
Mineira, a agente de bordo preferiu n�o se identificar. Segundo ela, a Emirates, que tinha 60 mil funcion�rios, j� demitiu 6 mil dos quase 20 mil trabalhadores de voo e 1.200 dos 4.300 pilotos. "Estamos sendo mandados embora sem a menor transpar�ncia, com crit�rios duvidosos. Est�o usando a desculpa do coronav�rus para demitir de forma arbitr�ria", acusa a comiss�ria. Ela diz que acionar� a Justi�a do Trabalho.
Na vis�o dela, haveria retalia��es, como encerramento de contratos de comiss�rias que estavam de licen�a maternidade, assim como de trabalhadores "retidos" em seus pa�ses por causa das restri��es de viagens.
Procurada, a Emirates alegou que recorreu �s dispensas como forma de se "adaptar a esse per�odo de transi��o". Afirmou ter tratado os casos "com justi�a e respeito". A empresa diz que tem se esfor�ado para evitar os cortes. "A pandemia impactou muitas ind�strias. Infelizmente, precisamos nos despedir de algumas das pessoas maravilhosas que trabalharam conosco".
De acordo com a mineira, por�m, a empresa teria informado os funcion�rios sobre as demiss�es por meio de mensagens de e-mail em que eram convocados a reuni�es para o dia seguinte. "Depois da primeira vez, todo dia houve novos e-mails. Todos ficaram estressados e com muito medo. Cancelaram minha primeira reuni�o e depois de v�rios dias de tortura recebi de novo a mensagem", conta.
Na ocasi�o, ela questionou se n�o seria quebra de contrato, j� que tinha um ano e meio para cumprir. Os superiores negaram. Ela cita outros casos que considera injustos. "Um piloto excelente, premiado tr�s vezes, foi mandado embora porque no ano passado passou por uma cirurgia e ficou tr�s meses sem trabalhar", acusa.
Segundo a comiss�ria, a companhia deveria ter oferecido licen�a n�o remunerada ou demiss�o volunt�ria. "Eles reduziram os sal�rios desde mar�o, falando que era para evitar demiss�es, mas agora demitiram da mesma forma", afirma.
Seguro
Para atrair passageiros, a Emirates ofereceu seguro gratuito para quem contra�sse a doen�a provocada pelo novo coronav�rus durante ou depois do voo. A oferta, v�lida por 31 dias ap�s o primeiro voo do cliente, cobre despesas m�dicas, per�odo de quarentena em hot�is e at� gastos com funeral.
Como a companhia investe em medidas como essa,a crise n�o justificaria o tratamento dispensado aos funcion�rios, na vis�o da comiss�ria de voo.
“A gente entende que a empresa e a avia��o est�o sofrendo, mas a maneira que est�o fazendo � absurda. Enquanto isso eles est�o oferecendo seguros de COVID-19 aos clientes, e lan�ar patroc�nio para time de futebol. Dinheiro pelo visto eles t�m”, argumenta.
*Estagi�rio sob a supervis�o do subeditor Eduardo Murta
