovem se v� confinado, durante um m�s no m�ximo, em uma cabana com teto de palha junto com outro dois colegas de sofrimento.

Um "curandeiro", sem forma��o cient�fica, monitora constantemente os pacientes, para agir caso haja alguma complica��o.

- Cabra sacrificada -

Durante um m�s, os "iniciados" s�o proibidos de ter qualquer contato com mulheres, sendo seus pais e outros jovens que se submeteram ao ritual os �nicos autorizados a visit�-los.

Para matar o tempo, os jovens jogam cartas sobre uma manta no ch�o enquanto reavivam uma fogueira para se manter aquecidos.

Depois de duas semanas, "sacrificamos uma cabra para apaziguar os esp�ritos", relata Lukholo Marhenene, um curandeiro de 21 anos.

Em honra � tradi��o, receber ajuda m�dica � inconceb�vel. "Se voc� vai ao hospital, voc� � fraco, n�o � um homem. N�o deve curar suas feridas com Betadine", um antiss�ptico, afirma Abongile.

"H� rem�dios tradicionais especialmente para isso", assegura.

Um curativo b�sico feito com folhas e atado com um cord�o oculta seu membro, coberto de pomada artesanal.

A argila branca que cobre seu corpo possui propriedades cicatrizantes e anti-inflamat�rias, e acredita-se que conserva a temperatura corporal e afasta os maus esp�ritos.

- Centenas de mortos -

Em consequ�ncia das condi��es de higiene nas que � praticada, a circuncis�o tradicional provoca a cada ano um grande n�mero de v�timas - tanto mortos como homens que precisam ter seu membro amputado devido a graves infec��es.

Apenas neste inverno, ao menos 11 jovens perderam a vida no Cabo Oriental, "epicentro" do ritual na �frica do Sul, segundo as autoridades provinciais.

A circuncis�o tradicional � praticada tamb�m em outras prov�ncias, como KwaZulu-Natal, ao leste, e Mpumalanga, ao norte.

Foram registradas centenas de mortes em todo o pa�s desde 1995, segundo o governo.

Diante desta trag�dia, as autoridades do Cabo Oriental estabeleceram em 18 anos a idade m�nima para se submeter � interven��o.

Paralelamente, "este ano foram destinados recursos consider�veis para limitar a quantidade de v�timas", assegura Mxolisi Dimaza, presidente do comit� provincial de sa�de ap�s uma visita aos lugares onde se realiza o ritual.

A prov�ncia alugou 35 ve�culos 4X4 para visitar as "escolas de inicia��o" em uma regi�o de colinas declivosas, estradas de terra e caminhos �ngremes.

"H� escolas de inicia��o ilegais, que n�o est�o registradas junto �s autoridades e onde os iniciados com frequ�ncia t�m menos de 18 anos", se indigna Mxolisi Dimaza.

A circuncis�o tradicional faz parte da "nossa cultura. Mas se os pais desejam que seus filhos sejam circuncisados por m�dicos, n�o nos opomos", acrescenta, tentando reduzir a press�o social sobre as fam�lias.

- Circuncis�o contra a aids -

As autoridades sul-africanas encorajam a circuncis�o m�dica como ferramenta de luta contra a transmiss�o da aids, em um dos pa�ses mais afetados pelo HIV.

Mas os especialistas na epidemia, reunidos em Paris at� quarta-feira com ocasi�o de uma confer�ncia internacional, continuam preocupados com as cirurgias mal feitas e a falta de higiene com que esse interven��es podem ser feitas.

Fezikhaya Tselane, de 20 anos, acaba de viver essa experi�ncia. "Esperei este momento durante muito tempo. Todos os meus irm�os passaram por este processo", conta � AFP, sentado em uma esteira de palha sobre a qual se acumulam pratos sujos e garrafas de cerveja vazias.

"Agora posso me casar, ter a minha casa e os meus filhos e n�o depender mais dos meus pais", ele se entusiasma, apesar da dor.


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