Ele chegou a dar a Donald Trump o benef�cio da d�vida, mas agora a simples men��o do nome do presidente dos Estados Unidos faz Al Gore n�o esconder seu inc�modo.
"Ele � uma cat�strofe, � claro, mas ele efetivamente se isolou", diz o ex-vice-presidente dos Estados Unidos.
Uma d�cada depois do seu document�rio "Uma Verdade Inconveniente" repercutir como ondas de choque ao redor do mundo com suas advert�ncias de um desastre ambiental, Al Gore est� fazendo o alarme soar novamente sobre as mudan�as clim�ticas.
"Uma Sequ�ncia Inconveniente", lan�ado pela Paramount na sexta-feira, teve sua estreia mundial no Festival Sundance de Cinema um dia antes da posse de Trump, em 20 de janeiro.
Desde ent�o, o novo presidente colocou um ex-CEO da gigante do petr�leo ExxonMobil para representar os Estados Unidos no cen�rio mundial e nomeou um litigante anti-clima para administrar a Ag�ncia de Prote��o Ambiental (EPA).
Ele afrouxou as restri��es sobre as usinas de energia a carv�o e as emiss�es dos ve�culos, cortou o financiamento da EPA e reverteu o plano de energia limpa de seu antecessor Barack Obama.
Ent�o, anunciou a retirada do acordo de Paris sobre as mudan�as clim�ticas, assinado por 196 pa�ses.
"N�s vamos cumprir os compromissos dos Estados Unidos independentemente do que Donald Trump diz", disse Gore, de 69 anos, � AFP durante uma entrevista em Beverly Hills para promover seu filme.
"H� uma lei da f�sica que �s vezes funciona na pol�tica: para cada a��o h� uma rea��o oposta e de igual intensidade", afirmou.
"Agora h� uma insurrei��o progressiva para se organizar de uma forma que eu n�o via desde a Guerra do Vietn�", acrescentou.
Em uma das cenas mais intrigantes no final de "Uma Sequ�ncia Inconveniente", Gore vai a uma reuni�o com o ent�o presidente eleito na Trump Tower, em Nova York.
Na �poca, Gore expressou um otimismo cauteloso de que o movimento ambiental talvez pudesse fazer neg�cios com o novo presidente, mas desde ent�o ele abandonou a esperan�a.
"N�o vou desperdi�ar mais tempo tentando convenc�-lo, porque ele se cercou de uma galeria de criminosos c�ticos do clima", diz Gore.
Apesar das preocupa��es com o potencial dano ambiental de uma administra��o Trump, a sequ�ncia tem uma mensagem mais esperan�osa do que o seu antecessor.
"Houve duas grandes mudan�as desde o �ltimo filme. Primeiro, os eventos clim�ticos extremos relacionados ao clima se tornaram muito mais numerosos e mais destrutivos (...) em todo o mundo", disse Gore � AFP.
"Em segundo lugar, n�s temos as solu��es agora. Essa � uma mensagem esperan�osa da qual as pessoas precisam estar mais conscientes".
"O fato de que essas tecnologias de energia renov�vel, baterias em carros el�tricos e tantos outros tenham ficado mais baratos com uma velocidade t�o vertiginosa, � verdadeiramente um milagre", apontou.
Gore se tornou vice-presidente do governo de Bill Clinton durante um dos maiores 'booms' econ�micos do pa�s.
Em 2000, perdeu a elei��o presidencial para George W. Bush, e se reinventou como guru das mudan�as clim�ticas, ganhando o Pr�mio Nobel da Paz em 2007.
Gore descreve-se como um "pol�tico em recupera��o", no entanto, e diz que n�o tem planos de um retorno nas elei��es presidenciais de 2020.
"Quanto mais eu sigo sem uma reca�da, menos prov�vel isso se torna", diz � AFP.
