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Estado de Minas

Como ser pai e m�e ao mesmo tempo?


postado em 06/08/2019 04:05


Os dias come�am com uma longa lista de afazeres. Acordar antes de todos em casa, preparar o caf� da manh�, acordar os filhos e prepar�-los para a escola, garantir que tudo esteja em seu devido lugar, e, s� assim, sair para trabalhar e enfrentar o mundo. A maioria das m�es j� se v� nessa descri��o de tarefas, que s�o refeitas diariamente. No entanto, essa rotina tende a ficar ainda mais �rdua para aquelas m�es que tamb�m representam as figuras paternas em seus lares.

Agora, imagine ser uma m�e em busca da consolida��o profissional e estabilidade financeira, e ainda ter que assumir uma posi��o suplementar em sua casa? Essa realidade complexa e desafiadora foi imposta � minha vida a partir do falecimento do meu marido e pai da minha filha, mas tamb�m se faz presente na vida de v�rias outras mulheres que passaram por div�rcios ou optaram por estar sozinhas.

No meu caso, com a aus�ncia do meu marido, fui obrigada a assumir uma s�rie de obriga��es. As minhas fun��es iam desde oferecer os cuidados necess�rios � minha filha at� arcar com a organiza��o, despesas e problemas provenientes da casa. E para ter uma renda suficiente, eu tamb�m precisava trabalhar. Algo que naquela �poca era muito dif�cil, pois a minha filha tinha somente um ano e meio e demandava muita aten��o e diversos cuidados.

Esse tipo de situa��o tornou-se muito comum ao longo dos anos, e isso pode ser exemplificado por dados recentes de uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econ�mica Aplicada (Ipea), que apontou que o n�mero de lares brasileiros regidos por mulheres solteiras aumentou de 23% para 40% em 20 anos de an�lise.

Esse contexto se mostra alarmante devido �s grandes dificuldades que rondam a vida da maioria das mulheres. Ainda hoje, recebemos sal�rios n�o equivalentes aos dos homens e temos pouco espa�o de competitividade no mercado de trabalho.  Mesmo com todas essas injusti�as, consegui administrar as necessidades do meu lar, assumindo, assim, o papel de pai e m�e para a minha pequena filha.

As necessidades da minha filha eram m�ltiplas, pois, ao mesmo tempo em que eu devia ser uma m�e presente, tamb�m era essencial ser a amiga e exemplo de mulher firme, forte e decidida em que ela pudesse se espelhar. No entanto, a parte mais injusta da chamada ‘jornada dupla’ � o sentimento de insufici�ncia paternal, que nos faz crer que somente o modelo de fam�lia tradicional pode dar o aporte suficiente para a forma��o de um adulto sadio f�sica e emocionalmente. 

Apesar dos pesares, acredito que ser m�e em dupla jornada � uma tarefa bastante honrosa. Mais do que isso, observo que ser pai e m�e simultaneamente � provar que � poss�vel permanecer de p� ante as adversidades e situa��es que a vida reserva. H� um velho dito popular que diz que “ser m�e � padecer no para�so”. Vejo que as m�es, al�m de 'padecer' no para�so, suportam com fervor o peso das responsabilidades.

Com o Dia dos Pais se aproximando, sinto que tamb�m devo comemorar, pois ele lembra que todo o cansa�o e adversidades valeram e ainda valem muito a pena. Sendo m�e, pai e conselheira, percebo que o meu papel na vida da minha filha � muito maior do que o de simplesmente provedora ou educadora. Tamb�m preciso ser aquela pessoa que entende o que ela diz ou at� mesmo o que ela n�o diz em palavras. Ser m�e � padecer no para�so sim, mas ser m�e e pai � desfrutar da trajet�ria.


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