O papa Francisco, defensor de corredores humanit�rios para acolher os migrantes na Europa, insistiu em um novo livro, divulgado nesta segunda-feira (23), que "a migra��o n�o � uma amea�a ao cristianismo".
"Rejeitar um migrante em dificuldades, seja de qual confiss�o religiosa for, por medo de diluir nossa cultura 'crist�' � uma falsifica��o grotesca tanto do cristianismo quanto da cultura", escreveu o papa no livro intitulado "Vamos sonhar juntos", amplamente inspirado em suas reflex�es sobre a pandemia do novo coronav�rus.
"A migra��o n�o � uma amea�a para o cristianismo, exceto na imagina��o daqueles que se beneficiam simulando-o. Promover o Evangelho e n�o acolher o estrangeiro necessitado, nem afirmar sua humanidade como filho de Deus � querer fomentar uma cultura crist� apenas de nome; vazia de toda a sua novidade", reitera Francisco.
A insist�ncia do sumo pont�fice em repreender os pa�ses ricos, sobretudo na Europa, pelo tema dos migrantes, lhe rende �s vezes cr�ticas que o acusam de ingenuidade, inclusive entre os cat�licos.
Mas, o papa considera que estas cr�ticas v�m frequentemente de cidad�os pouco praticantes.
"Uma fantasia do nacional-populismo em pa�ses de maioria crist� � defender a 'civiliza��o crist�' de supostos inimigos, seja do isl�, dos judeus, da Uni�o Europeia ou das Na��es Unidas", afirma.
"Esta defesa � atraente para aqueles que com frequ�ncia n�o s�o mais crentes, mas que consideram o patrim�nio de sua na��o como uma identidade. Aumentam seus medos e sua perda de identidade, ao mesmo tempo em que diminui sua participa��o nas igrejas", ressalta.
Em seu novo livro, o papa insiste na precariedade dos migrantes, que vivem confinados em acampamentos insalubres em plena pandemia do novo coronav�rus.
"Estes acampamentos de refugiados transformam o sonho de conquistar uma vida melhor em c�maras de tortura", escreveu, acrescentando: "se a covid entrar em um campo de refugiados, pode gerar uma verdadeira cat�strofe".
Para Jorge Bergolgio, neto de migrantes italianos radicados na Argentina, "a dignidade dos nossos povos exige corredores seguros para migrantes e refugiados, de forma que possam se mudar sem medo de zonas de morte a outras mais seguras".
"� inaceit�vel deixar que centenas de migrantes morram em perigosas travessias mar�timas ou em travessias pelo deserto", avaliou.
Nesta nova declara��o, o papa lembrou que os migrantes "mal pagos" costumam constituir a m�o de obra de sociedades mais desenvolvidas e continuam sendo "desprezados".
