Com a pandemia do coronav�rus, os Cemit�rios de Iraj� e Inha�ma, na zona norte do Rio, est�o construindo milhares de gavetas para abrigar corpos. A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo sobrevoou com um drone a regi�o de Inha�ma na tarde desta ter�a-feira, 28, e constatou que pelo menos 30 blocos, de tamanhos variados, est�o sendo erguidos. Cada um tem capacidade para centenas de mortos.
Em Iraj�, o helic�ptero da TV Globo tamb�m flagrou constru��es. S�o 24 blocos j� erguidos e, assim como no caso do outro bairro, cada um pode abrigar centenas de corpos.
O Rio registrou, at� a tarde desta ter�a, 738 mortes pela covid-19. Al�m delas, contudo, tamb�m h� um aumento no n�mero de �bitos por "causas indeterminadas" nos cart�rios fluminenses. Foram 310 entre o fim de fevereiro, quando o Pa�s teve o primeiro infectado pelo coronav�rus, e o �ltimo dia 18. O aumento � de 52 vezes em compara��o com o mesmo per�odo de 2019, quando apenas cinco foram registradas.
Al�m das causas indeterminadas, as mortes por s�ndrome respirat�ria aguda grave (SRAG) tamb�m dispararam no Rio, segundo os registros cartoriais. Foram 130, contra seis no mesmo per�odo do ano anterior. Ou seja, aumentaram 21 vezes.
Em meio a esse cen�rio, a prefeitura da capital fluminense publicou nesta ter�a uma medida que autoriza empresas funer�rias a fazerem, elas pr�prias, os registros de �bitos, para evitar uma sobrecarga nos cart�rios.
Procurada para dar o n�mero exato de novas gavetas, a concession�ria Rio Pax, que administra os cemit�rios de Iraj� e de Inha�ma, n�o respondeu aos pedidos do Estado.
Esgotamento
�ltima esperan�a dos pacientes de covid-19 que precisam de UTIs no Rio, o Hospital Doutora Zilda Arns Neumann, em Volta Redonda, no Sul Fluminense, enfrenta a crescente redu��o de vagas, causada pela transfer�ncia de infectados pela doen�a de outros munic�pios - incluindo a capital, a 130 quil�metros. O processo � veloz: em tr�s dias, de sexta a segunda-feira, a taxa de ocupa��o de vagas foi de 51% a 77%.
Segundo relatos de profissionais que trabalham l�, o hospital tem tr�s alas que somam 50 vagas. Restam poucos leitos vazios - no fim de semana eram seis, mas esse n�mero varia com muita frequ�ncia por causa das mortes de internados. Na segunda-feira, eram 326 pacientes � espera de transfer�ncia para UTIs no Estado.
Profissionais de sa�de, que preferem n�o se identificar, tamb�m reclamam da falta de equipamentos de prote��o adequados. Sem os macac�es do tipo mais indicado para ingressar nas UTIs e tratar de pacientes de uma doen�a altamente contagiosa como a covid-19, improvisam capotes ou mesmo macac�es cir�rgicos, cujo grau de prote��o � menor.
Ainda conforme esses funcion�rios, diante do risco de contamina��o, colegas preferem deixar de trabalhar no hospital. As equipes est�o desfalcadas: 12 profissionais pediram demiss�o em poucos dias, afirmam funcion�rios. Por isso, um t�cnico de enfermagem - que em condi��es normais seria respons�vel por dois pacientes - chegou a atender sete em seu turno.
A s�rie de mortes lotou tamb�m o necrot�rio, com vagas para 27 corpos. A fam�lia da maioria dos mortos mora na capital e n�o tem condi��es financeiras de pagar o traslado do corpo.
Por isso, alguns cad�veres chegam a ficar cinco dias no necrot�rio. Diante da perspectiva de lota��o dos necrot�rios, o poder p�blico providenciou cont�ineres frigor�ficos para armazenar corpos.
Esgotos
Pesquisadores da Fiocruz detectaram a presen�a do novo coronav�rus em esgotos de Niter�i, na regi�o metropolitana do Rio. O estudo n�o � suficiente para indicar se o v�rus pode ou n�o ser transmitido pelas fezes. Ajuda, no entanto, a dar uma no��o de como ele pode se espalhar, "permitindo identificar regi�es com presen�a de casos da doen�a, mesmo os ainda n�o notificados no sistema de Sa�de".
"Este estudo confirma a import�ncia da vigil�ncia com base em �guas residu�rias como uma abordagem promissora para entender a ocorr�ncia do v�rus em uma determinada regi�o geogr�fica", aponta a virologista Marize Pereira Miagostovich, respons�vel pela pesquisa da Fiocruz. As informa��es s�o do jornal O Estado de S. Paulo.
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Rio constr�i milhares de gavetas em dois cemit�rios
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