Desde que entrou nas For�as Armadas em 2020, a jovem de 23 anos conta ter sofrido ass�dios di�rios por seus colegas de trabalho.
"Quando voc� anda pelo corredor, algu�m te d� um tapinha no quadril, ou te segura por tr�s (...) Eles beijaram minha bochecha e agarraram os meus seios", contou ela.
Gonoi relata que, durante um exerc�cio, tr�s colegas prenderam-na no ch�o, abriram suas pernas e cada um pressionou sua virilha contra ela.
A jovem ent�o denunciou os incidentes, mas uma investiga��o interna determinou que n�o havia provas suficientes para prosseguir com as acusa��es.
Diante disso, em junho de 2022, ela decidiu tornar p�blica sua den�ncia, em um v�deo no YouTube. Conseguiu uma poderosa resposta e grande visibilidade para o caso, que foi reaberto e teve uma investiga��o criminal iniciada.
Posteriormente, o Minist�rio da Defesa reconheceu o ataque e pediu desculpas.
"Fiquei profundamente decepcionada com as For�as de Autodefesa", contou � AFP.
- "Mais desesperada do que corajosa" -
Ao compartilhar sua experi�ncia, Gonoi encorajou dezenas de pessoas a denunciarem abusos sexuais e outros crimes dentro das For�as Armadas de seu pa�s.
"Se fosse s� por mim, j� teria parado, mas carrego as esperan�as de muitos outros, ent�o sinto que devo fazer o meu melhor", afirma.
A como��o para ela foi ainda maior por sua hist�ria at� ingressar nas For�as Armadas.
Gonoi conta que, quando tinha 11 anos, acompanhou o trabalho de mulheres da institui��o militar que ajudaram a construir banheiros para sobreviventes do terremoto e do tsunami que atingiram o Jap�o em 2011.
"Cheguei a pensar que um dia seria como elas e trabalharia para ajudar outras pessoas", disse.
A ex-soldado, que tamb�m pratica jud�, sonhava em competir nos Jogos Ol�mpicos e utilizava as instala��es esportivas do servi�o militar para treinar. Por este motivo, a decis�o de fazer uma den�ncia p�blica se tornou ainda mais dolorosa.
"Era o �ltimo recurso", disse, acrescentando que se sentia "mais desesperada do que corajosa".
"Testemunhei com os meus olhos ataques a mulheres de alto escal�o e n�o queria que fossem abandonadas", ou que outras soldados "passassem pela mesma experi�ncia", explicou.
Ap�s a den�ncia, mais de 100 mil pessoas assinaram uma peti��o para que fosse iniciada uma investiga��o independente. O pedido foi enviado em agosto para o Minist�rio da Defesa.
O movimento levou o �rg�o p�blico a identificar mais de 1.400 pessoas que apresentaram den�ncias de agress�o sexual e ass�dio nas For�as Armadas.
- "Algo est� errado no Jap�o" -
O ass�dio sexual � uma quest�o delicada nas For�as Armadas de diversos pa�ses, e a indigna��o com a magnitude do problema na vizinha Coreia do Sul levou a pedidos de reforma na institui��o.
A den�ncia de Gonoi foi um dos raros casos p�blicos de agress�o sexual no Jap�o, onde apenas 4% das v�timas de estupro chegam a report�-los � pol�cia.
A jovem tamb�m recebeu uma enxurrada de insultos e de amea�as on-line.
"Algo est� errado no Jap�o. As pessoas atacam as v�timas, e n�o os abusadores", lamentou.
A ex-soldado recebeu um pedido de desculpas de seus agressores, que est�o sendo investigados, e processou o governo e seus pares por maus-tratos.
"Espero ver uma sociedade, na qual as v�timas n�o tenham que recorrer � opini�o p�blica para solucionar seus casos", finalizou.
Publicidade
T�QUIO
Ex-soldado japonesa denuncia ass�dio sexual nas For�as Armadas
Publicidade
