
As alega��es do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de que o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, lhe pediu um acordo "emergencial" para diminuir a escassez de um produto aliment�cio n�o especificado "n�o condizem com a lembran�a dos eventos", informou o gabinete do premi� brit�nico � BBC News Brasil.
Nos bastidores, contudo, o entendimento � de que o governo brit�nico trata as declara��es de Bolsonaro como falsas.
Johnson e Bolsonaro se encontraram na semana passada, quando ambos viajaram a Nova York, nos Estados Unidos, para a Assembleia-Geral das ONU (Organiza��o das Na��es Unidas).
Durante a reuni�o, Johnson falou a Bolsonaro sobre os benef�cios da vacina da AstraZeneca contra a covid-19, desenvolvida no Reino Unido.
Bolsonaro respondeu dizendo que n�o havia sido vacinado. Tr�s dos integrantes de sua comitiva receberam diagn�stico positivo para o novo coronav�rus — o ministro da Sa�de, Marcelo Queiroga, um diplomata que havia viajado a Nova York antes para organizar a viagem do presidente brasileiro e o filho do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro. Queiroga j� havia tomado as duas doses do imunizante, enquanto o diplomata, apenas a primeira.
'Acordo emergencial'
Em sua live semanal a apoiadores nesta quinta-feira (23/9), Bolsonaro disse que Johnson lhe pediu um acordo emergencial para importar "algum tipo de mantimento nosso que est� em falta na Inglaterra".
"Ele quer um acordo emergencial conosco para importar algum tipo de mantimento nosso que est� em falta na Inglaterra. Ent�o, a infla��o veio para todo mundo depois do 'fique em casa, a economia a gente v� depois', e alguns pa�ses est�o com falta de alimento. Essa batata eu j� passei l� para a dona Tereza Cristina (ministra da Agricultura)", afirmou o presidente brasileiro, sem mencionar a qual produto Johnson teria se referido.
As especula��es s�o de que o produto n�o especificado possa ser carne de peru. O Brasil � um dos maiores produtores mundiais dessa mat�ria-prima.
Na mesma transmiss�o para as redes sociais, Bolsonaro tamb�m falou que Johnson lhe pediu para facilitar as importa��es de u�sque para o Brasil.
O Reino Unido passa por uma crise de desabastecimento e h� fortes preocupa��es sobre uma poss�vel escassez de alimentos nas prateleiras dos supermercados no per�odo que antecede o Natal.
A isso se deve uma combina��o de fatores, entre os quais falta de funcion�rios para preencher vagas importantes da cadeia aliment�cia, sobretudo motoristas de caminh�o, al�m de problemas na oferta de CO2, usado para o abate de animais e criar gelo seco para manter os alimentos frescos.
O Brexit — a sa�da do Reino Unido da Uni�o Europeia — e a covid-19 seriam os principais culpados pela atual crise.
O governo brit�nico pediu � popula��o que n�o estocasse produtos, como aconteceu no in�cio da pandemia do coronav�rus, ap�s o an�ncio da BP de que pode haver falta de combust�vel em alguns postos de gasolina.
Algumas das maiores redes de supermercados brit�nicas — como Tesco e Iceland — j� haviam feito o mesmo apelo, apesar de confirmarem que o setor passa por um "momento de alerta".
Na semana passada, a gigante americana CF Industries decidiu interromper as opera��es de suas duas f�bricas de fertilizantes no Reino Unido, que respondem por 60% da produ��o nacional de CO2, sob a alega��o de que os pre�os em alta do g�s natural as tornaram n�o lucrativas.
Para evitar um colapso do setor de alimentos e bebidas, que depende dessa mat�ria-prima, o governo brit�nico decidiu intervir na empresa. A retomada das opera��es deve levar "v�rios dias".
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