Manifesta��es sacodem Hong Kong h� dois meses. Com aux�lio das m�dias sociais, multid�es de jovens se organizam e tomam ruas e lugares estrat�gicos da cidade. Entre eles, o aeroporto, que registrou atrasos e teve voos paralisados. Rapazes e mo�as protestam por democracia, amea�ada pelo projeto de lei da extradi��o. Proposto pela chefe do Executivo, Carrie Lam, o texto permite a extradi��o para a China e, claro, a submiss�o �s regras de Pequim. Em suma, d� aval para que a pessoa seja julgada no pa�s ora comandado por Xi Jinping.
Em resposta ao movimento que se agrava e parece n�o ter fim, a repress�o mostra-se cada vez mais violenta. O uso de g�s lacrimog�nio, balas de borracha e bast�es para espancamentos n�o inibe os manifestantes, mas os leva ao hospital ou � cadeia. Para se defender da f�ria policial, os jovens organizam concentra��es- rel�mpago, que se desmobilizam quando se observam sinais de perigo. Carrie Lam, na esperan�a de acalmar os �nimos, prometeu interromper a tramita��o do projeto. Fracassou. A exig�ncia � pelo arquivamento.
A raiz do problema est� na hist�ria da prov�ncia chinesa. Em 1841, Hong Kong passou para o dom�nio ingl�s. Tornou-se, gra�as sobretudo � globaliza��o, importante centro financeiro mundial. Em 1997, depois de amplas negocia��es, voltou �s origens. Pequim firmou acordo em que se estabeleceu um status especial para a prov�ncia, conhecido por “um Estado, dois sistemas”. A cidade, segundo o acerto e a Constitui��o, deve ter alto grau de autonomia em todas as esferas, exceto nas rela��es exteriores e na defesa militar. As diferen�as entre o territ�rio semiaut�nomo e o continente s�o muitas – l�ngua, moeda, passaporte, internet livre.
Duas d�cadas depois, v�-se que o arranjo n�o deu certo. Especialistas culpam o regime chin�s, repressor, incapaz de conviver com a diferen�a. Com recursos eletr�nicos sofisticados, entre os quais a identifica��o facial, Pequim exerce crescente vigil�ncia sobre a sociedade. Para n�o serem captados pelas c�meras, populares se protegem com guarda-chuvas. Os manifestantes fazem o mesmo. Da� por que as passeatas s�o conhecidas por “movimento dos guarda-chuvas”.
No mundo conectado, desordens longas, com perspectiva de agravamento, causam preocupa��es. A C�mara de Com�rcio Americana alertou para o risco de a crise gerar a percep��o de que Hong Kong seja lugar inseguro. Michelle Bachelet, alta comiss�ria das Na��es Unidas para os Direitos Humanos, pediu que o governo tivesse cautela e abrisse investiga��es sobre o uso de g�s lacrimog�nio de forma que viola as leis internacionais. Donald Trump, sem grandes explica��es, disse que o governo chin�s moveria tropas para a fronteira de Hong Kong. Tamb�m pediu encontro do presidente chin�s com os manifestantes.
H� temores de que ocorra trag�dia semelhante � de 1989 em Pequim. Na ocasi�o, jovens clamavam por democracia. Houve uma s�rie de passeatas. Quando tomaram a Pra�a da Paz Celestial, foram duramente reprimidos por tanques e tropas. Mas � pouco prov�vel que o massacre se repita. Uma repress�o violenta traria mais preju�zos � segunda economia do mundo do que os protestos de rapazes e mo�as que n�o querem abdicar do regime de franquias democr�ticas.
Frases
"Uma C�mara dos Deputados que custe menos"
.Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da C�mara dos Deputados, ao falar sobre mudan�as que quer realizar dentro da C�mara
"O esfor�o do Senado � para votar a reforma at� outubro"
. Tasso Jereissati (PSDB-CE), relator da reforma da Previd�ncia no Senado, sobre a tramita��o da proposta na Casa
