(none) || (none)
UAI
Publicidade

Estado de Minas GERAL

Pais precisam controlar o consumo de a��car das crian�as


postado em 22/11/2019 14:56

"Hoje vai ser uma festa! Bolo, guaran�, muito doce pra voc�!", dizia a letra da m�sica de anivers�rio mais famosa da Xuxa Meneghel. Desde sempre, festinha infantil � sin�nimo de doce. E o a��car rola solto entre os convidados. Por�m, o consumo do produto, al�m de ser proibido para menores de dois anos, pode ser essencialmente danoso para os pequeninos.

Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Queensland, na Austr�lia, revela que os efeitos do a��car no c�rebro s�o parecidos com aqueles provocados pelo consumo de drogas como a coca�na. "Com base nas semelhan�as comportamentais e neuroqu�micas observadas entre os efeitos do a��car e drogas, podemos deduzir que o a��car atenda aos crit�rios para uma subst�ncia de abuso e possa ser "viciante" para alguns indiv�duos quando consumido de maneira exagerada", afirma a nutricionista Luciana Sarmento, do Espa�o Stella Torre�o.

O a��car induz as mesmas respostas na regi�o do c�rebro conhecida como "centro de recompensa", como nicotina, coca�na, hero�na e �lcool. O produto estimula a libera��o de neurotransmissores - dopamina em particular.

Nas crian�as, a especialista em Nutri��o Cl�nica e Funcional Luciana Sarmento explica que a depend�ncia do a��car pode se manifestar atrav�s de dist�rbios de comportamento. "Hiperatividade, dificuldade de concentra��o, irritabilidade e outros problemas psicol�gicos podem estar ligados � dieta e ao excesso de consumo de a��car", avalia.

Para os pais, � muito dif�cil resistir � tenta��o de oferecer guloseimas para as crian�as. Ao contr�rio da coca�na, o a��car � uma "droga" que vicia socialmente aceita, sobretudo em festinhas infantis.

A partir de qual idade deve-se oferecer a��car para a crian�a?

Essa � uma pergunta bastante comum entre os pais. Antes de falarmos sobre o a��car, vale ressaltar que o consumo do mel para crian�as abaixo de dois anos � vetado. Isso porque a Ag�ncia Nacional de Vigil�ncia Sanit�ria (Anvisa) alerta que estudos revelaram a presen�a de bact�rias causadoras do botulismo intestinal em amostras de mel. A doen�a pode levar � morte por paralisia da musculatura respirat�ria.

Recomenda-se n�o consumir a��car de nenhum tipo (refinado, cristal, mascavo, mel, melado, rapadura, etc) durante os dois primeiros anos de vida da crian�a.

"�s vezes, ficamos ansiosos para que a crian�a comece a utilizar o a��car. Talvez essa seja uma ansiedade mais dos pais do que da pr�pria crian�a. Nem tudo precisa de a��car a mais, por exemplo um suco de melancia n�o precisa de a��car. O mesmo vale para o leite: n�o precisa ado�ar a mamadeira", enfatiza a endocrinologista Livia Marcela, mestre em Endocrinologia pela Unifesp.

Desde 2015, a OMS recomenda que o limite m�ximo para a��cares livres oferecidos para crian�as acima de dois anos deve ser 10% do valor energ�tico total e, idealmente, 5%. O que equivale a aproximadamente 25 gramas (100 cal ou aproximadamente seis colheres de ch�) de a��cares adicionados por dia.

"Tem havido uma falta de clareza e consenso sobre quanto a��car adicionado � considerado saud�vel para crian�as. Ent�o, o a��car permanece um ingrediente comumente presente em comidas, bebidas e o consumo geral por crian�as permanece alto. N�o existe refer�ncia quanto ao tipo a��car que deve ser consumido, mas obviamente os a��cares nutritivos s�o os mais indicados dentro das quantidades preconizadas", afirma a nutricionista Luciana Sarmento.

Consequ�ncias do a��car na sa�de infantil

Um dos primeiros efeitos quando os pais introduzem o a��car na vida dos pequeninos � em rela��o ao paladar. Acostumada ao gosto do leite materno ou f�rmula, ou dos alimentos in natura preparados com poucos temperos, o a��car parece uma "bomba de sabor". E isso pode comprometer as escolhas saud�veis, ou n�o, que ela fizer no futuro.

Ao oferecer o a��car, a crian�a pode rejeitar outros sabores. O a��car adicionado, ou seja, aquele que a gente usa para ado�ar alimentos ou bebidas, tem efeito prejudicial para os pequeninos, como esclarece Luciana Sarmento: "Uma associa��o entre ingest�o de a��car e dist�rbios metab�licos como obesidade, dislipidemias, aumento da press�o arterial, diabetes mellitus. Alguns tipos de c�ncer podem estar associados ao excesso do uso de a��car assim como dist�rbios cognitivos e c�ries".

A endocrinologista L�via Marcela aponta a obesidade como um dos principais problemas. "Dados recentes apontam que mais de 30% das nossas crian�as de cinco a nove anos sofrem com excesso de peso. A��car adicionado � o a��car que colocamos a mais em alimentos. Esse seria o maior problema. A obesidade tem um elo muito grande com o a��car adicionado", ressalta.

Escolhas mais saud�veis

Para crian�as acima de dois anos, se optar por utilizar o produto, prefira as vers�es mais nutritivas, como mel, a��car mascavo, de coco, demerara, org�nico ou melado.

A adi��o de fibras tamb�m diminui a absor��o do a��car. "Recomenda-se o consumo de alimentos ricos em fibra sol�vel como as cascas das frutas, gr�os integrais, br�colis, a aveia, chia. Este tipo de fibra ajuda a desacelerar o processo de absor��o de a��cares, regulando assim os n�veis de glicose no sangue", aconselha Luciana Sarmento.

Uma outra dica importante � incentivar o consumo de frutas inteiras e orientar as crian�as sobre os benef�cios da fruta, rica em fibras em compara��o ao suco.

Na opini�o da endocrinologista L�via Marcela, as festas infantis n�o s�o as vil�s da hist�ria. "O maior problema n�o � a crian�a comer um ou outro doce durante as festinhas. Mas a frequ�ncia que esse consumo acontece. Ent�o, deixar f�cil acesso a doces, balas e bolachas n�o � recomendado. Uma regra muito simples por�m que gera um efeito muito bom no dia a dia �: desembrulhe menos. Procure comidas o mais naturais poss�vel, um bom exemplo s�o as frutas", lembra.

Uma outra observa��o � em rela��o aos iogurtes. Muitos deles t�m uma alta concentra��o de a��car. Ent�o, aqui tamb�m vale a recomenda��o: quanto mais natural melhor. Para que os pais consigam fazer essas escolhas, � necess�rio se programar para ter sempre frutas e verduras em casa.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as not�cias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, fa�a seu login ou assine

Publicidade

(none) || (none)