O excesso de gente no barco naufragado � uma das poucas certezas no mist�rio em torno da trag�dia ocorrida no Lago Parano� na noite de domingo. Havia at� 103 pessoas a bordo do Imagination, autorizado pela Marinha a transportar no m�ximo 92. Al�m da superlota��o, surgem suspeitas de falhas na seguran�a e at� na manuten��o da embarca��o. Mergulhadores do Corpo de Bombeiros encontraram uma rachadura em um dos tubul�es, na parte de baixo do barco. As estruturas cil�ndricas e ocas ajudam na flutua��o. Sobreviventes denunciaram a falta de coletes salva-vidas e de instru��o para o uso do equipamento de seguran�a e de outras medidas em casos de emerg�ncia.
A Marinha do Brasil e a Pol�cia Civil do Distrito Federal investigam o acidente. Representantes das duas institui��es tratam o caso com cautela, mas falam na possibilidade de a trag�dia ser consequ�ncia de uma s�rie de fatores. O respons�vel pelo inqu�rito criminal, delegado Adval Cardoso, chefe da 10ª Delegacia de Pol�cia, no Lago Sul, diz que o estrago na estrutura do barco identificada ontem pelos bombeiros mergulhadores pode ser determinante na apura��o. No entanto, � preciso saber se ela � anterior ao passeio que terminou no naufr�gio, se foi causada por causa de uma suposta colis�o com uma lancha ou se houve uma explos�o dos tubul�es na noite de domingo. “Aliada � avaria, a suposta superlota��o pode ter colaborado para o naufr�gio”, ponderou o delegado.
Adval se baseia nas declara��es de sobreviventes, inclusive do comandante do Imagination, Airton Carvalho da Silva Maciel, 28 anos. Em um dos dois depoimentos na 10ªDP, ele apontou anormalidades no barco. A mais s�ria � que, de uma hora para outra, a embarca��o come�ou a “empinar”. “Ele (Airton) afirma que n�o houve colis�o com lancha nenhuma”, contou Adval. O piloto n�o deu entrevistas. J� um dos convidados da festa realizada na embarca��o, o gar�om Dionei Maffini, 30 anos, contou que o motor falhou duas vezes. “Vi dois apag�es, ouvi um barulho e depois o barco come�ou a inclinar. A�, houve o naufr�gio.” Ele tamb�m negou que uma lancha teria batido no Imagination. “Ela estava ao lado, era de outras pessoas que queriam entrar na nossa festa, mas o comandante falou que n�o podia entrar. N�o vi nada de colis�o.”
Respostas Respons�vel pelo procedimento administrativo, o comandante da Delegacia Fluvial – �rg�o da Marinha –, Rog�rio Leite, � ainda mais cauteloso. Ele afirmou que a lancha estava superlotada, mas negou que isso seja relevante. “Ainda � cedo para afirmar que isso tenha causado o acidente”, ressaltou. Afirmou o mesmo sobre a rachadura em um dos tubul�es. “S� vamos saber se isso contribuiu depois de i�ar o barco e da realiza��o de per�cia”, acrescentou. N�o h� previs�o para o resgate da embarca��o, que est� a 18m de profundidade, segundo os bombeiros.
Ap�s i��-la, ser� poss�vel, entre outras coisas, descobrir se havia coletes para todos os ocupantes e tamb�m se ocorreu uma colis�o. T�cnicos da Marinha e da Pol�cia Civil far�o per�cias distintas. Dois peritos da Marinha vir�o do Rio de Janeiro para ajudar nas investiga��es. J� o resultado da per�cia da Pol�cia Civil deve sair em dois meses. O processo da Delegacia Fluvial levar� at� tr�s meses para ser conclu�do e pode culminar na cassa��o da permiss�o para conduzir embarca��es, caso indique a responsabilidade do comandante do barco. J� o inqu�rito da 10ªDP n�o tem data para a conclus�o. O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, afirmou que h� “evid�ncia” de superlota��o do barco naufragado. “Mas ainda n�o tem comprova��o. Isso vai ser fruto de investiga��o”, observou. Como fez tamb�m em nota oficial, ele manifestou solidariedade �s fam�lias e garantiu total apoio �s equipes de resgate. “� lament�vel, uma situa��o dram�tica. Nos solidarizamos com as fam�lias, com as v�timas. Mobilizamos a opera��o com tudo que disp�nhamos.”
