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Estado de Minas GERAL

Europeus analisam transporte gratuito


postado em 30/09/2018 09:16

Em diferentes cidades da Europa, prefeituras e administra��es regionais est�o estudando neste momento - e a s�rio - uma hip�tese at� h� pouco considerada impens�vel: a gratuidade do transporte coletivo. A exemplo do que ocorre em 38 cidades francesas, um projeto vem sendo analisado na capital, Paris, para abolir as catracas de metr�s e �nibus, ao mesmo tempo em que a administra��o busca f�rmulas para compensar as perdas financeiras com a gratuidade de diferentes modais.

Na Fran�a, as cidades que j� adotaram a gratuidade t�m em comum o porte m�dio - para os padr�es locais. S�o munic�pios de menos de 100 mil habitantes, com exce��o de tr�s dentre eles: Dunkerque, o mais c�lebre, na fronteira com a B�lgica, Aubagne e Niort. Em Dunkerque, a experi�ncia deu certo, e os coletivos s�o gratuitos. O objetivo da prefeitura � claro: reduzir a presen�a de autom�veis nas ruas e, com isso, a polui��o e os custos correlatos em sa�de p�blica.

A iniciativa tamb�m vem sendo cada vez mais observada de forma atenta por prefeitos e ministros dos Transportes em outros pa�ses. Projetos-piloto tamb�m existem em Est�nia, Rep�blica Checa, Reino Unido, Su�cia, Alemanha, B�lgica, Dinamarca, Espanha, Finl�ndia, Isl�ndia, Pol�nia e Rom�nia.

O desafio, no caso de Paris e de outras cidades de maior porte, como Clermont-Ferrand, � encontrar uma compensa��o para o valor que se deixa de arrecadar. Para a prefeitura parisiense, o valor em quest�o � de � 2,8 bilh�es/ano (o equivalente a R$ 10,7 bilh�es) embolsados com vendas de passagens, que representam cerca de 30% do custo total do sistema.

O problema � que pode ser apenas o in�cio da fatura, que poderia chegar a � 6 bilh�es (R$ 27,9 bilh�es) em raz�o do aumento do n�mero de passageiros. O fluxo maior obrigaria a aumentar a frequ�ncia dos metr�s, logo implicando custos trabalhistas elevados.

Em Paris, o aumento da demanda � assunto sens�vel, pois parte da rede j� enfrenta a satura��o em hor�rios de pico, tornando a capacidade de absor��o de um fluxo adicional de passageiros limitada. Em Aubagne, o fluxo de passageiros triplicou desde o in�cio da gratuidade. Al�m disso, as experi�ncias realizadas em cidades de menor dimens�o indicam um aumento de riscos de vandalismo e destrui��o do patrim�nio, segundo Yves Crozet, economista especializado em Transporte.

Para arcar com os custos, uma das alternativas seria a ado��o de um ped�gio urbano, como o j� existente em Londres.

Hip�teses

Apesar das adversidades, o tema vem sendo estudado a pedido da prefeita de Paris, Anne Hidalgo. Entre as hip�teses est�o a gratuidade total, a libera��o de catracas durante o dia, a exclus�o de turistas, que teriam de seguir pagando, ou ainda a libera��o de pagamento por crit�rios sociais de renda.

Para determinar o modelo e o impacto financeiro, um grupo multidisciplinar de pesquisadores, sob o comando do Laborat�rio Interdisciplinar de Avalia��o de Pol�ticas P�blicas (Liepp), do Instituto de Estudos Pol�ticos de Paris (Sciences Po), recebeu em mar�o passado a incumb�ncia de examinar pistas de financiamento alternativo.

"� preciso avaliar se existe um modelo econ�mico vi�vel", ponderou Anne Hidalgo, deixando claro que n�o se compromete com a medida se n�o houver compensa��es ao er�rio. "At� aqui, nada nos diz que seja poss�vel."

Catraca livre em Agudos

A diarista Simone Oliveira Carvalho, de 45 anos, ganha R$ 1,6 mil por m�s fazendo faxina em resid�ncias. Ela toma �nibus para ir e voltar do trabalho e teria um gasto mensal de R$ 228 com transporte se n�o morasse em Agudos, cidade de 37 mil habitantes, no centro-oeste do Estado de S�o Paulo. L�, o transporte coletivo p�blico � gratuito para todos, inclusive para quem chega de fora, h� 15 anos.

"N�s viramos exemplo quando houve a mobiliza��o (nacional em 2013), mas j� era uma coisa faz�amos havia uma d�cada", diz o prefeito Altair Francisco Silva (PRB), ele mesmo um usu�rio eventual do servi�o.

Macatuba, cidade vizinha, com 17 mil habitantes, se inspirou em Agudos para criar o servi�o em 2004. Em Maric�, no Rio, com 153 mil habitantes, a gratuidade do transporte come�ou em dezembro de 2014, mas ainda � parcial. As informa��es s�o do jornal O Estado de S. Paulo.


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