Marco Ant�nio Barbosa
Especialista em seguran�a e diretor da Came do Brasil
Mais um ano vai terminando sem que medidas de longo prazo tenham sido tomadas para amenizar o caos na seguran�a p�blica brasileira. Continuamos estarrecidos, acompanhando notici�rios recheados de crimes, chacinas e roubos cinematogr�ficos, casos quando o crime organizado afronta nosso sistema policial e, em nenhum momento, parece temer.
Diversos dados, por�m, mostram que os n�meros da viol�ncia diminu�ram. Isso n�o seria uma luz no fim do t�nel?
Infelizmente, os principais institutos de estudo nesta �rea, como o Atlas Anual da Viol�ncia, apontam tal melhora como um mero golpe de sorte. As fac��es criminosas, que h� muitos anos guerreavam por espa�o e poder, deram uma tr�gua. Nada tem a ver com investimentos certeiros do poder p�blico na �rea de seguran�a.
Continuamos remediando ao inv�s de prevenir. As leis propostas, como o Pacote Anticrime, seguem tramitando a passos de tartaruga no nosso Congresso. N�o existe interesse latente em mudar o sistema corrupto que assola o pa�s e que respinga, obviamente, na seguran�a p�blica.
Al�m disso, investimentos na diminui��o da desigualdade social tamb�m minguam no Brasil, o verdadeiro cerne da quest�o, principal causa da viol�ncia. Poucos ganham muito e muitos ficam com as migalhas em todos os setores b�sicos, como sa�de, educa��o, saneamento b�sico, moradia etc. Sem alternativa, o crime organizado chega como a salva��o a parcela consider�vel da popula��o.
Sem contar a sist�mica morosidade, inc�moda particularidade no Brasil, em reformas de extrema necessidade, como as do Judici�rio, do sistema prisional e das pol�cias. A demora do nosso conjunto administrativo somada � lota��o das cadeias (fora os fatores previamente citados neste texto) comp�em um prato cheio para a criminalidade fortalecer seu poder paralelo. E tal poder, como dissemos, consegue diminuir os n�meros da viol�ncia, muito mais do que o governo.
Segundo dados do Anu�rio do F�rum Brasileiro de Seguran�a P�blica, os gastos do governo com seguran�a p�blica no Brasil totalizaram R$ 91,2 bilh�es em 2018, o equivalente a 1,34% do PIB ou R$ 409,66 por brasileiro. Em rela��o ao ano anterior, o pa�s aumentou as despesas com a �rea em 3,9%. Mas, sem essas reformas, leis e mudan�as, um consider�vel montante oriundo do bolso de cada um de n�s � empregado de forma completamente equivocada e n�o efetiva para mudar o quadro de guerra em que o pa�s vive atualmente.
Em 2020, n�s, eleitores, temos mais uma chance de ajudar nestas mudan�as. Os pleitos municipais s�o uma oportunidade de elegermos novas pol�ticas que combatam a viol�ncia de baixo para cima, come�ando nas cidades. Novos l�deres, que pensem na seguran�a a longo prazo, podem surgir. Por que n�o? Al�m de ter esperan�a, � preciso que tenhamos consci�ncia na hora de votar: que estejamos bem informados e pautados nas nossas cren�as para a real evolu��o do Brasil. Sem isso, seguiremos na sorte e na m�o das fac��es.
