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Estado de Minas

Evid�ncias condenam a maconha

A orienta��o da pol�tica de drogas brasileira cabe ao Legislativo, aos representantes eleitos pela popula��o


postado em 17/06/2019 04:05

uando falamos sobre pol�ticas p�blicas relacionadas � maconha, � muito comum a popula��o, a m�dia e at� os governantes buscarem modelos que est�o sendo implementados em outros pa�ses para verificar quais medidas relacionadas ao assunto poderiam ser aplicadas aqui. Esquecem-se, no entanto, de algo muito importante: as evid�ncias cient�ficas.
Em fevereiro deste ano, uma das publica��es cient�ficas mais respeitadas do mundo, o JAMA Psychiatry, divulgou um artigo que traz uma conclus�o alarmante: quem usa maconha na adolesc�ncia tem um risco maior de desenvolver depress�o ou comportamento e pensamento suicida anos mais tarde.


O que qualifica esse artigo? Os pesquisadores analisaram os resultados de 11 trabalhos internacionais publicados com os melhores crit�rios cient�ficos, envolvendo, no total, 23.317 participantes, da juventude at� a fase adulta. Eles foram divididos em dois grupos: um era composto por pessoas que consumiram maconha at� os 18 anos e o outro por aqueles que n�o fizeram uso da droga nesse mesmo per�odo. O que fizeram foi medir o impacto real da c�nabis na vida dos pesquisados, utilizando sofisticadas an�lises estat�sticas. E os resultados impressionam – de uma forma negativa.


Quem usa maconha na adolesc�ncia tem risco 37% maior de ter depress�o na fase adulta, do que aqueles que n�o fizeram uso da droga nesse per�odo. As conclus�es n�o param por a�. Esses mesmos usu�rios tamb�m t�m 50% mais chances de apresentar pensamentos suicidas e um risco de tentativa de suic�dio tr�s vezes maior do que quem n�o usou maconha. Tal an�lise confirma v�rios estudos anteriores que mostram a vulnerabilidade do c�rebro em sua fase de desenvolvimento, dos 15 aos 25 anos, quando exposto �s drogas.


Suas caracter�sticas, como n�mero de usu�rios, per�odo de observa��o e credibilidade dos dados analisados, al�m da metodologia utilizada, elegem esse trabalho como um dos mais relevantes j� feitos nesta �rea, fazendo com que seja imposs�vel ignorar tal evid�ncia. N�o se trata de achismo, e sim de um trabalho cient�fico s�rio.


Outro estudo relativamente recente, liderado pelo pesquisador Jordan Bechtold, tamb�m demonstrou os perigos do consumo de c�nabis entre os jovens. Ele indica que o uso regular de maconha por adolescentes aumenta em 21% a chance de desenvolverem sintomas psic�ticos persistentes. Ou seja, o uso de maconha pode desencadear sintomas psic�ticos que n�o s�o percebidos pelas pessoas que est�o ao seu redor, sendo detectados apenas por especialistas. Al�m disso, tais jovens tamb�m t�m mais riscos de desenvolver sintomas paranoicos e alucin�genos.


Vale tamb�m destacar que os estudos mostram decl�nio das chamadas fun��es cognitivas como mem�ria, planejamento e aten��o, influindo muito nos comportamentos err�ticos e inconstantes dos usu�rios de maconha.


O assunto � extremamente pertinente, pois, aqui no Brasil, est�o acontecendo duas importantes iniciativas ligadas a uma eventual legaliza��o das drogas. Deve ser retomado neste m�s, no Supremo Tribunal Federal (STF), o julgamento da descriminaliza��o do porte de drogas para uso pessoal. Quando foi interrompido, em 2017, o ministro Gilmar Mendes votou a favor da descriminaliza��o de todas as drogas. Luis Roberto Barroso e Edson Fachin, por sua vez, votaram pela descriminaliza��o apenas da maconha, sendo que o ministro Barroso sugeriu a fixa��o de um limite de 25 gramas para a posse da droga. Se prevalecer essa tend�ncia, as drogas ser�o legalizadas, de fato, no Brasil.


O papel do STF n�o � fazer leis. A orienta��o da pol�tica de drogas brasileira cabe ao Legislativo, aos representantes eleitos pela popula��o. As drogas matam, provocam imenso estrago na sa�de p�blica e sequestram a esperan�a e o futuro de milh�es de jovens. N�o � assunto para ser decidido por um colegiado, sobretudo de costas para a cidadania. Encerro como comecei: as evid�ncias condenam a maconha e as pol�ticas p�blicas irrespons�veis.

 

 


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