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Estado de Minas

Elei��o da Constituinte termina em dez mortos em dia violento na Venezuela


postado em 31/07/2017 02:52

Pelo menos dez pessoas morreram, neste domingo (30), em protestos durante a elei��o da Assembleia Constituinte do presidente Nicol�s Maduro, rejeitada por v�rios pa�ses.

Mais de oito milh�es de venezuelanos (41,53%) votaram, de acordo com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

"Nesta extraordin�ria participa��o, temos 41,53% do censo eleitoral da Venezuela: 8.089.320 votaram", anunciou a presidente do CNE, Tibisay Lucena.

Maduro celebrou o comparecimento �s urnas.

"Temos Assembleia Constituinte (...). � a maior vota��o que a Revolu��o Bolivariana conseguiu em toda a hist�ria eleitoral em 18 anos", disse o presidente, diante de centenas de seguidores que celebravam na pra�a Bol�var, centro de Caracas.

Em um comunicado do Departamento de Estado, Washington "condenou" a elei��o "viciada" e anunciou que continuar� "adotando medidas en�rgicas e r�pidas contra os art�fices do autoritarismo na Venezuela".

A oposi��o, que n�o participou da vota��o, convocou protestos para esta segunda-feira em todo pa�s e, para quarta, em Caracas, contra a instala��o da Constituinte.

"N�o reconhecemos este processo fraudulento. Para n�s, � nulo, n�o existe", disse o l�der Henrique Capriles, ao convocar os protestos em nome da coaliz�o Mesa da Unidade Democr�tica (MUD).

Dois adolescentes est�o entre os mortos durante as manifesta��es. Em muitos casos, esses atos se tornaram uma batalha campal travada com bombas de lacrimog�neo, balas de borracha, pedras e coquet�is molotov.

Um candidato � Constituinte faleceu na noite de s�bado, mas ainda n�o se sabe se a motiva��o foi pol�tica. Com essa escalada da viol�ncia, chega a 125 o n�mero de mortos em quatro meses de protestos pela sa�da de Maduro.

Com carros blindados e lan�ando bombas de g�s lacrimog�neo, militares invadiram violentamente os bairros El Para�so e Montalb�n (oeste de Caracas), em Maracaibo (oeste) e em Puerto Ordaz (sudeste), buscando manifestantes que bloquearam ruas com barricadas.

"N�o sei que �dio toma a gente, venezuelanos contra venezuelanos... Isso � uma guerra!", lamentou Conchita Ram�rez, em El Para�so, sem conter as l�grimas.

- 'Ponto de inflex�o' -

Para o governo, uma nova era come�a.

"Agora, n�s vamos para uma fase de contraofensiva. A ANC � um ponto de inflex�o", anunciou Diosdado Cabello, deputado da Assembleia Nacional.

O ministro da Defesa, Vladimir Padrino L�pez, pediu "aos pa�ses do mundo que respeitem a vontade popular deste povo que foi dar esta li��o de democracia".

Washington n�o especificou quais medidas tomaria contra "os art�fices do autoritarismo na Venezuela, incluindo aqueles que participarem da Assembleia Nacional Constituinte".

J� na semana passada, os Estados Unidos puniram 13 funcion�rios e militares pr�ximos a Maduro, entre eles a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena. Eles foram acusados de ruptura da democracia, viola��o dos direitos humanos e corrup��o.

M�xico, Col�mbia, Panam�, Argentina, Costa Rica, Peru, Paraguai e Espanha tamb�m anunciaram que n�o v�o reconhecer a legitimidade da Constituinte. O Brasil fez um apelo �s autoridades venezuelanas para que suspendam a instala��o da Assembleia.

- 'Queremos paz' -

"Vim votar para dizer aos gringos e aos opositores que queremos a paz, n�o a guerra, que apoiamos Maduro", declarou Ana Contreras, ao votar em uma se��o eleitoral.

Militares protegiam os postos de vota��o, onde os seguidores do governo elegeram 545 constituintes de um suprapoder que ficar� em vigor no pa�s por tempo indeterminado.

"Esta Constituinte nasce banhada em sangue. Nasce ileg�tima, porque � muito dif�cil poder auditar a quantidade de pessoas, mas tecnicamente podemos verificar que houve muitas irregularidades", comentou o analista N�cmer Evans, socialista cr�tico de Maduro.

A oposi��o se afastou odo processo, alegando que n�o foi convocada em um referendo e que seu sistema de elei��o de constituintes foi feito para que o governo a controle e elabore uma Carta Magna que instaure uma ditadura comunista.

Tamb�m gerou rachas no chavismo: a procuradora-geral Luisa Ortega denunciou um rompimento da ordem democr�tica.

J� a ex-chanceler e candidata Delcy Rodr�guez garantiu que a Constituinte "n�o � para aniquilar o advers�rio", mas para promover o di�logo, segundo entrevista � AFP.

- 'Cavar seu pr�pria t�mulo' -

Maduro e sua Constituinte contam com apoio dos poderes Judici�rio, Eleitoral e Militar. Mas, asfixiados pela escassez de alimentos e rem�dios e, em meio a uma brutal infla��o, 80% de venezuelanos rejeitam seu gest�o e, 72%, seu projeto, segundo o Datan�lisis.

"Maduro est� muito enfraquecido e sendo pressionado. Se respeitar a Constitui��o e convocar elei��es, o chavismo seria perdedor. Com essa aposta, rejeitada em massa no pa�s e no exterior, tenta ganhar tempo e se perpetuar no poder", disse � AFP o presidente do Inter-American Dialogue, Michael Shifter.

Para muitos, isso pode acelerar o fim do chavismo. "A cada segundo, o que o governo faz � cavar seu pr�prio t�mulo", alfinetou o presidente do Parlamento, Julio Borges.

Centenas de seguidores do governo comemoravam na Pra�a Bol�var, no centro de Caracas, � espera de resultados e de Maduro.

Segundo analistas, para ter legitimidade, Maduro precisa obter pelo menos 7,6 milh�es de votos, os quais a MUD garante ter obtido em seu plebiscito simb�lico de 16 de julho contra essa iniciativa.


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