
Morador de Ceil�ndia, o servidor p�blico Darlan de Oliveira, 42 anos, esteve no distrito para buscar os av�s. “Os dois est�o com muito medo de ficar aqui (em Edil�ndia), assim como toda a popula��o. Eles s� voltam para c� quando o criminoso for preso”, destaca. Darlan faz visitas frequentes � regi�o nos fins de semana, onde passou parte da inf�ncia. “Sempre foi um local muito tranquilo. � uma cidade pacata, com moradores receptivos. Temos diversas festividades, folias, cavalgadas, tudo em clima calmo. Por isso, a chegada desse man�aco assusta tanto”, relata.
Darlan conta que alguns moradores deixaram as fazendas e, agora, re�nem-se em grupos de at� 10 pessoas para dar comida aos animais de cria��o. “Eles precisam voltar �s ch�caras para alimentar os porcos, as galinhas e demais bichos. Como est� com medo, a comunidade se reuniu e, em grupos, visita as propriedades. Assim, eles (os moradores) se sentem um pouco mais seguros", comenta.
Estado de alerta
A situa��o tamb�m assusta Expedita Pereira de Freitas, 80. A filha dela, Margarida Maria Pereira, 60, mora h� mais de 30 anos no distrito e afirma que os moradores est�o preocupados. “Minha m�e � hipertensa. Qualquer barulho que ela ouve faz com que fique assustada. Nestes dias, ela est� � base de rem�dios para se acalmar e conseguir controlar a press�o (arterial)”, conta.
Al�m do medo da viol�ncia, a chuva na madrugada de ter�a-feira (15/6) tornou a noite dos habitantes menos tranquila. “O barulho do vento fazia a gente ficar em estado de alerta o tempo todo. At� pensamos em mandar minha m�e para a casa de meu irm�o, em Goi�nia, mas tamb�m tememos a COVID-19”, relata Margarida.
O �nico motivo para a fam�lia se sentir um pouco mais segura, segundo ela, � o fato de morar perto do posto de gasolina que ficou definido como base para as equipes da for�a-tarefa. Tamb�m morador de Edil�ndia, o produtor rural Jos� Saraiva Matos, 62, acrescenta que todos os fazendeiros da �rea t�m mudado a rotina. “Fechamos as porteiras cedo e ficamos atentos. Qualquer movimenta��o estranha faz com que acionemos a pol�cia. E ningu�m mais sai � noite”, ressalta.
Solidariedade
Durante as buscas por L�zaro, moradores e comerciantes de Edil�ndia (GO) e do Incra 9 se juntaram para ajudar os cerca de 200 policiais e bombeiros que atuam na regi�o. Um grupo de aproximadamente 25 volunt�rios tem fornecido refei��es para as for�as de seguran�a e pretende manter a iniciativa at� que termine a ca�ada pelo suspeito.
O produtor digital Lucas Mendon�a, 26, surgiu com a ideia. Morador do munic�pio — um dos principais em que atuam as equipes (leia Locais das buscas) —, ele diz acompanhar a "dedica��o dos policiais" dentro da mata e no cerco montado nas rodovias. Alguns n�o voltaram para casa desde o come�o da ca�ada, segundo o jovem. "Lancei a ideia (das refei��es) no Instagram, e diversas pessoas se mobilizaram e passaram a fazer doa��es. O padre Cleiton Torres cedeu o espa�o da igreja (do distrito) e come�amos a servir os lanches l�. � uma forma de agradecer por tudo o que eles est�o fazendo", afirma.

O grupo prepara os alimentos na capela Nossa Senhora de F�tima, onde fazem caf� da manh�, almo�o e jantar para os policiais. A a��o come�ou na noite de segunda-feira (14/6). A estudante Lanna Gabrielly, 16, � uma das volunt�rias. "Aqui, todo mundo faz um pouco de tudo. Eu arrumo mesa, ajudo a cortar os legumes, organizo e entrego os lanches. Sabemos que isso � o m�nimo, porque alguns passam o dia e a noite na mata. Essa � uma forma de mostrar gratid�o por eles se arriscarem em nome de nossa seguran�a", avalia a moradora de Edil�ndia.
O trabalho volunt�rio da equipe ajuda a popula��o a se distrair do medo, de acordo com a cobradora de �nibus Analice Teixeira, 26. Ela mora no munic�pio h� quatro anos. "O clima na cidade � de muita tens�o, e temos visto o esfor�o das equipes de buscas. A regi�o aqui � enorme, e fazer o trabalho que est�o fazendo � muito dif�cil", opina a jovem.
Al�m de usar recursos pr�prios, a comunidade de Edil�ndia recebeu doa��es de moradores de Ceil�ndia. Uma das pessoas a organizar os repasses � Robson Pereira da Silva, 50, morador do Incra 9 e produtor rural. Ele era vizinho da fam�lia Vidal, assassinada na quarta-feira (9/6). "Eu era amigo desde moleque do Cl�udio (Vidal, empres�rio e pai dos dois meninos mortos). Jog�vamos bola na rua na inf�ncia. Por isso, estamos nos mobilizando", destaca.
Robson acrescenta que auxiliou nas buscas por Cleonice Vidal, quando a empres�ria era considerada desaparecida. “Hoje (ter�a-feira), quando ficamos sabendo do projeto da igreja, decidimos coletar doa��es dos moradores de Ceil�ndia e trazer para c�. Estamos voltando (para o Incra 9) para pegar botij�es de g�s e, � noite, retornamos para Edil�ndia. � o que podemos fazer para ajudar a p�r fim a esse pesadelo”, completa.
Colaborou Samara Schwingel
